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    Carcereiros -

    Drauzio Varella

    Companhia das Letras
    2012
    232 páginas
    7h 44m
    ISBN-13: 9788535921694
    Português Brasileiro
    4.3
    3847 avaliações
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    Depois do best-seller Estação Carandiru, Drauzio Varella volta ao universo das prisões para mostrar ao leitor o outro lado da moeda: o cotidiano dos agentes carcerários. Livro que inspirou a série da Rede Globo. Em Estação Carandiru, que desde 1999 teve mais de 500 mil exemplares vendidos, Drauzio Varella focou seu corajoso relato na população carcerária de um dos presídios mais violentos do Brasil. Mas os vinte e três anos atuando em presídios brasileiros como médico voluntário também o aproximaram do outro lado da moeda: as centenas de agentes penitenciários que, trabalhando sob condições rigorosas e muitas vezes colocando a vida em risco, administram essa população. Foi com um grupo desses agentes que Drauzio passou a se reunir depois das longas jornadas de trabalho, em um botequim de frente para o Carandiru. E essa convivência pôs o autor em contato com os relatos narrados em Carcereiros, segundo volume da trilogia iniciada por Estação Carandiru - o terceiro livro, Prisioneiras, terá como ponto de partida o trabalho do médico na Penitenciária Feminina da Capital. Acompanhamos, assim, uma rebelião pelos olhos de quem tenta contê-la. A descoberta de que um colega está do lado dos bandidos. Um momento de solidariedade, outro de egoísmo. Um ato heroico e outro de covardia. Entramos em contato com o cotidiano dos carcereiros e as situações desconcertantes impostas pelo ofício, que eles resolvem com jogo de cintura e, não raramente, com humor. O que emerge é um retrato franco de um mundo totalmente desconhecido para quem está de fora, que também inspirou a série homônima exibida pela Rede Globo em 2018. Drauzio fala também de sua própria atividade como médico do sistema penitenciário: das frustrações, dos acertos e, sobretudo, da dificuldade em conciliar uma vida tão imersa nesta realidade com a de médico particular, apresentador de programas de divulgação científica, pesquisador de plantas, escritor e pai de família. Se há algo de comum a essas vidas - carcereiros, médico, detentos -, é a dimensão humana que nunca escapa aos relatos do autor.

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    Alexandre Figueiredo picture
    Alexandre Figueiredo20/07/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Os cadeados invisíveis

    A privação da liberdade é uma punição infernal e exclusivamente humana. Negar a alguém um direito que nasce conosco é a forma mais desumana que os homens encontraram para criar seu próprio purgatório. Em "Carcereiros", segundo livro da trilogia do cárcere de Drauzio Varella, os leitores conhecem outro tipo de prisão. Conhecem uma prisão simbólica, trancada por cadeados invisíveis. Os carcereiros das prisões brasileiras são funcionários públicos do baixíssimo escalão. Diferentemente dos engravatados do sistema judiciário, esses homens carregam a difícil missão de vigiar e controlar assaltantes, assassinos, traficantes e estupradores por salários módicos, alimentados pela necessidade, atormentados pelo medo. São eles que precisam ter, todos os dias, a temperança necessária para lidar com os párias sociais que todos nós preferimos esquecer. E depois desse desafio, tentar voltar à mundana rotina de suas casas. O que Drauzio tenta fazer aqui é mostrar um pouco da coragem desses homens através das histórias coletadas ao longo dos encontros com esses profissionais, que ele tem orgulho em chamar de amigos. Homens simples, imperfeitos e demasiadamente humanos, mesmo convivendo tanto tempo com as piores cenas que a violência pode proporcionar. Homens que precisam de mais de um trabalho para não cair na desgraça da corrupção que infesta desde sempre as cadeias, sendo esse apenas um reflexo da própria sociedade. Homens que não negam os atos moralmente questionáveis que cometeram, afinal, não eram exatamente escolhas. São histórias que precisavam ser compartilhadas. E sorte nossa que foram pelas mãos de Drauzio, um humanista brasileiro como poucos que merecem tal reconhecimento. A leitura de "Carcereiros", além de obviamente ser um contraponto à "Estação Carandiru", traz mais do homem e um pouco menos do médico no texto. Aqui temos um Drauzio Varella questionador e muito mais reflexivo e pessoal que no primeiro livro, um ponto interessantíssimo para os leitores. Leia Drauzio. Leia sobre a desumanidade de estar e conviver com o cárcere. Mas não espere respostas, nem as simples e muito menos as complexas. Como todo bom livro, ele vai entregar perguntas. E isso basta.

    113 curtidas

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    • 2 estrelas2%
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    Drauzio Varella

    Drauzio Varella é médico oncologista, formado pela USP. Nasceu em São Paulo, em 1943. Foi um dos fundadores do Curso Objetivo, onde lecionou química durante muitos anos. No início dos anos 1970, trabalhou com o professor Vicente Amato Neto, na área de moléstias infecciosas do Hospital do Servidor Público de São Paulo. Durante 20 anos, dirigiu o serviço de Imunologia do Hospital do Câncer (SP) e, de 1990 a 1992, o serviço de Câncer no Hospital do Ipiranga, na época pertencente ao INAMPS. Foi um dos pioneiros no tratamento da AIDS, especialmente do sarcoma de Kaposi, no Brasil. Em 1986, sob a orientação do jornalista Fernando Vieira de Melo, iniciou campanhas que visavam ao esclarecimento da população sobre a prevenção à AIDS, primeiro pela rádio Jovem Pan AM e depois pela 89 FM de São Paulo. Na Rede Globo, participou das séries sobre o corpo humano, primeiros socorros, gravidez, combate ao tabagismo, planejamento familiar, transplantes e diversas outras, exibidas no Fantástico. Em 1989, iniciou um trabalho de pesquisa sobre a prevalência do vírus HIV na população carcerária da Casa de Detenção do Carandiru. Desse ano, até a desativação do presídio, em setembro de 2002, trabalhou como médico voluntário. Atualmente, faz o mesmo trabalho na Penitenciária Feminina de São Paulo. Na Amazônia, região do baixo rio Negro, dirige um projeto de bioprospecção de plantas brasileiras com o intuito de obter extratos para testá-los experimentalmente em células tumorais malignas e bactérias resistentes aos antibióticos. Esse projeto, apoiado pela FAPESP, é realizado nos laboratórios da UNIP (Universidade Paulista) em colaboração com o Hospital Sírio-Libanês.

    34 Livros
    537 Seguidores
    São Paulo, Brasil

    Drauzio Varella