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    Um Lugar para se Perder -

    Alexandre Staut

    Dobra Selo Editorial
    2012
    164 páginas
    5h 28m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    3.5
    3 avaliações
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    Favoritos0Desejados6Avaliaram3

    O protagonista deste segundo romance do escritor e jornalista Alexandre Staut é um homem conformado à rotina do trabalho anódino, em repartição pública, e à vida numa cidade provinciana, mesquinha. Enredado no cotidiano sem perspectivas, resta-lhe a companhia dos livros que retira na biblioteca municipal e contemplar o movimento das ruas, as conversas que se perdem no cotidiano, fofocas que se multiplicam como poeira, sempre a partir de um banco de praça. Desenhar mapas e planejar viagens imaginárias não o conforta, mas só amplia a angústia sem remédio, que aos poucos vai corroendo seu espírito, minando os gestos mecânicos e o convívio apagado com colegas de trabalho, espremidos “em relações cordiais, quase matemáticas”, tão estranhos como os passantes que cruzam aleatoriamente seu caminho. A situação desse personagem arredio, ensimesmado, muda inesperadamente com um encontro, na mesma praça onde costuma se refugiar. O homem acabara de deixar o asilo da cidade e queria uma informação de passagem, algo sem a menor importância. A curiosidade, no entanto, os aproxima e o narrador se vê capturado pela história do outro, por seus descaminhos, o corpo macerado por experiências dolorosas, a voz entrecortada pelas tragadas no cigarro de palha. Superado o primeiro momento de rejeição, aquela figura misteriosa, esquisita, revelará segredos da pequena cidade, ocultos sob o manto tranquilizador da hipocrisia. O que parecia um encontro fortuito, torna-se um momento intenso de descobertas e transformações para o narrador. O contato e o confronto com o outro trará uma nova maneira de ver a si próprio e à existência enraizada naquela cidade. Muitas são as provocações do escritor Alexandre Staut com esta narrativa envolvente e inquietante. A começar pela crítica ao comportamento acomodado e passivo de um cidadão comum, incapaz de virar o jogo da mesmice e assumir seu papel de sujeito. Por outro lado, está o desnudamento de uma sociedade conservadora, típica do interior brasileiro. Como nas cidades fictícias de grandes autores latino-americanos – Juan Rulfo, Gabriel García Márquez, Juan Carlos Onetti – também ocorre neste universo aparentemente tranquilo idealizado por Staut a representação de nossas mazelas e belezas.

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    3.5 / 3
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    • 4 estrelas67%
    • 3 estrelas33%
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    Alexandre Staut

    Alexandre Staut nasceu em Espírito Santo do Pinhal (SP) em 1973. Jornalista, trabalhou em alguns jornais da capital paulista, sempre em editorias de cultura e comportamento. Certo dia resolveu ser cozinheiro... uma paixão que o acompanha desde a infância. Comprou uma passagem de ida para a Europa e permaneceu um ano e meio em Londres e três na França trabalhando em cozinhas diversas. Em Brest (a cidade do Querelle) fez curso de gastronomia... e viveu, em média, 14 horas por dia mexendo panelas. De repente resolveu voltar a escrever. Trocou os temperos pelas letras. Hoje escreve matérias sobre costumes e gastronomia para diversas revistas nacionais, como repórter “frila”. O romance "Jazz Band na Sala da Gente" é sua primeira ficção.

    5 Livros
    8 Seguidores
    São Paulo, Brasil

    Alexandre Staut