Como contar a história de uma casa? como resgatar a vida das pessoas que ali viveram, há um século? Quanto de tudo isso está em seus descendentes,no inconsciente/consciente de cada familiar? Abençoada e amparada por recordações vivas e um grande volume de objetos, cartas e documentos, Beth Stockler atirou-se a esse desafio: trazer à vida os Antunes Maciel, proprietários do Casarão 8, hoje em restauro, Patrimônio da Cidade de Pelotas/RS Sua narrativa nos cativa no primeiro capitulo, repleto de amor, daquele amor inexplicável que se tem por alguém que sequer conhecemos, fruto da tradição oral da família e da curiosidade de criança. A volta da bisneta amorosa ao casarão que abrigara sua família por gerações, desperta histórias esquecidas, emoções guardadas, descobertas. Francisca Antunes Maciel, a Chiquinha, entrelaça suas lembranças de outrora com as histórias que a autora ouviu e forma uma narrativa repleta de nuances espirituais, testemunhando que a vida segue e que os laços familiares amorosos se perpetuam. O senhor da casa, Francisco Antunes Maciel, proeminente de seu tempo, deputado provincial, político e Ministro de Estado, abre-nos seus salões onde figuras como Gaspar Silveira Martins e Gumercindo Saraiva são frequentes. Algumas das maiores figuras da vida pública riograndense no final do século XIX, passam por nós através de documentos, fotos, cartas, telegramas, e é admirável como a autora reconstrói o dia a dia da família, nas menores nuances. O livro não é um romance, não é regido por um fio condutor que trama uma história. São como flashes, momentos, acontecimentos corriqueiros ou importantes, narrados por diversas vozes. Um excelente livro para quem gosta de História, para quem admira a escrita bem delineada, para quem quer conhecer os costumes e os hábitos do século XIX. Mas acima de tudo, Chiquinha e Eu é um livro de amor, uma homenagem que Beth Stockler faz a toda a sua família. por Sílvia Meirelles Kaercher
