Normando escreve sobre a cidade do Recife, "cidade palafita", como a define. Faz a crítica da cidade se debruçando sobre seus interstícios, revelando o que esta cidade tem de horror e poesia. Trata mais especificamente das apropriações astuciosas, da sobrevivência e da luta dos desterrados, desabrigados de políticas públicas eficientes. Daqueles chamados por Zygmunt Bauman de "lixo humano", o excesso humano, a sobra, a parte indesejada do mundo capitalista. Trata da relação dos homens e das instituições estatais com o espaço, e o modo desigual da sua distribuição e acesso. Tema tão antigo quanto contemporâneo, e ainda urgente, de qualquer cidade de grande ou médio porte. Em Recife, uma realidade que desaba diante dos nossos olhos a cada inverno, a cada ano que se passa sem um plano humanizador do espaço; este que não é apenas ocupado, mas vivido, habitado. E este trabalho, no meu entender, inaugura um modo diferente de olhar, pensar a cidade. A partir da emergência de hortas e agricultores nos interstícios do "Contorno do Recife", na órbita da CEASA, Normando nos revela as astúcias subreptícias dos homens, que metaforicamente, ou seria literalmente, vivem em "situação de palafitas", no sentido da fragilidade e da mobilidade que a imagem nos inspira. Deste material, ou situação empírica, fornece a crítica da cidade e da antropologia. Profª Roberta Bivar C. Campos (Programa de Pós-Graduação em Antropologia/ Departamento de Antropologia e Museologia/ UFPE)
"Não contavam com a minha astúcia": antropologia, cidade e práticas desviantes -
Normando Jorge Albuquerque de Melo
Universitária da UFPE
2011
159 páginas
5h 18m
ISBN-13: 9788573159912
Português Brasileiro
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