Sobre o autor: Nicolau Machiavel (Niccolò Machiavelli) (03/05/1496-22/06/1527) nasceu em Florença – Itália. Foi nomeado chanceler, depois secretário dos dez magistrados da liberdade e da paz, durante 14 anos. Em 1505 concebeu o projeto de milícia nacional para substituir as tropas mercenárias na república Florentina. Com a reintegração dos Médice no governo de Florença, foi exilado, preso e torturado como suspeito de eliminar o cardeal Giovanni de Médice, sendo depois anistiado por Leão X. No exílio, escreveu muito dos seus livros. Voltando as graças dos Médici, conseguiu novos cargos. Livros: O Príncipe (1513 - provavelmente o livro mais conhecido, publicado postumamente em 1532); Os Discursos sobre a Primeira Década de Tito Lívio; A Arte da Guerra.
Sobre o livro: Escrito provavelmente entre julho e dezembro/1513. Como os prejudicados sendo minoria na população do Estado, e dispersos e reduzidos a pobreza, não poderão causar dano ao príncipe, e os outros que não foram prejudicados deverão por isso aquietar-se por medo de que lhes aconteça o mesmo. A injúria que se faz deve ser tal, que não se tema a vingança. Alexandre Magno ficou, em poucos anos, senhor da Ásia, e morreu logo depois de ocupar aqueles estados. Quem se torna senhor de uma cidade tradicionalmente livre e não a destrói, será destruído por ela. Assim, para conservar uma república conquistada, o caminho mais seguro é destruí-la ou habitá-la pessoalmente. As injúrias devem ser feitas todas de uma vez, a fim de que, tomando-se lhe menos o gosto, ofendam menos. E os benefícios devem ser realizados pouco a pouco, para que sejam mais bem saboreados. Um homem que quiser fazer profissão de bondade, é natural que se arruíne entre tantos que são maus. Assim, é necessário a um príncipe, para se manter, que aprenda a poder ser mau e que se valha ou deixe de valer-se disso segundo a necessidade. Um príncipe deve gastar pouco para não ser obrigado a roubar seus súditos. Gastar o que é de outrem não rebaixa, pelo contrário, eleva a reputação. Gastar o que é seu mesmo, isso sim, é nocivo. O homem esquece mais depressa a morte do pai do que a perda de seu patrimônio. Um príncipe prudente não pode nem deve guardar a palavra dada quando isso se lhe torne prejudicial e quando as causas que o determinaram cessem de existir. Alexandre, o Grande (356-323 a. C.) – Rei da Macedônia, estendeu pela Ásia o seu império. Aquiles – herói da mitologia grega. Filho de Peleu e Tétis, participou da guerra de Tróia. Carlos VII (1422-1461) – Rei da Franca. Pôs termo a Guerra dos Cem anos, libertando a França da Inglaterra. César Borgia – Duque de Valentinois. Era considerado cruel, e , contudo sua crueldade havia reerguido a Romanha e conseguido uni-la. (1475-1507) – Filho de Alexandre VI. Feito Rei de França, duque de Valentinois. Inspirou terror a todos. Rodeado de grande número de inimigos, livrados deles com grande audácia e arte infernal. Ciro (599 a. C.) – fundador da monarquia Persa. Dario I (521-486 a. C.) – rei da Pérsia. Submeteu a Trácia e a Macedônia. Davi – rei de Israel. Fernando o católico – rei de Espanha (1469-1516). Filipe – rei da Macedônia, pai de Alexandre, o Grande. Ramiro de Orcao – mordomo de César Bórgia, foi por este último feito governador da Romanha (1501), juntamente com Giovanni Olivieri.