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    Canções seguido de Sapato florido e A rua dos cataventos -

    Mario Quintana

    Alfaguara
    2012
    240 páginas
    8h 0m
    ISBN-10: 8579621453
    Português Brasileiro
    4
    87 avaliações
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    Favoritos11Desejados72Avaliaram87

    Este volume reúne numa mesma edição os três primeiros livros do poeta Mario Quintana. Com a publicação de Canções, em 1946, seu nome emergiu em escala nacional, junto aos colegas da geração modernista, como representante de um lirismo singelo, intuitivo, tingido de suave tom elegíaco e banhado de sabor local - a rua, o arrabalde, a cidade de Porto Alegre. Dois anos depois, em 1948, Quintana lançou Sapato florido, sua primeira compilação de aforismos, pequenas prosas, crônicas e minicontos. Com ela, afirmava no cenário editorial sua peculiar mistura de prosa e poesia, que se tornaria outra de suas marcas registradas como autor. No mesmo volume, foi ainda compilada a série completa dos sonetos modernistas que constituem seu livro de estreia, A rua dos cataventos, de 1940. Entre a canção e o soneto, assim começa a profícua e produtiva carreira poética de Mario Quintana. Da canção singela, rimas simples, métricas consagradas, pode-se dizer que encerra a essência, o ponto de partida do lirismo moderno (leia-se: romântico e pós-romântico). Encarnação chaplininana de algum jovem Goethe à beira do Guaíba esquecido, o poeta já de saída invoca a poesia como dança primaveril, no poema que abre o volume. Ao percorrer os versos de Canções, porém, o leitor descobre estar diante de intimidade mais complexa: o espírito dançante do lírico se deixa marcar por delicada melancolia, diante da morte como fato da vida. É um olhar de menino que o poeta lança ao redor. E, como tal, poroso. Aberto para os detalhes do mundo, micro/macrocosmo. Nos sonetos de A rua dos cataventos, o poeta estreante se faz catavento, se faz rua, funde-se à paisagem do bairro, é um poeta de luz e encantamentos. O dia feérico compensa os abismos da lua. Já nas agudas prosas e aforismos de Sapato florido, Quintana revela-se pensador veloz e surpreendente do real e do surreal.

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    Alexandre Figueiredo picture
    Alexandre Figueiredo20/10/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Os olhos não mentem

    Eu gosto de pensar que a alegria de um poeta como Mario Quintana acontecia quando ele imaginava o exato momento em que os olhos - e não a boca - de seus leitores davam um sorriso. Porque deve ser nesse ínfimo instante de tempo que a poesia faz duas almas tão distantes se conectarem. Afinal, diz a sabedoria popular que os olhos não mentem. Este livro é uma reunião dos primeiros trabalhos de Mario Quintana. Na primeira parte, “Canções”, segundo livro de poemas do autor escrito em 1946, os leitores já se deparam com os quintanares tão particulares do bom velhinho que hoje vive suspenso na memória. Aproveito para destacar alguns versos de poemas como “Canção de junto do berço” (Não te movas, dorme, dorme/O teu soninho tranquilo./Não te movas (diz-lhe a Noite)/Que inda está cantando um grilo…), “Canção do dia de sempre” (Nada jamais continua,/Tudo vai recomeçar!/E sem nenhuma lembrança/Das outras vezes perdidas,/Atiro a rosa do sonho/Nas tuas mãos distraídas…) e “Canção para uma valsa lenta” (Minha vida não foi um romance…/Nunca tive até hoje um segredo./Se me amas, não digas, que morro/De surpresa… de encanto… de medo…) que acalentam e abraçam os leitores. Aqui, a simplicidade de cada verso é espantosa, assim como sua profundidade. Na segunda parte, podemos conhecer a outra famosa faceta do poeta alegretense, que via nas coisas mais banais o extraordinário. Em “Sapato florido”, de 1948, temos minicontos, aforismos e poeminhas. Aliás, esse é o meu segmento preferido desta edição da Companhia das Letras. É nele que encontramos joias raras como “Epígrafe” (As únicas coisas eternas são as nuvens…), “Da paginação”, “Horror”, “Arte de fumar” e “Os máscaras” - esses vão ficar sem reprodução aqui porque possuem mais de duas linhas, infelizmente, mas valem a procura no Google -, “Crise” (Por causa dos ilusionistas é que hoje em dia muita gente acredita que poesia é truque…), “Carreto” (Amar é mudar a alma de casa.), “Envelhecer” (Antes, todos os caminhos iam./Agora todos os caminhos vêm./A casa é acolhedora, os livros poucos./E eu mesmo preparo o chá para os fantasmas.), “Da humilde verdade” (O quotidiano é o incógnito do mistério.), “Mentira?” (A mentira é uma verdade que se esqueceu de acontecer.) e por aí vai. É muita genialidade para pouca resenha, sejamos sinceros. Em uma distribuição sem explicação, o último segmento traz o primeiro livro publicado por Mario Quintana. “A rua dos cataventos”, de 1940, é composto exclusivamente de sonetos. E que sonetos! Considero a última parte desta edição uma das opções mais incríveis e acessíveis para apresentar aos não iniciados em matéria de poesia a beleza e a musicalidade do “poeta das coisas simples”. Ah, é também um bom momento para pessoas que como eu são, em raras ocasiões, atores frustrados ou exímios recitadores de boteco aquecerem o gogó e lerem os sonetos em voz alta. Na base de uma união equilibrada entre reflexão, poesia e lirismo que sempre surpreendem, “Canções seguido de Sapato florido e A rua dos cataventos” é poesia em seu mais alto nível em língua portuguesa. É também uma viagem para recuperar o que temos de melhor em cada um de nós. Uma leitura não basta. Muito menos uma releitura. É preciso espalhar essa preciosidade em forma de livro e eu espero que já tenha feito a minha singela contribuição.

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    • 5 estrelas31%
    • 4 estrelas39%
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    • 2 estrelas3%
    • 1 estrelas2%
    Mario de Miranda Quintana profile picture

    Mario de Miranda Quintana

    Mario Quintana fez as primeiras letras em sua cidade natal, mudando-se em 1919 para Porto Alegre, onde estudou no Colégio Militar, publicando ali suas primeiras produções literárias. Trabalhou para a Editora Globo, quando esta ainda era uma instituição eminentemente gaúcha, e depois na farmácia paterna. Considerado o "poeta das coisas simples", com um estilo marcado pela ironia, pela profundidade e pela perfeição técnica, ele trabalhou como jornalista quase toda a sua vida. Traduziu mais de cento e trinta obras da literatura universal, entre elas Em Busca do Tempo Perdido de Marcel Proust, Mrs Dalloway de Virginia Woolf, e Palavras e Sangue, de Giovanni Papini.

    76 Livros
    1.043 Seguidores
    Porto Alegre, Brasil

    Mario de Miranda Quintana