Sinopse: E se um sonho fosse o propulsor de mudanças tão radicais que projetariam um futuro até então inimaginável nas favelas do Brasil? E se o destino unisse três pessoas, marcadas a ferro pela violência urbana, e lhes apresentasse os caminhos de uma revolução? Vindo nordeste do Brasil, Ari chegou no Rio de Janeiro ainda jovem, quando foi acolhido por um tio, que lhe deu a morada em uma favela carioca e o ofício de construtor. Jaqueline de Oliveira Bastos é uma empresária carioca, multimilionária, sobrevivente de um traumático sequestro, sem família, nem amigos. Carlos é um tenente da polícia militar do Rio de Janeiro. Ele tem uma carreira exemplar. São pessoas marcadas pela violência. Embora vivam realidades distintas, eles compartilham o mesmo desejo incontrolável, quase inconsequente, de perpetrar uma revolução. Um conjunto de coincidências providenciará o encontro inusitado dessas três pessoas e a execução de um plano sem precedentes: acabar com o tráfico de drogas nas cidades brasileiras.
Favela Paris -
Sidney Amaral
Mais do que uma reflexão pertinente sobre a questão do tráfico
http://murmuriospessoais.com/?p=4532 *** Favela Paris (APED) é o primeiro livro do paulista Sidney Amaral. O autor, que é advogado e professor universitário, se apaixonou pelo Rio de Janeiro quando visitava a cidade a negócios. Então, claro que, sua estreia literária tinha que ter a cidade como cenário. O autor nos apresenta três personagens. Ari, um pedreiro que tem a sua própria empreiteira e que é respeitado na favela onde reside. Tenente Carlos, um militar conhecido por saber lidar com a politicagem do meio, mas também possuidor de técnica e eficiência sem iguais. Jaqueline, uma mulher de negócios bem sucedida, que já foi sequestrada e até hoje sofre com os traumas do evento. O destino dessas três pessoas já se cruzou uma vez, mesmo que nem todas tenham conhecimento disso; mas seus caminhos estão prestes a se unirem novamente. Dessa vez, para um objetivo muito maior: resolver a questão do tráfico de drogas no Rio de Janeiro. Os três terão um papel indispensável no plano, que foi idealizado por Jaqueline. Mas será que conseguirão atingir seus objetivos? Será que é possível controlar uma situação que gera tanto dinheiro e causa tantas mortes? Há ainda espaços para sonhos nessa realidade caótica? Sabe quando você pega um livro e até espera que ele seja bom, mas não tão bom? Pois é. Aconteceu isso com Favela Paris. A sinopse já tinha me ganhado, mas a narrativa foi decisiva para que o livro fizesse bonito. Sidney Amaral é um autor de palavras breves, mas certeiras (só chamo atenção para algumas palavras repetidas ao longo do texto, principalmente o uso exagerado verbo 'ter'). Por outro lado, também sabe quando se aprofundar em determinado assunto. Ou seja: sabe dosar quando é hora de retrair e quando é hora de florear o texto. Já ganhou alguns pontos comigo por isso. Principalmente, porque não gastou horas filosofando sobre o Rio de Janeiro e blablabla - o que encontramos, invariavelmente, em histórias que possuem a cidade como pano de fundo. Amaral nos mostra um Rio cru e verdadeiro. Lindo, é claro, mas com a realidade de um centro urbano - que é isso o que ele é. Além da descrição no ponto, o autor nos mostra uma solução para o tráfico ficcional e, mesmo que você não concorde com ela, você se questiona sobre. 'Gente, e se fizesse isso? Será que daria certo?' E acho que aqui reside o forte do livro: ele levanta questionamentos e nos faz refletir sobre o tráfico e sua estrutura, consequências e vítimas. Transforma em palavras um pouquinho do sonho que cada brasileiro tem de reverter essa situação. Bem, não sei se a ideia sugerida no livro daria certo no mundo real, na verdade, acredito que não, mas o diálogo que ela abre para o fato é mais que bem vindo. Os personagens são bem construídos. Tinha receio de ficarem um pouco caricatos, por serem figuras 'emblemáticas' do Rio, como o cara da favela, o policial, a magnata. Mas não, Amaral deu um belo tratamento à personalidade deles e aqui encontramos um pedreiro culto, por exemplo. Sidney conseguiu tirar seus personagens do lugar-comum sem que ficassem sem vida, nem apáticos. É justamente o contrário que acontece: eles saltam das páginas e ganham vida diante de você. O título do livro parece que não tem nada a ver, né? Mas depois que você termina a leitura, faz sentido, sim. Particularmente, teria optado por um título mais comercial, mas o escolhido cumpre bem o seu papel. Em relação à capa, não curti o trabalho. Entendi o que quiseram fazer, mas a arte não ficou legal. Já a diagramação interna, ficou redondinha, mesmo com os diálogos em itálico. A única ressalva que faço em relação à obra é referente à segunda metade do livro. Quando o plano é executado, achei que deveria ter sido melhor detalhado. Entendo que o livro tem mais uma pegada reflexiva sobre o problema, mas se combinasse à isso, cenas de ação bem escritas, a obra fecharia com chave de ouro. Sinceramente, até o visualizaria em outra mídia, talvez televisão, ou até mesmo cinema. Favela Paris, enfim, é um livro coeso, bem escrito e com potencial, te permitindo conhecer (e pensar sobre) um pouco mais da realidade que aflige não só o Rio de Janeiro, mas todo país. Uma bela estreia.
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