Polêmicas contemporâneas -

    vários

    Lazuli
    2004
    110 páginas
    3h 40m
    ISBN-10: 858905232X
    Português Brasileiro

    Clonagem, transgênicos, políticas de cotas, união civil de pessoas do mesmo sexo, beleza fabricada, a maternidade e o trabalho. Assuntos que suscitam polêmica e controvérsia na atualidade, em diversos campos do conhecimento, são debatidos por autores como Jorge Forbes, Giulia Crippa, Oswaldo Saldanha, Mayana Zatz, Sandra Unbenhaum, Maria Odete Salles, Renato Janine Ribeiro e Helio Santos. Como aponta o professor de ética e política Roberto Romano no prefácio à edição, “este livro apresenta um painel de opiniões e raciocínios diversos” no qual “temas comuns são tratados com agudeza e finura e não se enquadram na forma do juízo que força a ideologia da identidade”.

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    João Paulo Hoppe picture
    João Paulo Hoppe31/12/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Mais um livro da "coleção e", uma coletânea de ensaios publicados na Revista E do SESC-SP. Agora, assuntos polêmicos contemporâneos são a temática. Na minha opinião, as seções de "maternidade e trabalho" e "beleza fabricada" são mais fracas. Elas expõem os problemas, com certeza, mas parece que todos dizem invariavelmente a mesma declaração, sem desenvolver muito a partir daí. No entanto, entendo que o espaço é curto para desenvolver uma temática certamente difícil. Para "transgênicos" e "união civil de pessoas do mesmo sexo", a discussão fica melhor. Enquanto a união homoafetiva é polêmica apenas por um legado de conservação de tradições, muito claro pela exposição dos juristas convidados, a questão em cima dos transgênicos remonta basicamente a um desconhecimento das questões científicas. Um dos autores chega mesmo a mencionar Osvaldo Cruz e a Revolta da Vacina. O que antes era algo difícil de imaginar, hoje é revivido em tempos de COVID-19, e políticos torpes que colocam ideologia à frente de tudo. As seções mais fortes do livro são "cotas sociais" e "clonagem". Para discutir o uso de terapias envolvendo células embrionárias e células-tronco foram chamadas uma cientista, Mayana Zatz (autora do excelente "GenÉtica"), e um padre. Honestamente, a defesa "pró-vida" apresentada pelo clérigo parece um caso egrégio de ladeira escorregadia, forçando uma definição de "vida" no processo então recém-criado por um grupo de cientistas sul-coreanos. Na parte de "cotas", muitos discutiram a questão das cotas raciais, e todos foram unânimes em sua conclusão final de que não são desejáveis, que o ideal seriam cotas sociais. Os argumentos são sedutores, mas confesso que não consigo ver essa conclusão de que "atacar o problema social resolve os demais problemas de minorias", quando vejo fotos e fotos de turmas de formados, especialmente nas áreas "privilegiadas" (e.g., Direito, Medicina, Engenharias), e vejo quase que na sua totalidade apenas rostos brancos. Os ensaios possuem quase 20 anos, e cotas sociais e raciais foram implementadas no ensino superior a tempo. Ainda assim, vejo essa disparidade. Imagino que parte da diferença foi resolvida, mas os abismos entre classes no Brasil ainda são profundos. É preciso mais.

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