Considero o autor, Michael Cunningham, um dos melhores escritores da atualidade.
Este livro conta a história de uma família: o pai, Constantine, imigrante de uma família grega, que chega aos Estados Unidos pobre e vai enriquecendo construindo casas populares; a mãe, Mary, americana, também filha de imigrantes (italianos) que vai viver as transformações das conturbadas décadas de 60, 70 e 80; e os três filhos: Susan, a "filha perfeita"; Billy, o filho gay que frustra todas as expectativas do pai; e a caçula Zoe, a mais estranha e complexa dos tres.
O livro vai acompanhando a vida desses personagens ao passar dos anos, traçando um painel dos Estados Unidos no final do século XX. Mudanças de costumes, experiências com drogas, brigas familiares (embates constantes entre pai e filho), infidelidade conjugal, o surgimento da AIDS, e questões envolvendo a complexa sexualidade de alguns personagens - como a drag queen Cassandra, amiga de Zoe e mais tarde amiga improvável de Mary. Alias, os encontros entre ambas garantem as melhores páginas deste livro!
Os capítulos alternam passagens tristes, engraçadas e emocionantes, e aponta para o surgimento de novos formatos familiares, muito mais sedimentados na relação amorosa entre pessoas do que simplesmente em laços sanguíneos.
Quem já leu outros livros do autor vai notar algumas situações que se repetem: uma personagem fazendo um bolo, outra que foge para se refugiar clandestinamente num hotel... Não sei ao certo qual o objetivo do autor em reprisar ações desse tipo, talvez humanizar ainda mais suas personagens.
Recomendo!