Leandro Leite Leocadio nasceu no antigo estado da Guanabara, morou em Natal, em São Paulo e hoje vive no Rio de Janeiro. Contista e cartunista, foi colaborador da Revista Bundas (2001) e do jornal O Pasquim 21 (2002/2004). É o autor do livro de poemas Os desmandamentos (2007) e um dos autores da antologia M(ai)S, organizada pelo professor da USP Antonio Vicente Pietroforte e pelo poeta Glauco Mattoso (2008), e da antologia Portal Fundação, organizada por Nelson de Oliveira. É um dos idealizadores do coletivo poético Os Maletras. Os contos de Barro, areia, óleo de baleia mostram com humor e tom cáustico um Brasil surpreendente. Como na brilhante paródia feita em O homem que sabia Java 3 (releitura do famoso conto escrito por Lima Barreto) ou no hilariante O esloveno (em que um europeu se estabelece no Brasil vendendo pão de queijo e tapioca depois de explorar a rinha de cães). Ou mesmo em Habeas corpus (conto que expõe mazelas e satiriza os vícios de uma determinada elite que insiste em ignorar o chão onde vive) ou na síntese contida em O bradador (em que personagens das demais narrativas comparecem transfigurados em um mendigo). Em um estilo conciso, às vezes telegráfico, o autor procura estender uma corda entre as nossas heranças coloniais e o que delas perdura em nossa atual formação social.
Barro, areia, óleo de baleia - Leandro Leite Leocádio
Leandro Leocadio Leite
Barro, areia, óleo de baleia
Leocádio, Leandro Leite. Barro, Areia, Óleo de Baleia. Paraty, Rio de Janeiro: Selo Off Flip Editora, 2010. 120p. Resenha do livro Barro, Areia, Óleo de Baleia de Leandro Leocádio: O livro contêm 21 contos e microcontos de temas diversos que nos levam do suspiro, a reflexão, a incompreensão e a muito riso. O livro tem uma escrita rápida, porém gostosa, é uma escrita ritmada, cheia de sonoridade, em alguns contos pensei com certeza é um nordestino falando. A linguagem é simples, do dia-a-dia e sempre bem humorada. Ele brinca com as superstições em “Um Copo de Arroz Cru” onde vemos graças a uma superstição uma família à beira da morte por falta de comida sobreviver mais um dia para lutar por uma vida digna. Em “O Gênesis Segundo Um Poeta” lemos uma interessante versão da história da criação do mundo, em que se mistura ciência e os sete pecados capitais, sentimentos e literatura usando um bonito jogo de palavras. Muito interessante também o microconto com um macrotítulo que não me atrevo a citar pois é mais fácil falar o microconto do que seu título, este diz “Cruz-credo”. Microconto explicado pelo autor na palestra em que participei, achei incrível quanta história pode contar essa palavrinha ou seriam duas. Nunca havia lido um livro que tivesse microcontos, achei um gênero bem interessante, embora fora do convencional. Em “Java3” morremos de rir com a história de um homem que nada sabia de Java mais tinha uma ótima lábia, e era mestre na arte de fingir saber com isso atingiu cargos e fez coisas que muitos gostariam. Esse conto me fez lembrar da época em que o Lula foi eleito presidente e que as crianças viviam a dizer estudar para que estudar o Lula é analfabeto e virou presidente, pois é que meus alunos não vejam esse conto ou vão querer se especializar em iludir as pessoas em vez de estudar. Em “BTX 478” nos lembramos para ter cuidado com o que fazemos, pois mãe sempre tem razão e devemos ter paciência com ela, pois a falta de paciência com a sua mãe matou Douglas. O livro traz em suas 120 páginas contos para todos os gostos e sobretudo contos que nos fazem rir e relaxar. Recomendo a leitura em doses lentas podendo repetir a dose sempre que necessário para melhor compreensão. Um livro com estilo muito diferente de todos que já li, á primeira vista quando li não gostei, achei confuso, louco e muitas vezes sem sentido. Mais depois refletindo sobre o que li, consegui ver o livro de outro ângulo e passei a gostar. Aprendi muito com esse livro, aprendi a não julgar tão rápido, aprendi que só porque um livro é fora do comum e não é tão fácil compreendê-lo isso não quer dizer que ele seja ruim, aprendi que um microconto embora seja uma forma bem diferente de literatura, que eu ainda não sei se pessoalmente eu chamaria de literatura, é uma forma interessante de se escrever, em que o escritor talvez não pense tanto para escrever quanto o leitor vai pensar ao ler. Esse livro me ensinou muito sobre as várias formas e gêneros da escrita e sobre diversas formas de linguagem.
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