Escrito pelo jornalista Nicholas Pileggi e publicado pela primeira vez em 1985, o livro Os Bons Companheiros foi a base para o clássico cinematográfico de mesmo nome, o qual foi dirigido por Martin Scorsese. Nesse sentido, na obra não-ficcional, acompanhamos a vida de Henry Hill e sua progressão dentro da máfia italiana em Nova York entre as décadas de 1950 e 1980. As informações foram fornecidas pelo próprio Hill, o qual, após ser preso por tráfico de drogas e perceber que sua vida estava ameaçada pelos antigos colegas de crime, decide se tornar um delator em troca de ser introduzido ao programa de proteção a testemunhas.
De início, com uma narrativa que intercala entre a contextualização de Nicholas Pileggi e os depoimentos de Henry Hill e outros personagens importantes de sua história, o livro é dividido em vários capítulos, os quais destrincham as épocas da vida e os momentos marcantes do delator. Nesse contexto, somos introduzidos ao mundo mafioso quando, aos 11 anos, Hill foi contratado por um dos irmãos Vario (família de mafiosos em ascensão à época) para fazer pequenos serviços, como levar cervejas e lavar carros. A partir disso, acompanha-se todo o crescimento e a deterioração moral do homem que, algumas décadas depois, seria responsável por delatar todos os seus companheiros de crime durante a vida.
Prosseguindo, é importante ressaltar toda a profundidade da narrativa, a qual não tem medo de apresentar os diversos crimes cometidos e testemunhados por Hill, envolvendo desde roubos e tráficos de drogas até assassinatos brutais. Por claro, haja vista o histórico violento, o delator provavelmente ocultou alguns de seus piores crimes. Isso, no entanto, não tira o fato de Henry ter dissecado grande parte de sua vida, confessando uma gama quase inacreditável de atitudes ilícitas e pensamentos torpes. Como consequência disso, a obra entrega com vivacidade toda a sujeira da máfia em seu ague, expondo inúmeras corrupções do sistema, seja ele político ou jurídico. Por fim, como único ponto negativo do livro, tem-se o fato de a narrativa ser um tanto quanto monótona, o que, por claro é característico de obras com cunho documental, mas, haja vista o conteúdo do livro, tal elemento não chega a cansar a leitura em nenhum momento.
Os Bons Companheiros é um livro, em sua essência, único, o qual apresenta com profundidade todo o arcabouço da cultura mafiosa e sua mentalidade. Vale a pena a leitura.
Nota: 9,0
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