Apesar dos muitos erros de revisão (3, 4 palavras escritas de maneira errada em uma mesma página, em várias páginas), e de muitos cortes abruptos entre um assunto e outro, onde um bate-papo inocente no bar passa para uma gravação super importante do nada, este livro é uma excepcional biografia de Tom Jobim.
Um grande trabalho de Sérgio Cabral.
As informações sobre Tom vem de tantos lados e formas que é quase possível dizer que virei amigo do maestro.
Frases "jobinianas" repetidas à exaustão, piadas feitas pra grandes mestres da música ("Fracis, let´s fly!"), e um grande amor pelos amigos e pelas mulheres.
Tudo isso ajuda a mostrar que Tom Jobim era a imagem do carioca: Sempre nos bares, bebendo, comendo e conversando com as pessoas, sejam elas amigos ou desconhecidos.
A amizade dele com Vinícius de Moraes é demonstrada da melhor maneira, com as cartas trocadas entre eles. Muito carinho e admiração dos dois lados.
As partes que mais me agradaram foram aquelas em que ele estava gravando.
Seja com o grandioso Frank Sinatra, seja com a louca Elis Regina, ou com o chato (no bom sentido) João Gilberto.
Cada gravação teve seus momentos esmuiçados de maneira perfeita. Com transcrições literais do que cada personagem disse.
Me senti tão envolvido pelos momentos de gravação que não tive como não buscar os discos que ainda não tinha, e escutar com mais calma aqueles que já possuia.
Perto do fim o pique do livro cai um pouco.
Tom fica mais velho e passa a receber prêmios e tributos pelo que já havia feito na vida, e as gravações e composições diminuem de quantidade.
Fica claro nesse livro que tudo que Tom Jobim quis nos ensinar era o amor pelo seu país e pelas pessoas que vivem nele, além de um senso de humor único e perspicaz.