... princípios de comunicação cósmica
O caminho evolutivo vê a necessidade própria de cada ser, individualmente e dentro do conjunto a que pertence. Devemos compreender a essência das diferenças ao invés de deixar que as forças da separatividade, da competição e da desunião invadam todas as formas de relacionamento, gerando a discórdia, a incompreensão, o conflito e o caos.
Um ser-Espelho é naturalmente um devoto, um cooperador do Plano Evolutivo em diferentes níveis de manifestação. A religião é algo que exprime vida interior; portanto, não pode manifestar-se como organização estruturada, fixa e cristalizada em dogmas e conceitos. A vida interior, base para o conhecimento da religião, é uma atualização permanente de atitudes e estados; é a renovação constante, seguindo Leis Superiores, das respostas dadas pela consciência às situações surgidas como provas.
O caminho religioso não é um caminho típico, de obtenção de segurança pessoal; é o retorno ao estado essencial da consciência. Tampouco é um caminho de experiências paliativas, mas a vivência de uma entrega tão inteira, que leve o ser a nada esperar no momento seguinte.
Busquemos em primeiro lugar a Fonte da Vida, e assim nosso Regente coordenará o nosso ser. Ao doarmos completamente nossa vida ao Divino, saberemos que, tendonos perdido para nós mesmos, descobriremo-nos em essência e verdade na consciência de Deus. Os ensinamentos são revelados aos poucos e não podemos estar presos às primeiras informações, pois isso pode impedir-nos de aceitar as informações posteriores. Muito se excede a capacidade de compreensão daqueles que se detêm apenas nos conceitos passíveis de comprovação material. Uma informação não produz o mesmo efeito em todos os seres que a recebem.
Cada um absorve segundo sua própria necessidade, condicionamentos e graus de abertura para o novo. Tais limitações podem ser transcendidas por meio da neutralidade. É quando se permanece neutro perante uma informação, recebendo-a sem aceitá-la e sem recusá-la a priori, que pode emergir do próprio interior a compreensão para aquele dado momento ou para uma situação específica. Tudo o que de real um indivíduo chega a saber não lhe é ensinado externamente, pois o conhecimento verdadeiro brota é do seu próprio íntimo.
O contato com fontes externas pode estimular a emersão, em sua consciência, de algo, já pronto; entretanto, quando as informações são meramente intelectuais, ficam na periferia do ser e, não encontrando ressonância com o mundo interior, não são por ele absorvidas. A realização interna permanece secreta, em algum ponto entre a consciência e o Supremo. Não pode ser partilhada com outros, e o caminho para conhecê-la só pode ser trilhado na solidão. A vida interior oferece a cada ser o que lhe cabe. Sem pátria, sem dogmas e sem credo, caminha o verdadeiro peregrino.
Do seu passado, nada tem a dizer; do seu futuro, nada a esperar. Um ser-espelho se expressa por meio do corpo de luz ligado a uma hierarquia. Temos que viver entre imagens (projeção da forma) sabendo que não somos imagens.
Quando um ser ou uma hierarquia apresenta-se à nossa percepção em forma humana e assim se dirige a nós (seja no plano físico ou ouro mais sutil), tal imagem certamente é apenas um instrumento criado para contatarmos o plano de ilusão em que estamos polarizados no momento do contato. Por isso os antigos ensinamentos tibetanos e as escolas filosóficas pretéritas apresentavam a existência material como uma ilusão. Isso é verdadeiro, pois iludida está a consciência quando identificada com as imagens. Os arquétipos são, portanto, imagens-padrão criadas pela mente universal; o eu, a prisão da consciência na forma.
O ego, existência do eu, é o encanto a que a vida autoconsciente se submete quando se introduz nos planos materiais. Como descrevem os mitos, esse encanto tem de ser quebrado para que o ser possa finalmente despertar para a realidade. O trabalho dos Espelhos é captar o arquétipo para um plano ou para um setor da vida manifestada, e eliminar possíveis obstáculos à sua realização. A vida material é uma mera projeção da mente de Deus. Cada pensamento dessa mente suprema determina um ciclo de existência para o objeto da sua atenção. A evolução é, portanto, uma seqüência de pensamentos encadeados segundo a lógica divina. Assim, também a vida material do homem é uma fantasia projetada pelo espírito (mônada) que, por sua vez, é uma projeção do regente monádico.