O que há de melhor – e de pior – nas histórias de detetive
Quando o assunto são histórias de detetive, não dá para não lembrar imediatamente das obras de Sir Arthur Conan Doyle e Agatha Christie. Portanto, a comparação é inevitável já na primeira página de “O Príncipe Fantasma”, o que não representaria necessariamente algo ruim se a obra seguisse seu caminho próprio ou, na pior das hipóteses, trouxesse mais do mesmo. O problema é que Remo Fusilli faz a alegria de todo fã de mistério nas primeiras páginas do livro, mas acaba com a esperança de uma boa surpresa pouco a pouco no decorrer dos capítulos. A história é aquela velha história: o advogado Rodolfo Spighi tem um valioso colar roubado pelo temível Príncipe Fantasma, famoso vilão que está sempre pronto para roubar fortunas e objetos valiosos, seja de quem, onde e como for. Rodolfo recorre então ao também famoso policial Gastão, um inteligente e perspicaz detetive particular. Assim, os dois homens se tornam amigos e passam a desvendar diversos outros mistérios juntos, a lá Sherlock e Watson. “O Príncipe Fantasma” tem tudo o que há de melhor em livros do estilo, como um detetive astuto, mistérios inteligentes e boas cenas de suspense; mas também reúne o que há de pior, principalmente por seu vilão que se fantasia constantemente sem ninguém perceber, que escapa da polícia sempre no último segundo e que rouba objetos de salas fechadas sem explicação. Em relação aos personagens, suas personalidades são agradavelmente clichês, com um policial Gastão com tudo o que Sherlock tem a oferecer e um Rodolfo aparvalhado e sem um mínimo tino para a área detetivesca, apesar de insistir na profissão. Como a história muitas vezes caía para o lado do humor, identifiquei um certo ar de Tommy e Tuppence, principalmente no delicioso capítulo (pelo menos em sua maior parte) “A Casa dos Espíritos”, em que Rodolfo se vê atormentado por mistérios na ausência de Gastão. O estranho é que “O Príncipe Fantasma” ganhou ares de “A Toca do Verme Branco”, de Bram Stoker, e não pela temática ou pelos personagens – mas por um erro grotesco de narrativa. Da mesma forma que o inacabado livro do escritor irlandês, “O Príncipe Fantasma” começa sendo narrado em primeira pessoa por Rodolfo, mas com o passar das páginas a terceira pessoa ganha forma, dando destaque ao policial Gastão, até que no fim Rodolfo simplesmente some da história. Sim, absurdo. Quem não gostar, que reclame sozinho – até tentei pesquisar sobre Remo Fusilli, mas não encontrei absolutamente nenhuma informação sobre sua vida e nem sobre possíveis outras obras. A única certeza é que o autor é italiano e que, aqui no Brasil, a obra foi lançada em 1963, mas não dá para saber muito mais do que isso. No mais, “O Príncipe Fantasma” é um livro bem gostoso de ler, mesmo com seus excessos, suas falhas e sua narrativa errática. Apesar dos pesares, é um livro bem divertido – pena não ser melhor estruturado.
