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    A Antropologia Diante dos Problemas do Mundo Moderno -

    Claude Lévi-Strauss

    Companhia das Letras
    2012
    96 páginas
    3h 12m
    ISBN-10: 8535921400
    Português Brasileiro
    4.2
    27 avaliações
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    Na primavera de 1986, Claude Lévi-Strauss proferiu uma série de três conferências no Japão a convite da fundação educacional que viabilizava sua quarta visita ao país. Entusiasta da cultura japonesa, ele elaborou suas intervenções especialmente para o público nipônico, pontuando-as com referências aos mitos, costumes e tradições artísticas locais. No entanto, esta reunião dos textos daquelas conferências se revela uma introdução à obra do autor de 'Tristes trópicos' e às descobertas da antropologia moderna, destinada a todos os públicos. O título do livro - 'A antropologia diante dos problemas do mundo moderno' - reproduz o tema proposto pelos anfitriões nipônicos de Lévi-Strauss. No primeiro capítulo, o autor passa em revista o desenvolvimento histórico da ciência antropológica, e explica como ela evoluiu de uma classificação de achados etnográficos exóticos até o estudo das semelhanças e diferenças que unificam as sociedades humanas num grande continuum cultural. Em seguida, o autor prevê o futuro da pesquisa antropológica diante das modernas formas de sexualidade, trabalho e convívio social produzidas pela civilização pós-industrial. Na última parte, Lévi-Strauss pretende desmentir as falácias raciais e nacionalistas do mundo contemporâneo, contrapondo-as a lições de tolerância e diversidade extraídas da cultura japonesa.

    Resenhas (1)Ver mais
    Felipe Novaes picture
    Felipe Novaes16/11/2013Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Este é um ótimo livro para aqueles que estão um tanto cansados dos problemas tradicionais de nossa sociedade num âmbito mais político e também num outro, mais pessoal. O que a Antropologia tem a nos ensinar? A princípio é um tanto tolo pensar que uma disciplina essencialmente acadêmica tenha algo a nos ensinar num âmbito cotidiano. É como pensar que a neurociência ou a física podem nos ensinar algo para o dia-a-dia. Mas é claro que podem nos ensinar algo. A Antropologia, sobretudo a que Levi-Strauss professa,se dedica a observar, relatar e analisar os costumes de sociedades tidas como "esquecidas". Como o autor nos mostra, talvez esse adjetivo não seja adequado, afinal, somos membros de uma espécie que vive "apenas" há 200 mil anos; isso nos torna caçulas neste planeta. A sociedade tipicamente ocidental na qual vivemos existe a nem um terço desse tempo; isso significa que a regra para nossos comuns sempre, provavelmente, aquilo que se observa nos grupos "esquecidos". Então, numa perspectiva temporal, somos nós a exceção, não eles. Entender como se sustenta um modo de vida milenarmente mais antigo que o nosso é no mínimo aprender algumas lições de sabedoria e humildade.

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    Claude Lévi-Strauss profile picture

    Claude Lévi-Strauss

    Lévi-Strauss nasceu em Bruxelas, em 1908, numa visita de seus pais, franceses, a Bélgica. Criador da antropologia estrutural, é um dos maiores intelectuais do século XX. Estudou direito e filosofia em Paris, nos anos 1930. Em 1934, recebeu o convite da missão francesa ao Brasil para a criação da Universidade de São Paulo, na qual, aos 26 anos, ocupou a cadeira de Sociologia na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras. Durante sua permanência no país, fez expedições ao interior, entre os povos Bororo, os Kadiwéu e os Nambikwara, recontadas mais tarde no seu célebre livro Tristes trópicos (1955). Foi a partir desses estudos no Brasil que Lévi-Strauss tornou-se etnólogo. Durante a Segunda Guerra, partiu para o exílio nos Estados Unidos, como professor da New School for Social Research. Na sua volta à França, lecionou na École de Hautes Études em Sciences Sociales e no Collège de France. Publicou O pensamento selvagem (1962) e Antropologia estrutural (1958, 1973), cujo primeiro volume foi reeditado pela Cosac Naify em 2008, mesmo ano em que teve sua obra incluída na coleção Pléiade, da editora francesa Gallimard. Ao longo de 20 anos dedicados ao estudo dos mitos dos povos indígenas americanos, escreveu sua obra maior, a série Mitológicas (1964, 1967, 1971, 1974; Cosac Naify). Fundou o Laboratório de Antropologia Social e a revista L’Homme (1961). Em 1973, passa a fazer parte da Academia Francesa. Faleceu em 1º de novembro de 2009, poucos dias antes de completar 101 anos.

    42 Livros
    83 Seguidores

    Claude Lévi-Strauss