Partindo do pressuposto de que a obra de Cesário Verde se assumiu, ao longo da história da crítica literária, como um objecto estranho porque avesso a qualquer ato de catalogação estética, este livro apresenta dois instrumentos de leitura alternativos, respectivamente as obras de William Wordsworth e Fernando Pessoa. Mediante a consideração das mesmas pretende-se, não evidenciar a possibilidade de um exercício comparativo, mas antes clarificar os potenciais sentidos de uma poesia que, pela sua complexidade, tem sido sucessivamente remetida para uma posição indefinida. O estado de desactualização da História da Literatura Portuguesa e, simultaneamente, a constatação de uma relativa ineficácia dos estudos críticos no que concerne à obra de Cesário, deram aqui a possibilidade de, através de outras poéticas, se esclarecer o papel crucial que essa mesma obra desempenhou na evolução do nosso pensamento sobre questões relacionadas com Poesia.