Publicada em 1875 (22 anos antes de Drácula), Ville Vampire é uma das mais surpreendentes histórias de vampiro já escritas, combinando uma narrativa ágil com muita ação e situações inesperadas. Ousado, irreverente, o autor brinca com os clichês do romance de terror e coloca como heroína da história a própria Ann Radcliffe, uma das mais célebres autoras de novelas góticas. E o mais irônico é que a rocambolesca aventura supostamente vivida pela escritora é muito mais fantástica do que todas as histórias concebidas por ela. Esta novela poderia muito bem ter sido escrita nos dias de hoje. Contada num ritmo delirante, a história faz ao mesmo tempo uma paródia do romance de terror e a própria desconstrução do gênero. Os clichês e arquétipos da clássica novela gótica são habilmente manipulados, com todos os seus ingredientes: o fantástico, o assustador, o terrorífico, mas de uma forma irresistivelmente divertida. A estrutura narrativa de Cidade Vampiro, não linear, com saltos no tempo, cortes e efeitos teatrais, lembra história em quadrinhos ou filme de ficção científica, o que lhe dá um toque de modernidade. Tensa e pontuada por muita ação, a história ainda conta com personagens tão inusitados que beiram o surreal. Um de seus pontos altos é a magistral descrição de Selene, a cidade dos vampiros: cinética, onírica e lisérgica como uma viagem de ácido. Que formidável desafio teria o diretor de cinema que tentasse passar para a tela as imagens surreais da cidade dos vampiros, com sua esdrúxula arquitetura, suas estátuas de animais bizarros e donzelas transformadas em estátuas subjugadas por feras mitológicas!




