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    Fenomenologia do Espírito -

    Georg Wilhelm Friedrich Hegel

    Vozes
    2011
    554 páginas
    18h 28m
    ISBN-13: 9788532627698
    Português Brasileiro
    3.9
    153 avaliações
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    Favoritos12Desejados992Avaliaram153

    A consciência, ao abrir caminho rumo à sua verdadeira existência, vai atingir um ponto onde se despojará de sua aparência: a de estar presa a algo estranho, que é só para ela, e que é como um outro. Aqui a aparência se torna igual à essência, de modo que sua exposição coincide exatamente com esse ponto da ciência autêntica do espírito. E, finalmente, como apreende sua verdadeira essência, a coincidência mesma designará a natureza do próprio saber absoluto. Esta tradução da Fenomenologia do espírito foi publicada pela Vozes em 1992 em dois volumes e já teve cinco edições. Dez anos depois, aparece a tradução corrigida, em um só volume: é quase uma nova tradução, pois o original alemão foi cotejado linha por linha, e ainda comparado com as duas traduções francesas mais recentes. Este livro assinalou, em 1807, um marco no trabalho de Hegel, que começou a publicar sua primeira tentativa de construir um Sistema de Filosofia, com a Fenomenologia do Espírito, onde a fenomenologia desempenha uma função fundamental: a introdução à Ciência. A intenção do autor é articular com o fio de um discurso científico - ou com a necessidade de uma lógica - as figuras do sujeito ou da consciência que se desenham no horizonte do seu afrontamento com o mundo objetivo.

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    Caio Lobo picture
    Caio Lobo31/01/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Obra extremamente difícil e extremamente importante.

    É extremamente difícil por conta da linguagem que Hegel utiliza, como os muitos termos de complexa tradução do alemão, como Dasein (ser-aí), Fürsichsein (ser-para-si), Seiende (essente), Selbstwesenheit (autoessencialidade). O ideal para a leitura é ter um pouco do conhecimento de alemão, pois tradução de termos muitas vezes mais complicam do que ajuda. Outra dificuldade do livro é ser o que ele não parece ser, um enredo e não apenas um livro técnico, pior ainda é um livro técnico escrito em forma de narrativa da formação da consciência (Fenomenologia=formação, do Espírito=da consciência). De repente nls percebemos numa história onde o personagem principal é a consciência e seu desenvolvimento na história e seus conflitos e resoluções em direção ao Absoluto, porém é um personagem abstrato em ambientes também abstratos, e às vezes até concretos. É extremamente importante pois foi o livro que deu origem, para o bem e para o mal, das correntes mais importantes da filosofia moderna, como o marxismo e existencialismo, ao mesmo tempo que outros grandes filósofos bateram de frente com essa filosofia, como Schopenhauer e Nietzsche. Certamente Hegel não gostaria nada do marxismo, pois para ele a concretização final da história está no Absoluto-Deus e para Marx é o absoluto-matéria. A partir de Hegel (e depois independente e no mesmo período por Comte) e que surge a visão da história progressiva da humanidade para um ápice, um fim absoluto. Aqui a evolução se mistura e vê o homem como ápice do processo de consciência (o que não está de acordo com o desenvolvimento das espécies de Darwin, mas acabou maculando sua teoria indiretamente e assim surge um vislumbre de darwinismo social). A partir dessa obra que temos o conceito de tese, antítese e síntese da Dialética Hegeliana, mas não nessas palavras. Tese é Ser-em-si (Ansichsein), antítese é Ser-outro (Andersseins) e síntese é Ser-para-si (Fürsichsein). Um exemplo da Dialética Hegeliana: Ser-em-si (tese): planta como semente Ser-outro (antítese): a planta que sai de dentro da semente é já é outra coisa e não semente Ser-para-si (síntese): a planta totalmente formada e produz semente, ser planta e semente ao mesmo tempo. Hegel é genial e muito criativo, apesar de escrever difícil e não se expressar tão bem como um Platão ou Nietzsche na verdade Hegel se expressa tão exaustivamente como um Kant), e mesmo não concordando com ele em vários pontos, pois vejo a história como algo cíclico e não progressivamente e sua dialética não serve para tudo, pois muitas vezes a antítese é um objeto igual a si mesmo; porém tem pontos magníficos em sua ética como fazer o bem pelo próprio bem, e na arte o conflito entre visões, como o artista Renascentista é oposto ao Barroco, e o Neoclássico oposto a esse mas semelhante ao Renascentista e por fim o Romântico é antítese do Neoclássico, mas semelhante ao Barroco em certas características. E é maravilhosa a visão espiritual do ser em busca do Absoluto. Enfim, é um livro que na verdade compreendi cerca de apenas 25% e isso tudo que escrevi foi apenas uma pequena parte, pois a consciência passa por muitos estágios da razão, da ciência, moral, arte, politeísmo e religião revelada. Terei de ler esse livro muitas vezes no futuro para compreendê-lo plenamente.

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