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    Melhores Poemas de Antero de Quental (Coleção Melhores Poemas) -

    Antero de Quental, Benjamin Abdala Junior

    Global
    2004
    132 páginas
    4h 24m
    ISBN-10: 8526008811
    Português Brasileiro
    4.2
    13 avaliações
    Leram21Lendo5Querem19Relendo0Abandonos0Resenhas2
    Favoritos1Desejados19Avaliaram13

    Antero de Quental, homem de personalidade estranha, sombrio, niilista, mas também virtuoso, humilde, atormentado "pelo olhar da esfinge", segundo a expressão de Miguel de Unamuno, "um santo que era um gênio" (Eça de Queirós), foi o destino mais trágico da literatura portuguesa. Poeta e pensador, integrou a famosa geração de 70, que sacudiu a mesmice da vida portuguesa, procurando integrar o país no mundo moderno. Antero era o centro dessa geração brilhante, da qual faziam parte um Eça de Queirós, um Oliveira Martins, um Ramalho Ortigão. Natural dos Açores, Antero (1842-1891) formou-se em Direito pela Universidade de Coimbra (1864), onde sempre assumia a liderança nos conflitos entre o conservadorismo da instituição e o espírito de rebeldia dos estudantes. Durante essa fase escreve as Primaveras Românticas, só publicadas em 1872, os Sonetos (1861) e as Odes Modernas (1865), que traziam um frêmito novo à poesia portuguesa, pregando o progresso social e cujo fundo o poeta sintetizou na frase provocadora: "a Poesia moderna é a voz da Revolução". Mas é nos Sonetos que se encontra a mensagem mais alta e pessoal, mais densamente humana de Antero, traduzindo os seus conflitos íntimos, a sua alta tensão espiritual, a angústia permanente de uma alma sedenta de luz ("Viva e trabalhe em plena luz: depois/ seja-me dado ainda ver, morrendo,/ o claro sol, amigo dos heróis!"). Depois de duas edições com um pequeno número de poemas, os Sonetos Completos, dos mais perfeitos da língua em todos os tempos, foram lançados em 1886, constituindo uma espécie de autobiografia de uma alma atormentada, ou "memórias de uma consciência" como observou um crítico. A arte, porém, não apaziguou o coração do poeta, que se suicidou, em 1891. Guerra Junqueiro, seu amigo, escreveu então que "mais bela ainda que os seus livros, a sua vida". Mais bela, talvez. Muito mais trágica, com certeza.

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    Márcio Ricardo  picture
    Márcio Ricardo 28/11/2023Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Momentos brilhantes

    Continuando a saga da poesia, desta vez encontrei alguns poemas que me agradaram mais. Ainda assim, ao conjunto tenho dificuldade em dar cinco estrelas. Será que o problema é meu ?

    16 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.2 / 13
    • 5 estrelas38%
    • 4 estrelas46%
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    Antero Tarquínio de Quental profile picture

    Antero Tarquínio de Quental

    Procede de uma família ilustre ligada, desde longa data, à colonização de S. Miguel, Açores. Entre os seus antepassados contam-se o padre Bartolomeu de Quental (1626-1698), introdutor em Portugal da Congregação do Oratório. Tanto o avô como o pai militaram com bravura a favor da causa liberal. Aprendeu as primeiras letras em Ponta Delgada onde teve A. F. de Castilho como mestre. Em 1858, com dezasseis anos, matriculou-se em Direito na Universidade de Coimbra e aí obteve, em 1864, o diploma de bacharel, após frequência com aproveitamento bastante modesto. Depressa se notabilizou entre a juventude estudantil pela irreverência e espírito generoso, pelo fôlego poético e talento literário, pelas causas cívicas e políticas em que participava. De espírito inconformista, avesso à estagnação e ao conservadorismo, moviam-no convicções firmes quanto ao advento de um mundo novo governado por ideais de Justiça, Liberdade e Amor que era urgente preparar. Se foi em Coimbra, no convívio com amigos, que se revelou a enorme riqueza e complexidade do coração e inteligência do jovem Antero, foi aí igualmente que se evidenciaram sinais de indecisão quanto ao projeto de vida. Começava assim uma via-sacra de propósitos generosos mas pouco consequentes: projeta combater em Itália integrado nas fileiras do exército de Garibaldi; aprende na Imprensa Nacional o ofício de tipógrafo e vai exercê-lo em Paris; frequenta o Colégio de França e visita Michelet, a quem oferece as Odes Modernas; pondera inscrever-se como voluntário no exército papal; viaja depois pelos Estados Unidos da América; fixa-se em Lisboa e passa a viver em casa de Jaime Batalha Reis, o local onde se reúne o grupo do Cenáculo. Para trás ficavam as pugnas da Questão Coimbrã (1865), os assomos iberistas proclamados no opúsculo Portugal perante a Revolução de Espanha (1868), e a criação em parceria com Eça de Queirós do «satânico» Carlos Fradique Mendes, o poeta da escola de Baudelaire, autor dos «Poemas de Macadam». O apelo da intervenção social mobiliza-lhe as energias para se envolver, a partir de 1870, em iniciativas como a fundação de associações operárias, a organização dos trabalhadores portugueses e a sua filiação na Associação Internacional dos Trabalhadores, a direção e colaboração em jornais, como sucede com a República – Jornal da Democracia Portuguesa e O Pensamento Social. É ainda no decurso destes anos frenéticos que se ocupa do Programa para os Trabalhos da Geração Nova, chamando a si o estatuto de guia espiritual da geração a que pertence. Participa também nos trabalhos que levaram à fundação do Partido Socialista. Pertence a este bem preenchido ciclo de intervenções públicas a dinamização das Conferências Democráticas inauguradas no dia 22 de Maio de 1871, no Casino Lisbonense, e compulsivamente encerradas por uma portaria do Ministério do Reino, no mês seguinte, quando Salomão Sáragga ia pronunciar a sexta conferência subordinada ao tema «Os Historiadores Críticos de Jesus». As conferências tinham um programa ambicioso cujos objetivos eram «ligar Portugal com o movimento moderno», «agitar na opinião pública as grandes questões da filosofia e da ciência moderna», «estudar as condições da transformação política, económica e religiosa da sociedade portuguesa». Mesmo que no imediato este programa tenha ficado por cumprir, continua a ecoar até hoje como toque de alvorada de um Portugal novo. O mesmo se pode afirmar da segunda conferência intitulada «Causas da decadência dos povos peninsulares», um dos textos anterianos mais lidos e discutidos. Aí se escalpeliza, em âmbito peninsular, o trabalho inexorável da decadência, efeito de vícios históricos que urge corrigir. Propõe, por isso, que à rigidez monolítica do catolicismo inquisitorial e tridentino se contraponha a consciência livre esclarecida pela ciência e pela filosofia, à monarquia centralizada a federação republicana, à inércia industrial o trabalho e a livre iniciativa solidária e em prol da coletividade. Apesar de leitura esquemática e ideológica da história peninsular, são páginas que dão que pensar. Com o ano de 1874 chegava a gravíssima doença nervosa para a qual procurou assistência nos cuidados médicos de Sousa Martins, Curry Cabral e Charcot. Por causa dela, foram abandonados vários projetos, ao mesmo tempo que se intensificavam as interrogações filosóficas sobre a existência, adensadas pelas sombras do pessimismo. Intermitentemente, o poeta, o prosador e o cidadão continuam ativos. A residir em Vila do Conde desde 1881, aí encontrou a calma propícia à meditação filosófica sobre questões morais e intelectuais que o ocupam insistentemente. O seu derradeiro acto de intervenção cívica foi aceitar a presidência da Liga Patriótica do Norte, função para a qual o propusera o amigo Luís de Magalhães. Participava assim na comoção patriótica que abalou o país após o Ultimatum inglês de 11 de Janeiro de 1890. E, igual a si mesmo, manifesta de modo lapidar a sua posição: «o nosso maior inimigo não é o inglês, somos nós mesmos». Pensava, havia muito, regressar aos Açores e aí fixar residência. Embarca, efetivamente, em 5 de Junho de 1891, com destino a Ponta Delgada. Nesta cidade, junto ao muro do Convento da Esperança, suicidou-se com dois tiros, no dia 11 de Setembro. O suicídio de Antero coroa uma existência densa onde a luz e a sombra, a razão e o sentimento esculpiram uma esfinge de muitos e perturbadores enigmas. O suicídio tem o valor de resposta exorbitante a dois excessos mortais do seu intenso viver: a cândida entrega à vitória final do Bem e a radical angústia quanto ao seu ansiado advento. Sagrou-se assim como o menos retórico de quantos poetas e prosadores povoam a literatura portuguesa. A consagração de Antero como poeta passa pela publicação de duas obras desiguais e únicas quanto à forma e quanto à temática. As Odes Modernas (1865) introduziram no panorama da poética nacional uma voz de inconformismo e revolta que encontra inspiração nos acontecimentos dramáticos da cena social e política. Ao desligar-se de tópicos rotineiramente glosados pelos versejadores dos salões literários, o livro não podia passar despercebido e acabou por se transformar num dos rastilhos da polémica Bom Senso e Bom Gosto. Não obstante a reposição da obra em segunda edição, em 1875, o autor assume em relação às Odes Modernas distanciamento crítico e reconhece que «além de declamatória e abstrata, por vezes aquela poesia é indistinta e não define bem e tipicamente o espírito que a produziu». Sem nunca enjeitar o vigor revolucionário da juventude, Antero tinha entretanto crescido em ponderação filosófica e agitação interior. Data de 1886 o volume de Sonetos Completos, com prefácio de Oliveira Martins. A organização estrófica de catorze versos oferecia o molde perfeito onde podia condensar os ímpetos metafísicos e místicos de uma sensibilidade dilacerada por tensões jamais resolvidas. A consciência inquieta e sofrida que se confessa nesses versos não cabe na experiência lírica do eu individual, porque nela pulsa a universalidade transcendente da própria condição humana. Se, nos Sonetos, Antero sente o que pensa, nos ensaios filosóficos em que trabalhou durante os últimos anos, ele pensa o que sente. Homem de debate interior, peregrino do Absoluto, pensador do social e do histórico, militante do Portugal moderno, a aventura pessoal de Antero, prisioneira de insuperadas contradições existenciais, perfila-se, pelos tempos fora, como um dos mais inquietantes desafios da consciência humana.

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