Filosoficamente suspeita por seu caráter material, moralmente culpada em virtude de seu brilho sedutor, a cor há muito tempo foi julgada esteticamente perigosa:fonte de prazer e de uma beleza não imediatamente ajustada â Verdade e ao Bem. Este é um dos aspectos do conflito que a razão mantém com as formas sensíveis do universo, e o que faz com que a pintura seja um risco para toda forma de harmonia do saber, para toda ordem definida pela teoria: o discurso que faz dela mesma a experiência de sua própria influência. Investigando este antigo conflito, A cor eloqüente inicialmente encontra o pensamento platônico que condena a cor da pintura e a eloqüência do orador, associando definitivamente palavra e imagem - não há palavras sobre o quadro, mas sobre o olhar daquele que o observa. A cor é o sensível na, ou melhor, da pintura, componente irredutível da representação que escapa à hegemonia da linguagem, expressividade pura de um visível silencioso que constitui a imagem enquanto tal. A impotência das palavras em dizer a cor e as emoções que ela suscita, esse lugar comum de todos os discursos sobre a pintura, traduz uma desorganização fundamental diante de uma realidade sensível que confunde os procedimentos habituais da linguagem. Esta maravilhosa obra, ricamente ilustrada, é um fascinante estudo da arte, da cor e seu poder de persuasão e encantamento.
A cor eloqüente -
Jacqueline Lichtenstein
Siciliano
1994
252 páginas
8h 24m
ISBN-10: 852670608X
Português Brasileiro
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