De forma romanceada - o autor explica o porque deste formato no texto abaixo - Roberto Ampuero, consagrado escritor Chileno, retrata, em Nossos Anos Verde Oliva, sua trajetória como exilado em Cuba, após sua fuga do golpe militar em seu país.
Participante do movimento estudantil em Santiago, Roberto militou em organizações socialistas que acreditavam na resistência armada até a morte.
Depois de encarar um confronto com as forças militares na sua universidade, Roberto acaba refugiando-se na Alemanha Oriental, país onde conhece a cubana Margarida, filha do General Ulises Cienfuegos, que conforme a descrição de um personagem originário de Havana :
Foi guerrilheiro e fiscal da República ...- Um homem temido e odiado, agora embaixador nosso em Moscou. De olhos de aço e cabelo grisalho, um vozeirão impressionante e uma vontade implacável, era a pessoa que os contrarrevolucionários mais odiavam, pois, após o triunfo do exército rebelde, na sua qualidade de fiscal da República, mandou ao paredão centenas de opositores
Ou seja, Roberto acaba se apaixonando pela filha única de um dos homens mais temidos de Cuba. Um agente com plenos poderes para tratar todos aqueles identificados como inimigos da revolução.
Depois de um cena rocambolesca, que envolve a tentativa do casal em escapar para o Ocidente, Roberto e Margarita acabam mudando-se para Havana onde iniciam uma nova vida sob os auspícios das benesses oferecidas apenas ao funcionários e burocratas da [*****]pula do regime igualitário.
Porém ali, no país onde, para os sonhadores revolucionários latinos o socialismo tinha triunfado e a almejada sociedade justa tinha desabrochado, Roberto, pouco a pouco, vai conhecendo o lamentável e aterrorizante cotidiano do povo cubano.
Vendo de perto a falta de alimentos, as filas intermináveis para conseguir elementos domésticos básicos (higiene, limpeza, mantimentos, etc), a manipulação ideológica,a enganosa propaganda de massa, a perseguição política, a censura, os desaparecimentos, a vigilância opressora, Ampuero, mergulha cada vez mais seu intelecto na solidão, na insegurança e em conflitos ideológicos, éticos e humanos.
Nesta realidade, o jovem acaba vivenciando em redemoinho de situações que vão desde a humilhação emocional, profissional e política até momentos de fervor ideológico, momentos de acreditar passando por situações absolutamente kafkanianas até tudo desembocar na mais absoluta decepção e descrença com a utopia socialista.
Nossos anos Verde Oliva é um livro esclarecedor, corajoso, necessário.
Hoje quando vemos o que aconteceu com a aqui no Brasil (vergonha total), e quando vemos nossos revolucionários tupiniquins ainda a serviço de um regime arcaico sob o qual nenhum deles jamais moraria, papagaiando escrotidões socialistas (assustadoramente sem a mínima reflexão crítica) e ferozmente perseguindo e acusando - todos aqueles que não concordam com a podridão da política cubana (e outras do gênero) num belo exemplo de democracia- , o livro do Roberto surge como um oásis a contrapor toda e qualquer ditadura (seja de direita ou esquerda).