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    Crónica de D. Pedro I - Biblioteca Histórica de Portugal e Brasil

    Fernão Lopes

    [Porto] Livraria Civilização
    1979
    215 páginas
    7h 10m
    ISBN-13: 9789722602648
    Português
    3.9
    8 avaliações
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    Crónica do senhor rei Dom Pedro, oitavo rei destes regnos / Fernão Lopes ; introdução de Damião Peres. [Pedro I, Rei de Portugal, 1320-1367--O Justiceiro | --O Cruel | Portugal--História | Cognomes] Uma versão revista, integral, da 1ª edição crítica da Crónica de D. Pedro I, publicada em Roma em 1966, foi preparada pelo seu autor, Giuliano Macchi, para esta 2ª edição. Devido à sua morte repentina, Macchi não pôde realizar as verificações e ajustes que as fases seguintes da produção do livro naturalmente iriam exigir. A minha intervenção teve por objectivo minimizar os efeitos dessa imprevisível impossibilidade e contribuir para que o resultado final fizesse justiça ao saber e ao rigor que os seus trabalhos sempre demonstraram. (...). [Sobre o Autor]: São escassos os dados biográficos conhecidos sobre Fernão Lopes. Os testemunhos documentais de que dispomos informam, sobretudo, sobre os cargos que ocupou ao serviço dos primeiros reis da dinastia de Avis. Por certidões de 1418, sabe-se que exercia as funções de "guardador das escrituras do Tombo" e "escrivão dos livros" de D. João I e D. Duarte. Foi "escrivão da puridade" do infante D. Fernando, a partir de 1422, e, em 1437, lavrou o testamento do infante martirizado em Tânger, já como "tabelião geral" do reino. Em 1457, D. Afonso V substituiu-o nas suas funções por Gomes Eanes de Zurara, sendo de 1459 a última notícia relativa à sua vida. Enquanto cronista oficial sob as cortes de D. João I, D. Duarte e regência de D. Pedro, redigiu as crónicas de D. Pedro, D. Fernando e D. João I. As suas funções simultâneas como guardador das escrituras e cronista-mor do reino acabam por favorecer o seu legado como historiador, visto que a composição das crónicas dependeu do conhecimento e selecção do material a que tinha acesso. Data de 1434, segundo Damião de Góis, a sua investidura por D. Duarte do cargo de cronista do reino, ao ser-lhe confiada a missão de colocar em crónica "as estórias dos reis que antigamente em Portugal foram", bem como os "grandes feitos e altos do mui virtuoso" rei D. João I, seu pai. Desta crónica geral, além do testemunho do seu sucessor, não havia nenhum vestígio até serem encontrados os manuscritos da Crónica de Portugal de 1419, que têm sido considerados de sua autoria. Com efeito, as alusões de Fernão Lopes, nas suas crónicas, a textos anteriores sobre os primeiros reis, assim como o conteúdo e circunstâncias de composição destes manuscritos, parecem corresponder a esse projecto historiográfico mais amplo de que fora incumbido o cronista. Mas é acima de tudo pelas crónicas de D. Pedro, de D. Fernando e de D. João I (que chegaram até nós por apógrafos do século XVI) que o talento e excepcionalidade como historiador e como escritor, relativamente aos cronistas medievais, se afirmou. Não se trata para o cronista de refundir textos historiográficos anteriores, mas de elaborar em novos moldes a narração do devir histórico, individualizando os protagonistas na sua compleição psicológica denunciada em acto, encenando os episódios históricos no mesmo momento da sua ocorrência, emprestando tanto quanto possível verosimilhança ao encadeamento dos factos. É no prólogo da Crónica de D. João I que o cronista expõe o seu objectivo e método de historiar inovador. O seu desejo é "em esta obra escrever verdade sem outra mistura", para o que faz concorrer toda a gama de documentos possível, desde narrativas a documentos oficiais, confrontando-os entre si para assegurar a veracidade dos registos existentes: "Oh com quanto cuidado e diligência vimos grandes volumes de livros, de desvairadas linguagens e terras, e isso mesmo púbricas escrituras de muitos cartários e outros lugares (...). Nem entendais que certificamos cousa, salvo de muitos aprovada, e per escrituras vestidas de fé [...]".

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    Rafael Bonfim25/11/2018Resenhou um livro
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    A importância do historiador...

    Na Idade Média o acesso à leitura era reservado só para alguns, geralmente religiosos ou nobres e mesmo nestes grupos uma grande maioria não sabia ler nem escrever. É nas escolas dos mosteiros e nas escolas palacianas que alguns tem acesso ao mundo secreto das letras mas eram uma minoria pois o analfabetismo grassava na população. As influências clássicas estavam guardadas nos mosteiros ou bibliotecas reais, sob a forma de livros ou obras de arte e sofrendo adaptações, mutilações ou desmembramentos foram passadas para a Idade Média. Cremos que Fernão Lopes terá tido acesso se não a todas pelo menos á maior parte destas obras e foi por isso escolhido como exemplo de Cronista. Portugal estava atento ao que era produzido na Europa na época e especificamente, em Castela, disso resulta a “cronica Geral de Espanha, de 1344”, uma adaptação em língua portuguesa e com acrescentos específicos da história de Portugal, da “Cronica Geral de Espanha” que o rei Afonso X, o Sábio, mandou fazer no séc. XIII. Utilizando a parte de História comum aos diferentes reinos peninsulares foi acrescentado e alterado o que dizia respeito, especificamente á história de Portugal. O nosso autor teve também acesso a várias traduções, do final de séc. XIV e XV de obras de diversas origens. É neste ambiente de uma corte cultivada e apta para as Letras que se insere Fernão Lopes, contemporâneo da Dinastia de Avis. Fernão Lopes foi fiel depositário de todo este saber, reunido e depurado durante séculos. De facto, nem sempre se dá à sua hedonística o seu real valor, acusando-a de posições tendenciosas, serviços encomendados, realidades adaptadas para o que se quer guardar para a posteridade, mas é sempre é possível fazer uma aproximação ao real, com a certeza de uma fonte quase sempre coeva. 172 Julieta Araújo Esteves. Fontes de “saber” nas crônicas medievais: Fernão Lopes Nascido cerca de 1380 (SERRÃO, 1972, p. 41)2 , coevo dos primeiros monarcas da dinastia de Avis e testemunha directa da maioria dos seus principais momentos. Fernão Lopes foi tabelião geral e desempenhou funções de relevo junto dos reis pelo que conhecia muito bem a documentação oficial Incumbido por D. João I·, ele próprio autor do Livro da Montaria , eventualmente a partir de 1431 ·, de escrever as crónicas de todos os reis desde o conde D. Henrique, inclusive, só chegaram até nós as crónicas de D. Pedro I e D. Fernando e parte da crónica de D. João I Refere Veríssimo Serrão( que esta incumbência de escrever as crónicas foi confirmada por D. Duarte em carta régia de 19 de Março de 1434, ano em que Fernão Lopes se torna guarda da Torre do Tombo. A partir de 1451, foi substituído por Gomes Eanes de Azurara, vindo a falecer em 1459·. Homem da sua época, Fernão Lopes não tem conceito de plágio, nem grandes preocupações de especificar autoria. Assim a sua obra é um deposito da obra da vários outros autores e dos seus próprios conhecimentos sem muitas vezes indicar o que foi buscar e a onde. Consciente disso ele apresenta-se como um compilador mais do que um historiador. Mas isso significa que não se preocupa com as fontes? Não, muito pelo contrário, Fernão Lopes tem uma grande preocupação com as fontes, muitas vezes por ele criticadas de forma contundente, apenas há aquelas que usa, sem especificar e outras que conscientemente procura salientar. Talvez por isso Teresa Amado refira que nenhum outro cronista foi simultaneamente tão historiados e tão narrador. Há assim um esforço métodologico em Fernão Lopes de Critica Histórica. Fernão Lopes segue a nova corrente humanista, pois com o renascimento regressam à tradição crítica dos historiadores clássicos. Defende-se o regresso ás fontes a o a análise filológica dos textos, e daí resultar a noção de anacronismo. A História não deixou de ser fonte de exemplo moral, mas os historiadores do renascimento revelam uma atitude racional e preocupam-se com o valor das suas fontes. Procuram excluir o maravilhoso e substituem o propósito da edificação pelo da formação politica. Valorizando mais as lições politicas que julgam poder tirar dos documentos que os factos em si mesmos. Regressando a Fernão Lopes, continua a impressionar a simplicidade com que refere que, “se alguém procura na sua obra beleza e novidades de palavras, que vai ficar decepcionado, pois o que ele procura revelar é a simples verdade”. A sua visão dos acontecimento é exposta de uma forma tão vivencial que parece procurar transportar o A sua descrição dos grandes nobres e da população em geral é rica em pormenores, demonstrando um apurado sentido de observação. Não só dá uma visão dos locais em que decorrem os acontecimentos, como procura até fazer os retratos psicológicos dos intervenientes, sejam individuais ou colectivos. O tipo de fontes utilizado para esta parte, parece ser essencialmente testemunhos orais e é de salientar que, no meio de toda a movimentação política e social que nos descreve, não deixa de aparecer várias vezes referida a desconfiança e o receio que havia face ao poderoso vizinho castelhano. Tentando ser fiel ao desejo de relatar a verdade faz, por vezes, críticas aos principais nobres do reino, quando tomam atitudes que o cronista considera pouco louváveis (SERRÃO, 1962, p. 54). Ao longo dos trabalhos demonstra a sua cultura clássica e como refere P.E. Russel é comum a referencia a “Aristoteles, Tito Livio, Cicero, Eusébio, Ovídio, Beda, Santo Agostinho” (RUSSEL, 1941, p.06). Tal também é referido por Teresa Amado que sobre esta cronica nota o uso constante da Crónica do Condestabre de Ayala, que não entrando pela questão da autoria foi sem dúvida a principal fonte e por isso é lhe por vezes atribuída (AMADO, 1991, p.72) . Realmente a produção historiográfica de Fernão Lopes é vasta e conforme a obra e o capitulo é possivel encontar uma ou outra fonte principal, da qual o Cronista “se apropria , seguindo-a práticamente na integra” A obra foi escrita e composta entre 1440 e 1450, foi impressa pela primeira vez em Lisboa, em 1735, por José Pereira Baião. Fontes utilizadas: Fernão Lopes vai usar de sua experiência política, testemunhos, obras políticas, pergaminhos de velhos cartórios, epitáfios e memórias. Os materiais que esta crônica aproveitou, atestam a escassez de fontes de que o autor dispunha relativamente ao reinado de D. Pedro e, por consequência, a habilidade do historiador na organização de fragmentos documentais diversos, que vão desde as histórias semi lendárias que se avolumaram em torno da concepção de justiça do soberano, até aos livros de chancelaria régia, atas, cartas, e até alguns períodos de Pero López de Ayala na Crónica del Rey Don Pedro. Qual estilo: Prosa historiográfica humanista. Fernão Lopes também usará de linguagem coloquial (aproximando o leitor dos fatos narrados), linguagem visual (para o leitor “ver” os acontecimentos) e a linguagem dinâmica (deixando o leitor dentro do desenrolar das ações dinâmicas do texto) Sinopse: A Crônica do reinado de D. Pedro, escrita por Fernão Lopes, constitui a primeira das três grandes crónicas do primeiro cronista régio. A crônica inicia-se com o retrato do rei, descrevendo os seus gostos particulares, como a caça, e centrando-se no seu zelo, por vezes, excessivo, na execução da justiça. A narração detém-se com mais demora no relato da vingança e glorificação de Inês de Castro, lembrando o cronista que o rei, ao punir os algozes que jurara perdoar diante de seu pai, perdeu muito da boa fama de que gozava junto do povo. Já nesta crônica, o povo surge como personagem coletiva que, na transmissão de histórias que ilustram o comportamento do rei, julga a ação governativa do soberano. Ao mesmo tempo, uma outra linha de leitura prepara o triunfo posterior de D. João I, como, por exemplo, no sonho em que D. Pedro auspicia que o seu filho D. João realizaria grandes feitos. PERSONAGENS IMPORTANTES Dom Afonso IV; Dom Pedro I; Dom Pedro de Castela; Dom João I; Dom Fernando; Inês de Castro; El-rei de Aragão. USO PEDAGÓGICO EM SALA DE AULA: Utilização de imagens demonstrando como era o período naquela época para realmente os alunos se sentirem imersos ao estudo, como fosse em um mundo novo, assim, fazendo-os se encantar pela história. A dificuldade que alguns desenvolvem no ensino da história, é por acharem “chata” qual algumas vezes acaba sendo pela não utilização dos meios didáticos possíveis. ficha de personagens, criação de personagens e história em quadrinho, em trios. Durante as aulas mostrar no projetor, partes das falas de Fernão, comentando as palavras do tempo Introduzindo o Humanismo com as histórias de Fernão Mostrar como era a profissão da época PORQUE DEVEMOS LER: Pelo que vimos até aqui, é inegável a importância da figura do historiador ao longo de diversas facetas da humanidade. Sem ele, muito do que existe se perderia. Devemos ler essa obra, com os olhos da importância do papel do historiador, de alguém que colhe dados para que possa escrever biografias e afins. Não seria de se espantar, que a figura de Fernão Lopes seja tão importante no período do humanismo na literatura portuguesa, pois sem seu trabalho, não haveriam relatos relacionados a figura de grandes reis.

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