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    Poesia reunida (Coleção: Ás de colete) - [1969-1996]

    Orides Fontela

    Cosac Naify
    2006
    376 páginas
    12h 32m
    ISBN-10: 8575034782
    Português Brasileiro
    4.2
    121 avaliações
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    Orides Fontela (1940-98) foi autora de poemas que ficaram para a história da literatura brasileira do século XX. Sua obra é de um refinamento impressionante e acabou cativando críticos como Antonio Candido, Davi Arrigucci, José Miguel Wisnik e muitos outros. Segundo Antonio Candido, em seus poemas "se encontram a quintessência das melhores linhagens modernas e a capacidade de lhes imprimir um cunho pessoal inconfundível". Em Poesia reunida [1969-1996], a obra de Orides, há tempos fora das estantes mas sem nunca ter deixado de circular, reaparece pela primeira vez completa e com uma bibliografia atualizada. Neste volume estão reunidos os livros Transposição (1969), Helianto (1973), Alba (1983), Rosácea (1986) e Teia (1996).

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    Arsenio Meira30/09/2015Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    ORIDES

    Orides: motor do simples amor. Sua poesia falou-me de coisas que permanecem serenas e tranqüilas, não como idéia de armazenamento, porque não existe nem perdão nesse jogo, uma vez que não tem desculpa até mesmo porque não há culpa de nada. Disse-me como em carta, em retalho de “gatha”, seu pseudônimo budista: "o vento, a chuva, o Sol, o frio tudo vai e vem, tudo vem e vai. Tenho a ilusão de estar sonhando. Tenho o manto de Buda, que é nenhum." Tudo que é adorável provoca encanto e espanto. Sempre atenta, serena e tranqüila para receber água, caminho, amor, luz fria e lágrimas. Tomar, com água de chuva, um banho para lavar todos os vestígios de ontem. Como em carta, os poemas de Orides são um convite para a “ceia” e a “partilha”, em sinfonia silenciosa e fraturada. O homem contemporâneo, ao mesmo tempo que se fecha, menos se conhece, pois a alienação de seu modo de viver, tira dele a reflexão, o simples. Então, Orides alerta em silêncio para o trabalho de si, ela não apela, ela desperta abre oportunidades a partir da dor, da vida. Cada palavra ecoa por sua poesia, ela não cabe em si: transborda sentido e significado. A vida é assim compassada na tensão. A imagem dessa tensão em Orides é o próprio sangue, a cor que permite pensar o olhar, o próprio acontecer humano, como estender uma placa de aviso etérea dentro do espelho: "É importante vigiar/ o desabrochar do destino. - (p. 196)" O estranhamento é sempre, e é constante sua volta. Ressoa por dentro em busca de uma resposta que está sempre por se fazer. Na espera voluntária do outro, não há busca. Vive a certeza de um acolhimento que está por se fazer à distância. É trabalhando nesse limiar, nessa impossibilidade de viver, que de alguma forma as pessoas vivem. Orides viveu agitando um gênio irascível, e em extrema pobreza - por opção própria - quase sempre sob a assistência psiquiátrica, que ocorria tanto em manicômios como em asilos e hospitais psiquiátricos. Na busca da compreensão do equilíbrio entre loucura e razão, a saída possível seria desenvolver um pensamento sustentado pela mudança, na arte. A poesia de Orides Fontela parte deste pressuposto: o tempo sem medida diz da própria definição de tempo. É importante instaurar, se possível, um não tempo que, através do movimento brincante, desconstrói algo para aboli-lo, assim como é necessário mudar a mentalidade, “desamar os frutos” e “desviver o tempo”. Eis uma poeta que marca a alma da gente, a ferro e fogo. Em silêncio e de modo peremptório. Orides Fontela morreu num sanatório em Campos de Jordão em 2 de novembro de 1998.

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    Orides de Lourdes Teixeira Fontela  profile picture

    Orides de Lourdes Teixeira Fontela

    Orides de Lourdes Teixeira Fontela nasceu em São João da Boa Vista, interior de São Paulo, em 21 de abril de 1940. Começou a escrever poemas aos sete anos de idade. Como ela mesma dizia, sua família "não tinha base cultural, meu pai era operário analfabeto, de modo que a cultura que peguei foi na base do ginásio, escola normal e leitura". Aos 27 anos, deixou sua cidade natal e veio morar em São Paulo, com dois sonhos na cabeça: entrar na USP e publicar um livro. Cumpriu os dois: fez Filosofia e publicou seu primeiro livro, Transposição , com a ajuda do professor Davi Arrigucci Jr., seu conterrâneo. Depois de formada, foi professora do primário e bibliotecária em escolas da rede estadual de ensino. Publicou ainda Helianto (1973), Alba (1983), Rosácea (1986), Trevo 1969-1988 (1988) e Teia (1996). Com Alba , recebeu o prêmio Jabuti de Poesia, em 1983; e com Teia , recebeu o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte, em 1996. Sempre com dificuldades financeiras, no final da vida, acabou sendo despejada de seu apartamento no centro da cidade e foi viver com sua amiga Gerda na Casa do Estudante, um velho prédio na Avenida São João. Era uma pessoa irritadiça e muitas vezes se meteu em encrencas, brigando com seus melhores amigos. Morreu em Campos de Jordão, aos 58 anos, no dia 4 de novembro de 1998, de insuficiência cardiopulmonar, na Fundação Sanatório São Paulo.

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    São Paulo, Brasil

    Orides de Lourdes Teixeira Fontela