Esse é um dos meus livros favoritos.
Domingos Pellegrini conseguiu fazer aquilo que a maioria dos escritores infanto-juvenis almeja: criar uma história dinâmica com uma lição de moral latente.
Na pequena cidade de Felicidade, a maioria da população vive pobre, mas com uma vida relativamente feliz. Contudo, a pessoa mais rica da cidade - o velho - está prestes a deixar a vida miserável que leva e a legar tudo a seus inquilinos e devedores.
Sua morte causa uma festa na cidade, e esse desrespeito será pago nos acontecimentos seguintes, quando uma árvore que dá dinheiro é plantada a pedido do falecido na praça da cidade.
Os personagens que aparecem não tem nome, apenas funções: o pai, o açougueiro, o quitandeiro, o menino, etc. Essa despersonificação tem motivo - qualquer um poderia ser seduzido pelo brilho reluzente do ouro, ou melhor, do verde das notas.
O velho é uma clara inversão de Scrooge, o velho rico e sovina que é ensinado sobre caridade e empatia na véspera de Natal na obra de Charles Dickens. Não é necessário conhecer esse, mas torna a leitura mais rica.
É um ótimo livro e a história se sustenta mesmo nos dias de hoje. Não recomendo para crianças abaixo da faixa dos oito simplesmente porque uma certa noção matemática é necessária.