Bem, chegou ao fim a leitura de "Nós". Vou falar primeiramente, em um contexto geral, tudo que me agradou na leitura: o cenário político ditatorial em que o povo vivia, com paredes de vidro (isso antes da invenção da TV, uma sacada genial do autor) e tudo que falam ou fazem, sendo observado e controlado por um "Benfeitor" (figura quase que divina, aos olhos dos habitantes daquela civilização), como um Reality Show dos dias atuais; toda reflexão sobre liberdade x felicidade, que se encaixa em qualquer época e proporciona diversos gatilhos de raciocínio; a ideia de revolução, que mostra (ou deveria mostrar) que o povo tem vez e voz, que só a partir dessa voz, pode-se lutar pelo que acreditam, enfim...
Achei interessante também, por 11 capítulos [contidos no livros, como "resumos" feitos pelo narrador e protagonista D-503], a mudança na fonte utilizada (representando um período de imaginação), retornando ao final, como se quando ele tivesse retomado a "consciência", tivesse restabelecido a sua escrita habitual.
Agora, os pontos fracos no livro para mim: por diversos momentos, o uso exagerado de linguagem metafórica atrapalhou o entendimento da narrativa (o problema é o excesso); alguns acontecimentos estranhos, que indicavam serem explicados ao decorrer da história acabaram não sendo explicados; a "mocinha" da história, I-330, por quem D-503 se apaixona, é excessivamente misteriosa (o problema novamente é o excesso), em nenhum momento demonstrado no livro quais as suas reais intenções; isso aconteceu também com outros personagens, que pareceram existir na história, terem certas funções para a narrativa, porém, foram pouco explorados, não existindo uma explicação por trás de suas atitudes, ficou uma sensação de "tá, mas por quê?".
Com tantos pontos negativos, pode parecer que não é uma boa leitura, mas é sim. Eu recomendo para quem curte distopias e para quem procura refletir sobre a importância da liberdade.