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    O cais das merendas -

    Lídia Jorge

    Europa-América
    1983
    251 páginas
    8h 22m
    ISBN-1: 0
    Português
    3.7
    3 avaliações
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    Favoritos0Desejados12Avaliaram3

    Publicado em 1982, O Cais das Merendas, segundo romance de Lídia Jorge, desenvolve-se em torno dos temas da identidade e da aculturação. Trata-se de uma narrativa poética, teatralizada, em que as personagens rurais, confrontadas com o mundo exterior, dão testemunho da sua intimidade, seus medos e desejos mais fundos. Neste caso, a acção desenrola-se à beira-mar, numa praia do Sul de Portugal, girando as figuras em torno de um pólo central, o Hotel Alguergue. Ocupado durante a época alta por turistas de várias nacionalidades, o hotel fica completamente despovoado durante os meses de Inverno. É então que os naturais da zona, esquecidos dos seus hábitos, precisam de se embriagarem para voltarem a usar a sua língua materna, e recitarem em voz alta as histórias tradicionais do seu país. Figuras como Rosarinho, pai Patroços, Miss Laura ou Sebastião Guerreiro, que vemos desfilar durante esses parties interpretam a hesitação de uma comunidade dividida entre o desejo de se modernizar e de manter o que de si mesma entende por próprio e genuíno. O Cais das Merendas apresenta-se como uma espécie de anti-epopeia colectiva, sugestão dada inclusive pela divisão em dez capítulos. O último parágrafo do livro poderá servir de emblema a esta espécie de saga portuguesa sobre o esquecimento de si. O Cais das Merendas obteve o Prémio Cidade de Lisboa referente ao ano em que foi publicado.

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    Resenhas (1)Ver mais
    Hevellyn Emanuely picture
    Hevellyn Emanuely19/05/2025Resenhou um livro
    0

    Que loucura!!!!

    Ler O Cais das Merendas não é fácil. É uma leitura que exige pausa, silêncio, e às vezes até um pouco de paciência. A narrativa é fragmentada, feita de pedaços soltos, memórias embaralhadas, palavras que não vêm de uma vez. E é justamente aí que mora a beleza – porque os personagens também são assim: partidos, cheios de lacunas, tentando se entender no meio do que sobrou. Cada cena, cada conversa, parece trazer uma camada diferente de dor, de saudade ou de confusão. E a gente, como leitor, vai costurando esses fragmentos junto com eles, tentando dar sentido a um passado que nunca foi completamente dito.

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    Lídia Jorge

    Nasceu no Algarve, passou alguns anos decisivos em Angola e Moçambique, formou-se em Filologia Românica na Universidade de Lisboa, deu aulas, escreveu quinze livros editados em várias línguas, entre eles, romances, antologias de contos, uma peça de teatro. Contrato Sentimental, apresentado no dia 4 de Setembro no Teatro Aberto, é o seu mais recente lançamento. Combateremos a Sombra, o seu romance apresentado em Março de 2007 na Casa Fernando Pessoa, esteve na origem do Grande Prémio da Sociedade Portuguesa de Autores/Millenium BCP, que lhe foi entregue no dia 25 de Novembro de 2007.

    52 Livros
    9 Seguidores
    Algarve, Portugal

    Lídia Jorge