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    Manuelzão e Miguilim - Corpo de Baile

    João Guimarães Rosa

    Nova Fronteira
    2001
    265 páginas
    8h 50m
    ISBN-10: 8520911773
    Português Brasileiro
    4.1
    2402 avaliações
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    As duas novelas que formam este volume foram publicadas originalmente como parte de "Corpo De Baile", passando a ter vida editorial autônoma, sob o título de "Manuelzão E Miguilim". Manuelzão e Miguilim é uma obra composta por duas narrativas: Campo Geral e Uma Estória de Amor. Ambas são carregadas de lirismo. Em Campo Geral, vemos a habilidade de Rosa para recriar o mundo captado pela perspectiva de uma criança. Se a infância aparece com frequência nos textos rosianos, sempre ligada à magia de um mundo em que a sensibilidade, a emoção e o poder das palavras compõem um universo próximo ao dos poetas e dos loucos, é em Miguilim, nome com que passou a ser conhecida a novela, que essa temática encontra um de seus momentos mais brilhantes e comoventes. É uma espécie de biografia de infância —que alguns críticos afirmam ter muito de autobiográfico – centrada em Miguilim, um menino que morava com sua família no Mutum, um remoto lugarejo do sertão. O aprendizado das coisas do mundo é a travessia que se impõe a Miguilim; crescer implica a perda da ingenuidade e a dor. Miguilim vive no Mutum, região isolada e primitiva, com sua família. O pai — Bernardo — é um homem rústico, embrutecido e que se destrói; a mãe — Nhanina — é frágil e insatisfeita; os irmãos - Dito, Tomezinho, Chica e Drelina —; a avó Izidra; o tio Terez; Rosa e Mãitina, ajudantes de sua mãe no serviço da casa; os vaqueiros vizinhos; o papagaio, Pinto-de-Ouro; o gato; os cachorros; os malvados Liovaldo (irmão da cidade) e Patori são o seu universo, instrumentos de sua travessia pelas veredas do Mutum e pela vida. Manuelzão - condutor de boiadas - fazedor da festa na Samarra.

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    Déia Alves picture
    Déia Alves17/02/2026Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    Corpo de Baile: Manuelzão e Miguilim

    Manuelzão (Uma Estória de Amor) A história do personagem Manuelzão é baseada na vida real do vaqueiro Manuel Nardi. Manuelzão é um senhor vaqueiro solteiro cuja vida já se aproxima da velhice. Respeitado por todos nos arredores da Samarra, a fazenda que administra com zelo, e desfrutando de uma vida confortável, decide fazer uma festa de inauguração da humilde capela que construíra em devoção à Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Durante a inauguração e a festa, Manuelzão é levado a profundas reflexões sobre seu passado, sobre sua vida atual e sobre os rumos que sua vida poderia ter tomado. Além das reminiscências que faz de sua própria vida, Manuelzão nos convida a observar um pouco da vida de todas as pessoas que festejam com ele. Com uma narrativa poética, rimas e muita sensibilidade, João Guimarães Rosa, nos mostra a vida dos vaqueiros e suas famílias, abordando temas como amizade, fé, confiança, saudade, generosidade e bondade. Miguilim (Campo Geral) Trata-se de um romance regionalista cujo personagem principal é Miguilim, um menino por demais de esperto que vive no vilarejo do Mutúm lá no sertão dos Gerais. Eu tenho um carinho especial por protagonistas infantis, e Miguilim ganhou meu coração por sua inocência e sua curiosidade em compreender o mundo dos adultos. Dito, seu irmão mais novo e seu melhor amigo, é dotado de uma sabedoria que nem mesmo os adultos têm, mas lhe é tão imanente que ele sequer tem consciência de que a possui. A história é tão bem escrita que nos aproxima dos personagens e de suas vidas simples, de poucos recursos, sem grandes sonhos e de muito trabalho. O que falta em conforto no Mutúm, sobra em riquezas naturais das quais alguns de nós jamais viu, e o conhecimento dos personagens sobre as espécies de animais, a terra, as plantas e árvores foi quase humilhante pra mim, que só conheço cachorros e gatos... e ipês. João Guimarães Rosa não abre mão de narrar a história fazendo uso da linguagem própria da região: o falar sertanejo. Confesso que foi difícil por demais da conta me adaptar à escrita dessa linda história, e essa dificuldade é uma demonstração clara da riqueza da nossa língua mãe da qual eu tanto me orgulho. E com essa lindeza de simplicidade, Rosa nos mostra que, sejamos do sertão ou da cidade, todos nós somos seres complexos, dotados dos mesmos sentimentos e emoções e precisamos lidar com problemas próprios da natureza humana: conflitos familiares, perdas, mágoa, inveja, ira, amizade, amor, perdão e amadurecimento. Miguilim, mesmo sendo criança, não é poupado das agruras da vida, mas ele não é diferente de muitos meninos da sua idade, que gosta de brincar e é cheio de curiosidade. A descrença e frustração de sua mãe, não lhe tira a esperança de conhecer o mar e tudo o mais que existe para além do Mutúm. "Mar era longe, muito longe dali, espécie duma lagôa enorme, um mundo d’água sem fim, Mãe mesma nunca tinha avistado o mar, suspirava. — “Pois, Mãe, então mar é o que a gente tem saudade?"" Apesar dos reveses, Miguilim e Dito me ensinaram que vale a pena viver e sonhar; e que é possível preservar um espírito alegre (por dentro), inabalável pelo temporal do lado de fora. Porque assim como o sol vai mas depois volta, o temporal vai cessar em alguma hora. “é que a gente pode ficar sempre alegre, alegre, mesmo com toda coisa ruim que acontece acontecendo. A gente deve de poder ficar então mais alegre, mais alegre, por dentro!...” Amei! ♥️✔️

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    João Guimarães Rosa profile picture

    João Guimarães Rosa

    Guimarães Rosa foi um dos mais importantes escritores brasileiros de todos os tempos. Foi também médico e diplomata. Os contos e romance escritos por Guimarães Rosa ambientam-se quase todos no chamado sertão brasileiro. A sua obra destaca-se, sobretudo, pelas inovações de linguagem, sendo marcada pela influência de falares populares e regionais. Tudo isso, somado a sua erudição, permitiu a criação de inúmeros vocábulos a partir de arcaísmos e palavras populares, invenções e intervenções semânticas e sintáticas. Consonante aos debates sobre a lírica moderna mundial, sua obra também inovou por criar um modo de fazer poesia num texto em prosa. ___ Guimarães Rosa (João G. R.), contista, novelista, romancista e diplomata, nasceu em Cordisburgo, MG, em 27 de junho de 1908, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 19 de novembro de 1967. Foram seus pais Florduardo Pinto Rosa e Francisca Guimarães Rosa. Aos 10 anos passou a residir e estudar em Belo Horizonte Em 1930, formou-se pela Faculdade de Medicina da Universidade de Minas Gerais. Tornou-se capitão médico, por concurso, da Força Pública do Estado de Minas Gerais. Sua estreia literária deu-se, em 1929, com a publicação, na revista O Cruzeiro, do conto "O mistério de Highmore Hall", que não faz parte de nenhum de seus livros. Em 36, a coletânea de versos Magma, obra inédita, recebe o Prêmio Academia Brasileira de Letras, com elogios do poeta Guilherme de Almeida. Diplomata por concurso que realizara em 1934, foi cônsul em Hamburgo (1938-42); secretário de embaixada em Bogotá (1942-44); chefe de gabinete do ministro João Neves da Fontoura (1946); primeiro-secretário e conselheiro de embaixada em Paris (1948-51); secretário da Delegação do Brasil à Conferência da Paz, em Paris (1948); representante do Brasil na Sessão Extraordinária da Conferência da UNESCO, em Paris (1948); delegado do Brasil à IV Sessão da Conferência Geral da UNESCO, em Paris (1949). Em 1951, voltou ao Brasil, sendo nomeado novamente chefe de gabinete do ministro João Neves da Fontoura; depois chefe da Divisão de Orçamento (1953) e promovido a ministro de primeira classe. Em 1962, assumiu a chefia do Serviço de Demarcação de Fronteiras. A publicação do livro de contos Sagarana, em 1946, garantiu-lhe um privilegiado lugar de destaque no panorama da literatura brasileira, pela linguagem inovadora, pela singular estrutura narrativa e a riqueza de simbologia dos seus contos. Com ele, o regionalismo estava novamente em pauta, mas com um novo significado e assumindo a característica de experiência estética universal. Em 1952, Guimarães Rosa fez uma longa excursão a Mato Grosso e escreveu o conto "Com o vaqueiro Mariano", que integra, hoje, o livro póstumo Estas estórias (1969), sob o título "Entremeio: Com o vaqueiro Mariano". A importância capital dessa excursão foi colocar o Autor em contato com os cenários, os personagens e as histórias que ele iria recriar em Grande sertão: Veredas. É o único romance escrito por Guimarães Rosa e um dos mais importantes textos da literatura brasileira. Publicado em 1956, mesmo ano da publicação do ciclo novelesco Corpo de baile, Grande sertão: Veredas já foi traduzido para muitas línguas. Por ser uma narrativa onde a experiência de vida e a experiência de texto se fundem numa obra fascinante, sua leitura e interpretação constituem um constante desafio para os leitores. Nessas duas obras, e nas subsequentes, Guimarães Rosa fez uso do material de origem regional para uma interpretação mítica da realidade, através de símbolos e mitos de validade universal, a experiência humana meditada e recriada mediante uma revolução formal e estilística. Nessa tarefa de experimentação e recriação da linguagem, usou de todos os recursos, desde a invenção de vocábulos, por vários processos, até arcaísmos e palavras populares, invenções semânticas e sintáticas, de tudo resultando uma linguagem que não se acomoda à realidade, mas que se torna um instrumento de captação da mesma, ou de sua recriação, segundo as necessidades do "mundo" do escritor. Além do prêmio da Academia Brasileira de Letras conferido a Magma, Guimarães Rosa recebeu o Prêmio Filipe d'Oliveira pelo livro Sagarana (1946); Grande sertão: Veredas recebeu o Prêmio Machado de Assis, do Instituto Nacional do Livro, o Prêmio Carmen Dolores Barbosa (1956) e o Prêmio Paula Brito (1957); Primeiras estórias recebeu o Prêmio do PEN Clube do Brasil (1963).

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    Minas Gerais, Brasil

    João Guimarães Rosa