A Guerra dos Farrapos - Romance

    Alcy Cheuiche

    Martins Livreiro - Editor
    2010
    176 páginas
    5h 52m
    ISBN-13: 9788575371107
    Português Brasileiro

    Os romances de Alcy Cheuiche colorem as páginas da História com paixões, sentimentos e bravura. De forma clara e objetiva, apresenta as belas paisagens onde se desenrolam os fatos. Destaca as passagens mais importantes, levando o leitor a enxergar pelos olhos do personagem. Faz com que se identifique com ele, tanto nas coisas corriqueiras, como nas grandes decisões. Busca o ser humano, dentro dos heróis, com sensibilidade e maestria. Em A Guerra dos Farrapos, Alcy viaja no tempo, recontando os dez anos em que o Rio Grande esteve dividido entre farroupilhas e caramurus, percorrendo as duas trincheiras, para entender ambos os lados. Neste livro, vivenciamos as lágrimas de Isabel Leonor, os ideais de Bento Gonçalves, as convicções de Silva Tavares, a coragem de Anita, a paixão de Garibaldi, a vaidade de Onofre e a paz, absolutamente necessária, que encerrou este belo e doloroso episódio da história dos gaúchos. MARTINS LIVREIRO - EDITOR

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    Danton K picture
    Danton K26/11/2024Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Alcy Cheuiche conduz o leitor a uma viagem ao tempo, recontando episódios marcantes do “decênio heroico” com diálogos fictícios entre personagens reais. O ponto de partido é a Ponte da Azenha, “umbigo da Guerra dos Farrapos”, como o autor define, local da primeira batalha entre farroupilhas e caramurus. O narrador observa a ponte dos dias atuais, a servir de ligação para o trânsito de automóveis e veículos pesados, e, num processo de “descongelamento do tempo”, é levado para a noite de 19 de setembro de 1835. Afinal — o próprio autor justifica —, seria uma leviandade julgar os homens daquela época com os olhos de hoje, sendo necessário, portanto, mergulhar de cabeça no tempo. A partir de então, Cheuiche destrincha os principais episódios do conflito, proporcionando ao leitor uma visão íntima dos principais personagens da época. Começa com a invasão de Porto Alegre pelos revolucionários e passa pela proclamação da República Rio-Grandense, seguindo pelo relato da fuga de Bento Gonçalves da Fortaleza do Mar, na Bahia, a marcha de Garibaldi em Santa Catarina, o duelo entre Bento Gonçalves e Onofre Pires — que feriu mortalmente o segundo — e, por fim, a assinatura do tratado de Ponche Verde, que pôs fim ao conflito. Para quem conhece pouco sobre o episódio histórico em questão, trata-se de uma oportunidade de compreender as causas que levaram à revolta contra o império — o que, obviamente, irá depender da interpretação do autor. No encontro em que tenta atrair o amigo e compadre Silva Tavares para a revolução, Bento Gonçalves nega que os farroupilhas quisessem a separação do Brasil. O desejo do movimento, alega, era uma maior autonomia administrativa. Ele cita como exemplo o imposto sobre o charque. “Em tudo pagamos o duplo do dízimo, como se nos quisessem castigar”, explica o líder farrapo. A localização geográfica do Rio Grande do Sul também é ressaltada, enquanto Bento alega que “nenhuma outra província pagou tão caro para manter as fronteiras do Império”. “Desde a construção do forte do Rio Grande, há quase um século, os rio-grandenses mal tiveram tempo de cuidar do gado, de lavrar a terra. Nosso povo está merecedor de paz e de justiça”, afirma o líder farroupilha. A origem de termos que hoje fazem parte do nosso vocabulário também é revisitada por Cheiuche. Oitenta anos após a invasão das Missões, os guaranis já haviam perdido toda e qualquer identidade cultural. As moças, devido aos traços orientais, eram chamadas de “chinas” e usadas desde a puberdade como prostitutas sem salário. Os filhos delas eram chamados pelos brancos de “gaúchos”, quase um sinônimo para bastardo, considerados então a escória da província. Estes homens, que cresceram tropeando gado chucro e guerreando, “eram o povo verdadeiro do Rio Grande”, segundo o narrador. A obra de Cheuiche exalta os ideais farroupilhas, mas não de uma forma revanchista, fazendo jus a uma frase que ele destaca do Barão de Caxias, após a assinatura do tratado de paz: “Os que morreram nesta guerra eram todos irmãos”.

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