Fariseus e Jesus - teologia e espiritualidade em relação ao sábado a partir de Mc 3:1-6: características e avaliação crítica

    Vanderlei Alberto Schach

    Unijuí
    2007
    200 páginas
    6h 40m
    ISBN-13: 9788561118006
    Português Brasileiro

    Uma análise de um grupo político-religioso do judaísmo em confronto com os ensinamentos de Jesus Cristo. Primeiramente são analisados as origens e pressupostos da teologia farisaica, envolvendo uma caracterização geral do grupo fariseu e uma breve descrição de outros grupos competidores. Num segundo momento se trata do conflito de Jesus com os fariseus em relação ao sábado, partindo de uma exegese de Mc 3:1-6. Também são traçados paralelos entre os fariseus e seu relacionamento com Jesus nos evangelhos sinóticos, bem como apresentado um excurso sobre o sábado judaico. A última parte, finalizando a pesquisa, envolve continuidade e descontinuidade da lei por parte de Jesus e o seu posicionamento diante do sábado e ainda pontos convergentes e divergentes de Jesus com os fariseus.

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    Usuário Anônimo10/10/2012Resenhou um livro
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    OS FARISEUS, JESUS E O SÁBADO

    Vanderlei Alberto Schach é natural de Campinas das Missões, RS. Bacharel em Teologia pela Faculdade Batista Pioneira, no qual é professor e leciona disciplinas na área de Novo Testamento. É mestre em Novo Testamento pela Escola Superior de Teologia em São Leopoldo, RS. Também é pastor na Igreja Batista Pioneira Esperança em Ijuí, RS. Fariseus e Jesus é um livro que trata dos conflitos entre os ensinamentos de Jesus acerca do sábado e os ensinamentos dos fariseus, grupo político-religioso da época. No começo do livro o autor trata a teologia farisaica, fala das características do grupo, e também faz uma pequena descrição de outros grupos que coexistiram no mesmo período. Logo após, fala-se sobre o confronto de Jesus com os fariseus em relação ao sábado, com base no texto de Marcos capítulo 3, versículos 1 ao 6. Além disso, também é tratado um pouco a respeito do relacionamento de Jesus com os fariseus, e a obra é finalizada discutindo a possível continuidade da lei por Jesus e sua posição a respeito do sábado. Na primeira parte do livro o autor destaca que as fontes pesquisadas a respeito dos fariseus foram o Novo Testamento, Josefo e a Literatura Rabínica. Os fariseus foram o grupo de maior influência da época do Novo Testamento. Eles controlavam a maioria da população de Israel com seus afazeres, eram um partido popular, tinham afinidade com os escribas, mas não se identificavam com eles. Para fazer parte do grupo era necessário passar por um período de provas. Segundo Josefo, existiam cerca de seis mil fariseus. Logo após trata-se de uma forma resumida de outros grupos da época, como os saduceus, os essênios e os zelotes. Após isto, Schach fala sobre a compreensão que os fariseus tinham da Torá escrita e oral, e da evolução da oral. Então fala-se sobre algumas características da fé farisaica: eles eram monoteístas, ou seja, acreditavam somente em um deus, o Deus do Antigo Testamento. Acreditavam na ressurreição dos mortos, e que eles iriam ressurgir com o corpo. Criam em espíritos e anjos. Conciliavam a predestinação com o livre arbítrio, e tinham padrões éticos elevados, o que levava muitos fariseus a se tornarem homens de justiça própria. Na segunda parte da obra faz-se uma exegese do texto de Marcos, capítulo 3, versículos 1 ao 6, passagem em que Jesus cura, no sábado, um homem que tinha a mão ressequida. O texto inteiro sofre uma longa análise baseada no grego, sua língua original. Marcos provavelmente escreveu antes de 66 d. C. para os romanos. O autor também destaca nesta parte, que no livro de Mateus, existe uma diferença no tratamento dos fariseus que contrasta um pouco com os outros evangelhos sinópticos. Mateus está constantemente falando dos fariseus, e quase sempre eles são tratados como inimigos diretos de Jesus. Em relação ao episódio do homem com a mão ressequida, o autor começa a falar sobre as questões que envolviam o sábado. Historicamente muitos estudiosos concordam que o sábado é uma adaptação de um dia parecido na Mesopotâmia. Na criação Deus santificou o sábado, e fez dele um convite para que as pessoas reconhecessem Sua soberania sobre a criação. O sábado foi feito para ser um dia de descanso e consagração a Deus. No antigo testamento o sábado era uma mescla de dia de descanso e culto a Deus. No período intertestamentário se estabeleceu uma espécie de cerca ao redor do mandamento do sábado para que ele fosse preservado durante o período da helenização. Com o tempo começaram a se observar coisas mínimas que se podiam ou não fazer neste dia. Na última parte da obra, Schach fala sobre o posicionamento de Jesus em relação ao sábado. Às vezes Jesus radicalizava a Lei, outras vezes a relativizava. Isso indica que a posição de Jesus tinha dois lados, Jesus intensifica a observância de mandamentos éticos, mas atenua em relação às leis rituais. Em relação ao sábado, ele não poderia mais ser considerado um dia de culto, sem que se cumprisse o mandamento do amor para com o próximo. Jesus descontinua a lei do sábado, pois ela impede o mandamento do amor. Após isto, também são destacadas de forma sintetizada algumas leis que Jesus descontinuou ou deu uma nova interpretação, e as leis que ele deu continuidade, como o primeiro mandamento, a proibição do homicídio e adultério, o amor ao próximo etc. Fariseus e Jesus é ótimo livro para o estudo e aprofundamento do assunto nele tratado. A sua segunda parte é de leitura difícil, principalmente para quem não tem conhecimento das línguas originais do texto de Marcos. Deve ser lido com calma e bastante tempo para que se retenha mais do seu conteúdo, que é muito interessante e útil. É altamente recomendado para estudantes de Teologia e aqueles que querem se aprofundar no conhecimento das Escrituras.

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