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    Astros e Símbolos -

    Olavo de Carvalho

    Nova Stella
    1985
    98 páginas
    3h 16m
    ISBN-13: 3127010012179
    Português Brasileiro
    4.4
    19 avaliações
    Leram53Lendo3Querem60Relendo0Abandonos1Resenhas1
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    Prefácio: Ao rever, agora, estas páginas que um dia dediquei à exposição de concepções científicas tradicionais, não posso deixar de sentir a gravidade da decisão que as retira do orbe privado dos escritos provisórios (elas começaram sua vida como apostilas de cursos, e se dirigiam tão-somente a um grupo restrito de leitores), para dar-lhes pela letra impressa uma forma fixa e pela reprodução uma existência pública. Não há no mundo, talvez, hoje em dia, país menos confortável para quem se dedica à difusão das doutrinas tradicionais, do que o Brasil. Não que inexista interesse: os leitores, estou certo, afluirão. Porém o que não existe é um pano de fundo, uma constelação de precondições espirituais e culturais adequadas à recepção de tais doutrinas. Elas não se arriscam ao anonimato e ao esquecimento, e sim à incompreensão e à distorção. É que, por um lado, tais doutrinas não foram feitas para o estudo teórico tão-somente, mas para a realização efetiva das possibilidades espirituais humanas, e, por outro lado, esta realização não pode ser levada a cabo fora do quadro dos ritos e normas de uma religião tradicional como o judaísmo, o catolicismo ou o Islã. Fora desse quadro, as aspirações nascidas do contato com aquelas doutrinas arriscam-se a degenerar e apodrecer, como tudo quanto é sonho irrealizado que o tempo gasta e dissolve, deixando no fundo da alma envelhecida um precipitado de amarguras e rancores, resultado da longa decantação das esperanças vencidas. Sem o rito e a norma religiosa, a esperança de um “conhecimento mais elevado” tende não somente a esvanecer-se em fumaças de fantasia sem amanhã, mas, o que é muito pior, a ser capturada, desviada, corrompida e finalmente invertida por alguma dessas seitas e organizações pretensamente esotéricas que hoje em dia oferecem e vendem um simulacro – ora mais, ora menos verossímil – da espiritualidade e da iniciação.

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    Erico Jose picture
    Erico Jose15/01/2021Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Denso, desorganizado, com lampejos de informação interessante

    Foi uma experiência, no mínimo, interessante entrar em contato com uma obra de astrologia do Olavo de Carvalho, por diversos motivos. Em primeiro lugar, e num plano mais óbvio, por se tratar de uma obra escrita por alguém extremamente influente e em grande parte responsável pelo caos social e político que vivemos atualmente. Olavo chegou a ganhar a alcunha de “O guru da direita brasileira”. Em segundo lugar, por motivos pessoais, eu sou um estudante de assuntos esotéricos e espirituais bastante crítico que busca encontrar algo valioso nesse conhecimento muito tradicional e antigo chamado astrologia. À primeira vista pensei ter encontrado algo muito valioso aqui. Me surpreendi positivamente, por conseguir ver em meio a uma grande confusão alguns lampejos de criatividade e inteligência. No prefácio ele já se desculpa pelo livro não ser tão bem estruturado, justificando que os textos ali contidos não tinham a intenção de se configurarem como livro para ser publicado. Me pergunto por que motivo não houve uma revisão por parte do autor, já que ele era consciente dos problemas. Acredito que a resposta esteja na arrogância de Olavo, que ao mesmo tempo que quer escapar de críticas, não consegue aceitar certas debilidades em sua escrita e pensamento. Mas isso é um julgamento pessoal que pode não corresponder à realidade. Olavo explica no prefácio que busca uma astrologia que seja uma ferramenta para alcançar níveis espirituais mais profundos, em junção absoluta com os caminhos das religiões ortodoxas. Expõe que vê as funções da religiosidade enquanto um meio de orientar o humano durante e após a vida e enquanto um dispositivo de segurança psíquica que salva os seres da loucura. Expõe sua visão das religiões ortodoxas enquanto o único caminho viável para a espiritualidade, condenando as vertentes místicas, pseudoesotéricas (Para ele, o esoterismo é apenas o que se enquadra na sua crença pessoal) e quaisquer outros caminhos individuais de desenvolvimento. Em outros momentos do livro ele afirma que as instituições sociais são intermediárias entre o plano divino e o plano físico, o que justifica muito a sua posição social no governo atual e seu envolvimento com a política conservadora. Mas o que isso tem a ver com astrologia? Essas suas visões pessoais me parecem bastante desconectadas do conteúdo que se segue nos capítulos seguintes. Ele não as retoma em profundidade e o restante do livro se concentra mais em abordar a astrologia por diversos ângulos investigativos. Alguns dos capítulos possuem um conteúdo mais bem estruturado e explicado e outros parecem ter sido escritos com o método de escrita livre de fluxo de pensamento. Em muitos momentos fica uma impressão de que Olavo usa palavras difíceis não para dar mais especificidade ao seu texto, mas sim para criptografar e ocultar as informações. Apesar dos evidentes problemas no texto, há vários momentos que despertam bastante curiosidade e que são interessantes. Um exemplo se encontra no segundo capítulo, quando Olavo explica sua visão da dialética simbólica e de como o ser humano evolui sua maneira de pensar partindo de oposições simples (Como a noção da polaridade positiva e negativa da realidade), passando pela dialética hegeliana (A eterna busca de equilíbrio entre duas polaridades ao decorrer do tempo) e chegando ao pensamento analógico (as relações de proporção entre instâncias de realidades diferentes). Outros momentos interessantes estão na sua reflexão sobre a palavra zodíaco usando uma perspectiva etimológica e sobre o hieróglifo do planeta Saturno em comparação com ideogramas japoneses. O livro possui conteúdos interessantes para uma busca de validação da Astrologia, no entanto é desestruturado e heterogêneo e possui instrumentos linguísticos e estratégias de escrita que buscam blindar o texto contra críticas. A linguagem é densa e difícil e é indicado para pessoas que já possuem algum conhecimento básico em filosofia, astrologia e no esoterismo em geral.

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    Olavo Luís Pimentel de Carvalho

    Olavo de Carvalho é um conferencista, ensaísta, e autor brasileiro militante da direita política, atuando nas áreas do jornalismo e filosofia. Trabalhou em revistas e periódicos tais como Planeta, Bravo!, Primeira Leitura, O Globo, Época, Zero Hora, Jornal do Brasil e Jornal da Tarde. <br /> A tônica de seu pensamento é "a defesa da interioridade humana contra a tirania da autoridade coletiva, sobretudo quando escorada numa ideologia 'científica'".

    101 Livros
    645 Seguidores
    São Paulo, Brasil

    Olavo Luís Pimentel de Carvalho