Em busca da liberdade de expressão
Neste livro são coletados textos escritos por Emma Goldman, sobre questões relacionadas à mulher. Emma não era formada pela faculdade, mas por suas vivências. Então entre os assuntos pontuados por esta russa anarquista foi o papel da mulher, o casamento, o amor livre e o direito de voto. Peço ao leitor que não esteja acostumado com opiniões anarquistas não deixe de ler este post por conta de preconceito, pois neste poste irá falar sobre uma mulher em busca da liberdade do ser humano, livre-se das amarras morais e do Estado. Emma trabalhou assuntos teoricamente bobos, mas, na realidade, ela vai muito, além disto. Ela escreveu estes textos em 1910 quando a sociedade era ainda muito rígida com a liberdade de expressão e da mulher. Para contextualizar o período, Andrea Nye (1988) diz que: “As feministas liberais achavam que poderiam corrigir todos esses males através, primeiramente, do voto e, depois, com a legislação, mas Goldman mostrava em "Woman Suffrage" que o voto se havia convertido num fetiche que deveria resolver todos os problemas. Na verdade, o voto só iria piorar as coisas. As mulheres, quer votem ou não, aceitam o que as escraviza: a religião, o lar, a guerra. Portanto, uma mulher votante será apenas uma melhor cristã, dona-de-casa e cidadã, votando para isso. O voto se transformara num novo ídolo para as mulheres adorarem do mesmo modo como adoram deuses masculinos. O voto da mulher não teria sido progressista, no máximo teria sido reacionário. As votantes feministas tornaram-se meramente "espiãs políticas'' soprando as cometas da decência e da temperança. Não apoiariam a mudança no direito de família, liberdade sexual, separação da igreja e Estado ou partidos políticos. Pelo contrário, teriam apoiado causas humanitárias não-ameaçadoras, tais como prevenção de crueldade a crianças e animais ou ajuda aos deficientes. Poderiam refletir melhor sobre por que havia tantas crianças maltratadas e defeituosas a reabilitar.” (p. 60) Desta maneira, a crítica de Emma Goldman, sobre o papel da mulher na sociedade, do qual "desde sempre a maior desgraça da mulher foi ter considerá-la um anjo ou um demônio; sua verdadeira salvação consiste em considerá-la um ser humano, sujeito a todos as tolices e a todos os erros humanos.” (p.69) Emma Goldman vê nesta sociedade onde a mulher é demônio ou anjo, estas concepções de bem e mal estavam unidas a moral e as regras da sociedade. Assim, como parte da lógica da sociedade o casamento era um elemento fundamental na vida da mulher. Emma em busca de romper as amarras da sociedade pulou as barreiras que impedem a liberdade. Para nortear como ela faz isto, ela escreve que: "O amor, o elemento mais forte e mais profundo da vida, o precursor da esperança, da alegria, do êxtase; o amor, que desafia todas as leis, todas as convenções, o amor; o mais livre, o destino humano, como é possível que esta força totalizadora seja sinônima de matrimônio, essa pobre e mesquinha erva má engendrada pelo Estado e pela Igreja?" (p. 60) No trecho acima, vemos o quanto o papel da Igreja e do Estado dava o sentido de moralidade existente na sociedade. O papel da mulher era de submissão do qual não era preciso existir o amor pela pessoa do qual se casa, mas a necessidade de cumprir um contrato social. Emma Goldman em defesa do amor diz que: "O amor possui o mágico poder de converter o mendigo em rei. (...) Na liberdade se entrega sem reservas, abundante, total. Quando o amor é sua raiz não há leis, nem estatutos, nem tribunais em o universo capazes de arrancá-lo do solo. E sem impedimento, se o solo é estéril, como poderia o matrimônio ser fértil? É como a última luta desesperada da vida efêmera contra a morte." (p. 60-61) Desta forma, Emma Goldman facilmente engloba a questão do amar com o papel da mulher cumpre e deseja possuir em sua vida. Goldman visualiza a movimentação sufragista do qual fazem "mais de sessenta anos que a mulher tem criado uma nova atmosfera. Tem adquirido poder em qualquer dos campos do pensamento e da atividade humana. E todo foi feito sem o sufrágio, sem o direito de elaborar leis, sem o "privilégio" de ser juiz, conselheiro, ou carrasco". (p.83) Como provocação, ela critica a busca das sufragistas do direito de voto feminino, pois ela acredita que: "O que importa não é a classe de trabalho que realiza, senão a qualidade. E não pode dar ao sufrágio uma qualidade nova, como tampouco pode obter de nada realce sua própria qualidade. Seu desenvolvimento, sua liberdade, sua independência, devem surgir dela mesma. Primeiro, afirmando-se como pessoa e não como mercadoria sexual. Segundo, rejeitando o direito que qualquer um tenha domínio sobre seu corpo, negando-se a produzir filhos, ao menos que os deseje, negando-se a ser a serva de Deus, do Estado, da sociedade, da família, do esposo, etc; fazendo com que sua vida seja mais simples, mas também mais profunda mais rica. É dizer, em busca de aprender o sentido e a substância da vida em todos seus aspectos complexos, liberando-se do temor da opinião e das convicções públicas. Apenas isto, e não ao ato de votar. Haverá uma mulher livre, da qual converterá em força até agora desconhecida no mundo, uma força do verdadeiro amor, paz, harmonia; uma força como um fogo divino, revestido de vida: criador de homens e mulheres livres." (p.83) Emma Goldman foi uma das percussoras da liberdade completa de como viver e amar. Ao ponto de chegar a dizer que "O amor não necessita proteção; ele, em si, é a proteção." (p. 61). Assim, como a música “All you need is love” dos Beatles que vemos a retomada destes pensamentos libertários onde o indivíduo entendem que o amor é a fonte impulsora a cria e gera próprio destino, independente de ser mulher ou homem e sim humanos passiveis a errar e a acertar.

