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    Mornas eram as noites -

    Dina Salústio

    Instituto da Biblioteca Nacional
    2002
    91 páginas
    3h 2m
    ISBN-10: 9725661982
    Português
    4.4
    43 avaliações
    Leram76Lendo15Querem100Relendo0Abandonos2Resenhas5
    Favoritos9Desejados100Avaliaram43

    Os 35 textos bastante curtos de Mornas eram as noites mergulham no calor de histórias com um lirismo intenso, em que a subjetividade desponta na narrativa.

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    Resenhas (5)Ver mais
    Rafael Barufaldi picture
    Rafael Barufaldi29/07/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O não-lugar que nos transporta a Cabo Verde

    Eu me apaixonei por este livro em 2015 quando estava cursando uma matéria sobre literatura de Cabo Verde na faculdade de Letras. Hoje, em 2021, relendo-o por um motivo mais que especial, me peguei sorrindo em momentos tão triviais que fazem com que o livro seja especial. Os contos, todos bastante curtos, falam de tanta coisa e ao mesmo tempo falam de uma coisa só: da existência humana. Ao lê-los, nos pegamos refletindo sobre os papéis de gênero na nossa sociedade - ou seja, sobre ser mulher e ser homem -, sobre a identidade nacional, a cabo-verdianidade, sobre a realidade dura, sobre a fome, a seca e a desumanização, sobre a esperança de um futuro, sobre o escape nos pensamentos e nas ilusões. E não é tudo isso muito particular e também muito universal, muito humano? O título do livro também é um exemplo da mistura do local com o universal. Mornas, para além de se referirem à temperatura amena em qualquer lugar, são um gênero musical típico de Cabo Verde. São músicas lentas, de lamento, por vezes comparadas aos fados portugueses. A grande cantadora de mornas é Cesária Évora, estrela nacional. (Procurem-na no Spotify para terem uma noção do ritmo.) Por tudo isso e por conseguir gerir com maestria o que Cortázar falava sobre o conto (que ele deve ser curto e causar um impacto no leitor, justamente por ser curto), "Mornas eram as noites" é um livro memorável, de uma escrita precisa e perspicaz, e um grande exemplo da grandeza da literatura cabo-verdiana. Ótima oportunidade, portanto, para que professores brasileiros trabalhem com textos africanos. Ah, eu não poderia deixar de falar que, em alguns momentos, me lembrei de Clarice Lispector. Dina e Clarice são diferentes, muito diferentes. Não se trata de uma cópia ou qualquer coisa do gênero. Mas alguns devaneios, alguns instantes em que o pensamento - principalmente da narradora mulher - vagueia e nos leva para um outro lugar, um não-lugar, me trouxeram à mente a nossa escritora mais famosa.

    12 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.4 / 43
    • 5 estrelas49%
    • 4 estrelas44%
    • 3 estrelas7%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
    Bernardina Oliveira profile picture

    Bernardina Oliveira

    Dina Salústio foi uma das fundadoras da Associação dos Escritores Cabo-verdianos, assim como de diversas publicações literárias. Foi distinguida com o primeiro prêmio de literatura infantil de Cabo Verde em 1994 e com o terceiro prêmio de literatura infantil dos PALOP em 1999.

    2 Livros
    0 Seguidor
    Barlavento, Cabo Verde

    Bernardina Oliveira