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    As Redes da Ilusão -

    Amy Tan

    Rocco
    2008
    448 páginas
    14h 56m
    ISBN-13: 9788532523273
    Português Brasileiro
    3.6
    9 avaliações
    Leram13Lendo1Querem36Relendo1Abandonos0Resenhas2
    Favoritos2Desejados36Avaliaram9

    O novo romance da escritora sino-americana, Amy Tan, As redes da ilusão, enfoca, de modo tocante e sutil, a fragilidade das relações humanas a partir da enigmática tensão entre mãe e filha. Ao contrário de seu último livro, O oposto do destino, dessa vez a escritora investe na ficção, num diálogo permanente com a filosofia budista e suas particularidades em Mianmar, antiga Birmânia, no sudeste asiático. Amy Tan apresenta ao leitor a especialista em antiguidades Bibi Chen, na verdade um fantasma que não consegue se recordar das circunstâncias de sua morte, noticiada com sensacionalismo pela imprensa. O ponto de vista de um personagem tão surreal dá o toque mágico da narrativa. Plena de estilo e humor, Bibi se recorda das suas tragédias familiares: o pai que morrera de um ataque cardíaco, o irmão de cirrose alcoólica e o outro, vítima de um acidente, além da mãe, que também morrera antes que pudesse conhecê-la. A relação com a madrasta, ironicamente chamada de Doce Mãezinha, é tensa. No entanto, é esta mulher dura e racional que vai moldar o seu caráter, levando-a a esconder seus sentimentos. Antes de morrer, porém, Bibi combinara com um grupo de amigos norte-americanos uma viagem por Mianmar. A partir deste passeio que a especialista em antiguidades chamou de “Seguindo os passos de Buda”, as peripécias do romance se desenvolvem. Composto por 12 norte-americanos, o grupo parte para uma expedição que começa no Himalaia, China, e segue rumo ao sul pelas florestas da Birmânia. No grupo, uma galeria de personagens complexos e idiossincráticos se forma. Alguns deles se destacam: Vera, uma velha senhora que, desde os cinqüenta anos, decidira que suas roupas de dia a dia não deveriam ser menos confortáveis do que as que ela usava na cama; ou Wendy Brokhyser que, mesmo entre amigos, guardava um segredo – ele queria lutar pelos direitos dos birmaneses, pela democracia e pela liberdade. Ao seu lado, Wyatt Fletcher, seu amante há um mês, filho de empresários de Mayville, nos Estados Unidos. Ou ainda Harry Bailley, famoso adestrador de cães que, durante a viagem, tem fixação em sexo, procura avidamente uma parceira amorosa. A misteriosa morte da organizadora da excursão, e narradora invisível da história, provoca desarmonia entre os integrantes da expedição. Mesmo assim, eles decidem seguir adiante. Numa manhã de Natal, os viajantes saem do barco por um lago enevoado para um cruzeiro ao nascer do sol – e desaparecem. Com exceção de Harry, o primeiro a detectar a ausência do grupo, os turistas são dados como desaparecidos, o que gerará uma série de interpretações da imprensa e da sociedade americana, para o fato. Ao contar as peripécias dos turistas norte-americanos sob o ponto de vista de um fantasma muito perspicaz, Amy Tan toca no tema comum tanto ao Ocidente, quanto ao Oriente: a ilusão. Ela escancara para o leitor o quão tênue é o limite entre a realidade e a ficção, e até onde se pode ir quando se utiliza a imaginação como fio condutor de uma narrativa. A ilusão criou para Bibi imagens equivocadas sobre sua morte, mas também a aproximou de sua verdadeira mãe e de seu passado. Quando parece que todas as peças que faltam na sua vida são encontradas, reunidas com a cola da memória e da razão, a autora de As redes da ilusão revela que existem mais detalhes a serem investigados. Neste quebra-cabeça em constante montagem, Amy Tan mostra que a busca por respostas para questões pessoais dura o tempo de uma vida.

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    Ladyce West04/07/2019Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Comecei a leitura de As redes da ilusão de Amy Tan [tradução de Ana Deiró] de maneira hesitante: um fantasma, como narrador, não me parecia interessante. Grande erro. A alma morta que nos conta a história do livro tem um grande senso de humor, e não foram poucos os momentos de riso solto durante o convívio com essa protagonista. Este é o primeiro livro de Amy Tan que leio. Chego atrasada à famosa escritora de grandes sucessos. Mas descobri que, entre seus seguidores, esta não é uma obra favorita. Entendo. A leitura deste volume me pareceu longa, com muitos momentos em que vi com pesar a falta de um editor que tivesse a responsabilidade de cortar umas cem páginas do total, repletas de detalhes que subtraem do interesse do leitor. Trata-se da história de um grupo de turistas americanos que viaja a Burma, parando primeiro na China. A narradora-fantasma seria a guia do grupo, mas morreu antes. Daí seu interesse, em parte. É um grupo heterogêneo, típicos ocidentais, americanos, mas poderiam facilmente ser brasileiros, que acreditam na superioridade de seus conhecimentos. Absorvidos em si mesmos quase não aproveitam as oportunidades que lhes são apresentadas e por descuido de quem não entende a cultura onde se inseriu, fazem os maiores descalabros, causando revolta e aparecendo no noticiário local. Ainda que a intenção do texto seja mostrar a falta de cuidado com a cultura dos outros que muitos turistas internacionais têm, essas "distrações" são fonte de grande humor e de alguma ponderação sobre o comportamento humano. Nesse meio tempo somos apresentados a um grupo de nativos da região que acredita, que, um dia, um ser espiritual branco virá salvá-los. Ao verem os mais básicos e corriqueiros truques de mágica de um dos adolescentes do grupo, esse povo acredita na chegada de seu salvador. E resolve raptá-lo. Na verdade, levam o grupo inteiro de turistas pelos caminhos da floresta. Turistas tão absorvidos em si próprios que não se dão conta de que estão sendo raptados. Para mim esta foi uma das partes mais interessantes da narrativa. De aventura em aventura, chegamos a vislumbrar alguns problemas de excesso de poder da junta militar de Burma, e a falta de respeito aos direitos humanos que ainda prevalece em muitos lugares no mundo. Achei este desenvolvimento do texto sobre a política local, forçado e inserido para agradar à população americana de origem asiática. Por mim, não é essa a maneira de se sensibilizar os leitores, ficou fora da cadência anterior, engraçada, quase uma comédia de erros. Curiosamente As redes da ilusão leva um nome diferente no original em inglês: “Saving fish from drowning” [salvando peixes do afogamento], que se refere a uma pequena passagem no livro, sobre uma lenda local que desculpa pescadores de matar os peixes pescados. Eles pescam os peixes para que não morram afogados. Quando morrem porque estão fora d'água não resta mais nada senão comê-los ou vendê-los. Ilustra um ponto importante deste romance, que mostra que muitas vezes ajudamos alguém com as melhores intenções mas não conseguimos salvá-los de seus próprios destinos, como acontece com os turistas neste livro. No todo, com menos umas cem páginas, este seria um livro recomendável a todos. Como está, uma colcha de retalhos de aventuras díspares e com a inserção de postulados políticos, acho difícil recomendar a leitura universalmente. Houve momentos em que do livro fui ao Google, para procurar imagens das cidades, montanhas, lugares descritos. Isso ajudou a passar os momentos de enfado com um texto que nem sempre parece ter direção. E é claro, aumentou muito a minha cultura sobre essa região do mundo. Mas foi preciso um esforço meu, para vencer a prosa prolixa de Amy Tan.

    1 curtida

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    • 4 estrelas44%
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    • 1 estrelas0%
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    Amy Tan

    Amy Tan é uma escritora estado-unidense contemporânea filha de imigrantes chineses, natural da cidade de Oakland, Califórnia, Estados Unidos da América. Ela é autora de várias obras de ficção, de romances, de leitura infantil, com adaptações televisivas. O seu livro Joy Luck Club foi transformado em filme. Amy Tan fez parte de seus estudos na Suíça, em Montreux. Uma das características marcantes de seus escritos é a representação de sua perspectiva sino-americana, da chamada literatura étno-minoritária que aflorou nos Estados Unidos por volta da década dos anos oitenta, vindo a se estabelecer como uma nova categoria literária no mercado americano.

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    California, Estados Unidos

    Amy Tan