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    Chagas da Condenação -

    Victor F. Miranda

    -
    2012
    168 páginas
    5h 36m
    ISBN-10: B00LLJ6VLG
    Português Brasileiro
    3.9
    19 avaliações
    Leram23Lendo2Querem23Relendo0Abandonos1Resenhas3
    Favoritos2Desejados23Avaliaram19

    Nenhum carioca esperava que zumbis truculentos invadissem seus lares naquela madrugada de quarta-feira. Os que sobreviveram não imaginavam que lugares considerados como refúgios eram na verdade tocas de vampiros sedentos por sangue. E boa parte dos que ainda assim conseguiram fugir não esperavam que fossem farejados por ferozes lobisomens. Em um ambiente pós-apocalíptico na sua forma mais extrema, é introduzido o sarcástico Bento Batista, um homem aparentemente desequilibrado que se diverte com o rumo que a história tomou, tendo poucas preocupações no seu dia-a-dia, como o “amor” de sua vida, jogar vídeo-game e conseguir uma das maiores raridades daqueles tempos: uma jovem atraente. Mas o destino impõe barreiras para que ele não consiga viver da maneira que tanto deseja, forçando-lhe a se unir com as criaturas mais malignas, desprezíveis e patéticas de todo aquele inferno, segundo a sua própria concepção: outros seres humanos. Em uma narrativa bem-humorada com um desenvolvimento pouco convencional para o tema, Chagas da Condenação mostra de maneiras simples o quão importantes são os pequenos momentos da vida, mesmo se você tem de conviver diariamente em um Rio de Janeiro devastado com criaturas do inferno que querem matar você. E o Rio de Janeiro continua lindo.

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    Resenhas (3)Ver mais
    Clara Gianni picture
    Clara Gianni15/03/2013Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Epopéia Estilizada

    Quando recebi pelo correio meu exemplar de Chagas da Condenação, fora uma grata surpresa. Porque estamos tão acostumados com apocalipses zumbis nos malfadados EUA. E nos esquecemos de que se acontecer, acontece no mundo inteiro. É, incluindo o Brasil. É, incluindo o Rio de Janeiro, que segundo as palavras do autor, Victor F. Miranda, “continua lindo”. E não me decepcionei. A estória consegue manter-se verossímil e palpável até o final. Tudo isso sem deixar de lado o humor negro. De início – principalmente o auge de Resident Evil – os zumbis foram tratados como uma praga nojenta que decididamente tínhamos de matar (porque ver um crânio zumbi se espatifar é muito divertido, diz aí). Depois de algum tempo, veio a HQ de The Walking Dead, que desencadeou a enxurrada de enredos com base no apocalipse zumbi. Mas foi a partir daí que a coisa toda ganhou novas proporções: os zumbis e a ação já não foram mais encarados como mero divertimento para as horas vagas. Porque o lado sentimental e psicológico se sobrepôs a tudo isso – afinal de contas, aquele morto vivo já fora um humano como nós um dia, não? Junte isso ao novo jogo do PS3, The Last of Us, e ao novo filme “Meu Namorado é Um Zumbi”. É quase uma tentativa de absolvê-los de sua sina! Pois Chagas da Condenação joga tudo isso por terra e resgata a velha maneira de lidar com essas criaturas asquerosas: á força. A trama toda se predispõe a deixar de lado o sentimentalismo e drama esperados em um mundo pós-apocalíptico, centrando-se, ao invés disso, em Bento Batista, um anti-herói nato. Disposto a encarar toda a situação de sobrevivência como um simples entretenimento, Bento isola-se de outros seres humanos e procura viver a vida – ou o que restou dela – de jeitos bastante peculiares, o que inclui comentários ácidos a respeito de qualquer coisa, umas bebidas no bar do Zé, e transas raras com as últimas garotas que restaram na Terra. Mas como em toda situação limite, as coisas não saem exatamente do jeito que ele planeja, e o rapaz se vê envolvido em missões de resgate e trabalho grupal – e o pior de tudo: uma nova paixão. Comecei a ler Chagas da Condenação e não terminei até ter lido a última página. Porque simplesmente é uma estória que prende. Isso se deve justamente ao fato de um assunto tão pesado e sombrio, como um apocalipse, ser tratado de forma irreverente e engraçada. Sou sincera em dizer que não pude deixar de rir com as piadas azedas e sem sentido de Bento, e com os personagens inusitados que encontra pelo caminho. O mais interessante da estória é que esta parece seguir seu próprio curso. Nunca se sabe o que pode acontecer quando se vira a página, e a única certeza que tive o livro inteiro foi a de que Bento se safaria de uma forma ou de outra. Aliás, a personalidade de Bento é algo interessante. O típico carrancudo que tem medo das próprias emoções, escondendo-as por baixo de uma armadura construída por ele mesmo. Foi interessante perceber seu desenvolvimento com o decorrer da trama, aliando-se a novos sobreviventes e, por incrível que pareça, estabelecendo laços com eles. É válido dizer para os que têm pouco estômago: é humor negro, e dos fortes, com direito a palavras de baixo calão. Então se alguma forma o leitor se sentir ofendido por este tipo de linguagem, recomendo que nem tente ler o livro. A leitura é bastante dinâmica, sem prender-se em pontos desnecessários e progredindo com fluidez, com uma boa e detalhada descrição. O final é surpreendente, justamente por percebermos de forma clara o desenvolvimento de Bento até atingir seu clímax completo e culminar em um final não menos épico, com direito a discurso heroico e uma piadinha infame na última página. O único defeito do livro inteiro foi ter sido tão curto: uma estória dessas definitivamente merecia uma continuação.

    1 curtida

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    3.9 / 19
    • 5 estrelas32%
    • 4 estrelas42%
    • 3 estrelas21%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas5%
    Victor F. Miranda profile picture

    Victor F. Miranda

    VICTOR F. MIRANDA nasceu em 1991, no subúrbio do Rio de Janeiro. Aos 24 anos, escreveu o romance policial Contraversão, que foi finalista no Prêmio Rio de Literatura. Escreve suspense, terror e literatura policial, inspirado na realidade de onde vive e em autores como Rubem Fonseca, Stephen King, Chuck Palahniuk e Gillian Flynn. Atualmente trabalha como professor de inglês.

    10 Livros
    5 Seguidores
    Rio de Janeiro, Brasil

    Victor F. Miranda