A Invenção das Tradições -

    Eric J. Hobsbawm, Terence Ranger

    Paz e Terra
    2012
    395 páginas
    13h 10m
    ISBN-13: 9788577532094
    Português Brasileiro

    Com organização e textos de Eric Hobsbawm e Terence Ranger e a contribuição de vários historiadores, esta obra se propõe a abranger o universo ocidental das tradições culturais, religiosas, políticas e até esportivas. Segundo os autores, o Dia da Bastilha, na França, foi criado em 1880 com manifestações oficiais e não oficiais e festividades populares - fogos de artifício, bailes nas ruas - para confirmar, anualmente, a condição da França como nação desde 1789. As 'tradições' referem-se a situações anteriores, que realmente existiram, mas que inventam um passado conveniente ao Estado, ou a qualquer modo de organização que necessite de uma ordem. As 'tradições inventadas' têm funções políticas e sociais na ordem social, são processos de ritualização que dão conta do passado pela repetição. Os historiadores ainda estudam esse processo onde simbolismos e rituais são criados.

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    Clio04/06/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Esse livro é uma coletânea de artigos de Eric Hobsbawm e Terence Ranger argumentando sobre o uso de tradições como instrumentos de manutenção do Poder. O texto abre com uma ótima explicação sobre a natureza das tradições, sejam elas costumes, criações ou formulações de direitos adquiridos. O Reino Unido Medieval e Imperialista, a Índia sobre domínio britânico, assim como a África são os estudos de caso usados para basear essa proposta. Os autores partem de temas variados para corroborarem suas ideias. Há, por exemplo, um artigo apenas para explicar como a roupa típica escocesa - o tartan e o kilt - foram criados ao longo do tempo para padronizar um grupo e um comportamento. A tradição e a formação de nação são conceitos culturais que andam de mãos dadas na visão dos autores. Discorda? Então pense que a figura do Papai Noel tem menos de cem anos; o Brasil "país do futebol" também - sem contar a velha máxima de que o brasileiro é pacífico e amigável: nossa história e dia-a-dia são sangrentos demais para apoiarem essa tese, mas essa é a "imagem tradicional" que nos vendem. A Paz e Terra, responsável pela edição brasileira, escolheu uma obra maravilhosa. Contudo, edições com mais de dez anos já podem estar amareladas e, na tentativa de economizar espaço, o tamanho das letras e do espaço entre linhas é mínimo, dificultando leitura e anotações.

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