Contos Coreanos -

    Ha Kem-cham, Kim Tong-ni, Kim Tong-in, Kim Yu-jung, Son Chang-sup, Hwang Soon-won, Han Mahl-sook, Cho Sun-jak, Choi In-ho

    GRD / RIO-ARTE
    1985
    120 páginas
    4h 0m
    ISBN-10: 8570850018
    Português Brasileiro

    Os contos coreanos apresentados neste volume representam uma abertura da GRD e do RIO-ARTE para uma literatura até aqui desconhecida no Brasil. País profundamente marcado por uma história de guerras prolongada até nossos dias, quando a nação está separada em duas repúblicas, a Coréa tem sido, desde tempos imemoriais, a pátria de um dos mais refinados povos asiáticos, com uma extraodinária sensibilidade para as letras e para as artes. Desde o século VII, quando os coreanos adotaram os caracteres chineses, introduzidos no país, em alguns círculos, já 200 anos antes de Cristo, floresceu, entre as classes aristocráticas, uma literatura altamente sofisticada. Antes disso, porém, as letras coreanas oferecem alguns dos mais belos textos da história, como "O Canto dos Pássaros Amarelos", uma passagem lírica de um poema de amor escrito dezessete séculos antes de Cristo por um rei dos tempos do reino de Kokoriú, e que se chama "O Rei Yuri e suas esposas". Viajei as duas Coréas de Norte a Sul. Algumas das mais belas paisagens do mundo compõem suas províncias. Mas a mais bela das províncias coreanas é, sem dúvida, o contexto de artes e de letras que floresce na Coréa do Sul, onde a dança, a pintura, a poesia e a ficção crescem sempre novas, como as flores amarelas e cor-de-rosa de seus campos, brotadas da raiz milenar. Lembro-me de haver perguntado um dia ao Diretor da Escola de Dança de Seul há quantos anos funcionavam seus cursos: "há 1.600 anos" - foi a resposta. Assim são estes contos: estupendamente modernos em sua tessitura, eles guardam a pungente beleza dos milênios dessa Coréa do Sul, que as pessoas geralmente conhecem apenas como um formidável empório industrial e comercial da Ásia - um novo Japão - mas que é também um país cujo povo cultiva todas as belezas do espírito. Estes contos, recolhidos e traduzidos por um brasileiro, Luís Palmary, que vive desde muito anos em Seul, são simplesmente fascinantes. GERALDO MELLO MOURÃO

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    Henrique Luiz Fendrich picture
    Henrique Luiz Fendrich20/01/2019Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Uma literatura fortíssima

    Esses orientais me surpreendem cada vez mais. Li “Contos Coreanos”, coletânea de 1985 com escritores mais modernos das duas Coreias (imagine só, ler escritores da Coreia do Norte!). São dez 10 contos, 6 do sul e 4 do norte. Encontrei uma literatura fortíssima, intensa, essencialmente dramática. Situações mal resolvidas entre familiares perfazem boa parte dos contos. Questões econômicas, pobreza e miséria são pano de fundo de vários deles também. A infância rende textos maravilhosos, permeados por uma vívida poesia. E há um exemplar essencialmente psicológico, “K”, da sul-coreana Han Mahl-sook, além de um conto surrealista, “O outro quarto”, do sul-coreano Choi In-ho. Um dos que mais gostei foi o de Ha Kem-Chan, “O sofrimento de duas gerações”, sobre um veterano de guerra que não tinha um braço e que esperava a volta do seu próprio filho de uma guerra em que perdeu uma perna. O único que aparece com dois contos é o norte-coreano Hwang Soon-won e é justamente ele o mais poético dos escritores. Ele lida com o tema da infância de uma maneira muito tocante. Em “Estrelas”, por exemplo, um menino se afasta da irmã depois que disseram que ela se parecia com a falecida mãe, coisa que ele não podia aceitar. Pirraças entre um menino e uma menina fazem parte do seu outro conto, “Aguaceiro”, mas levando a uma doce aproximação entre eles que termina de forma trágica”. “Tempo de camélias”, do sul coreano Kim Yu-jung, é da mesma linha, com dois adolescentes que ficam se provocando, coisa que, como se sabe, é outra maneira de dizer que se gostam. “Sonho abandonado”, do norte-coreano Son Chang-sup, é também uma história de dramas familiares que inclui cenas de violência. O sul-coreano Cho Sun-jak, em “Tapume pintado”, também oferece momentos fortíssimos, pois, afora as sugestões de zoofilia, um dos personagens matava cachorros para restaurantes. É um conto cheio de misérias, e não só financeiras, mas também morais. Os outros contos são “A rocha”, de Kim Tong-ni, do sul, que também trata de uma degradação familiar, “Batatas”, de Kim Tong-in, do norte, em que se vê a miséria obrigando os personagens a rebaixar seus padrões morais, também contos “fortes”, bom adjetivo para esses coreanos.

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