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    Germinal -

    Emile Zola

    Estação Liberdade
    2012
    560 páginas
    18h 40m
    ISBN-13: 9788574482071
    Português Brasileiro
    4.4
    3117 avaliações
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    Cultuado por muito tempo como o romance por excelência das relações humanas no universo da organização dos trabalhadores, Germinal retrata os primórdios da Internacional Socialista, constituindo simultaneamente um painel revelador da lógica patronal no início do capitalismo industrial. Publicado em 1885, o romance de Émile Zola narra uma épica revolta de mineiros na cidade de Montsou, onde estes se sublevam contra condições de trabalho draconianas. Enquanto as famílias operárias sofrem com muitas bocas para alimentar e pouco pão, a mina Voraz condena gerações de trabalhadores a cuspir carvão para obterem seu mínimo sustento. É lá embaixo, no subsolo, que surge a necessidade de se organizarem para sobreviver, e caberá ao recém-chegado Étienne Lantier profetizar novos tempos para a massa de carvoeiros que sufoca debaixo da terra. Na superfície, a mobilização foge do controle do líder operário, mas Zola evita maniqueísmos e arma com precisão os excessos de ambos os lados, com as derivas que a história registraria repetidamente no século XX. Não deixam tão rápido nosso imaginário os personagens pintados por Zola: a dilacerada família Maheu, o ambivalente engenheiro Négrel, os onipresentes e odiados capatazes, as moças frívolas, as corajosas matriarcas, os promissores vagabundos imberbes, os capitalistas de plantão, o niilista russo obcecado por um atentado, o pervertido dono de mercearia. Até o cavalo Bataille, as minas e suas máquinas são símbolos de resistência num mundo infernal onde os esforços não são apenas humanos.

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    Clio picture
    Clio09/11/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Germinal é a dor do nascimento dos Direitos dos Trabalhadores na França do século XIX. É na cidade de Marchienne, nas minas Voreux (Vorazes em francês), que uma população composta principalmente por mineiros vacila entre a extinção e a revolta. É a fome e o frio causados pela chegada do inverno que permitem que Etienne Lantier convença seus pares da necessidade de um sindicato e de uma greve. Agora, estamos falando da França, cuja tradição de paralização e levante armado da população até hoje é considerado o maior do mundo. A leitura dessa obra, por mais que Zola grite em cada paragráfo suas ideias de incipiente anarquismo, é algo sangrento e doloroso, um lusco-fusco de palavras iluminadas a carvão e miséria. A família de Maheu, que abriga Etienne, é a forma geracional desse sistema exploratório em que todo produto é regado a sangue. Dos confrontos armados entre grevistas e soldados às precárias condições de trabalho que ainda vitimam mineiros ao redor do mundo. A obra de Zola é um grito para que os trabalhadores saibam que o salário nunca é o justo e que cada morte tem um assassino com nome e endereço. Recomendo.

    147 curtidas

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