O jovem poeta Lucas Lisboa traz na sua escrita o interesse e engajamento, que não se encontra sempre por aí nos poetas estreantes – coisa que ajudou muito, no Brasil, para uma poesia cada dia mais opaca em seus contornos, coisa meio indefinida. Nas mãos desse poeta, no entanto, há uma preocupação estética com a versificação, o compromisso com o ritmo, a cadência e o humor dos poemas, sustentando a temática, ora pelo crescendo de força, ora pelo revés que rasga em ironia, sadismo, brincadeira. Não é que seja coisa complicada de ler, nem que seja só para dizer da dedicação do artista, senão para ressaltar sua preocupação com um ideal de poesia, mas é que técnica lhe cai bem ao talento e ao gosto dos leitores. É fácil ser cativado, tocar as imagens, fazer na mente os diálogos e os verdadeiros personagens que se escondem nas palavras. É uma delícia ler e poder fantasiar, descobrir, enrubescer-se! A quem vai ler esse livro, um conselho: sem pudores. Trata-o, pois, com a liberdade e a naturalidade como se trata o seu corpo, leitor. Saboreie a inocência e a indecência que cabem assim tão bem nos nossos desejos humanos, nas intimidades que dialogam nas horas lúdicas da fantasia, na poesia dos gestos, dos fetiches, dos amores, sem julgar muito o que é moral ou não é. A moralidade é só mais uma ficção, e não muito bem escrita, por sinal. Aqui o jogo é outro, pois na máscara ou no espelho, o livro é bem a carne do autor.
Sobre Máscaras e Espelhos -
Lucas C Lisboa
Sapere
1986
118 páginas
3h 56m
ISBN-13: 9788564321106
Português Brasileiro
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