Muito fraquinho
Trama de espionagem inspirada em fatos reais: a crise dos mísseis em Cuba, em 1962. Contudo fica difícil acreditar que exista sequer um fundo de verdade nessa história cheia de estereótipos, chavões e clichês: os russos são carrancudos e sisudos, os cubanos são rudes e sórdidos, os franceses são arrogantes e sensuais. Com a exceção do herói André Devereaux, que aprendeu todos os seus bons hábitos com os americanos. Quanto aos americanos, são simplesmente a encarnação da honra, da honestidade e da coragem. Isso para não falar dos conceitos extremamente machistas do autor, que o fariam ser linchado em praça pública caso tivesse escrito esse livro nos dias de hoje, e não na década de 1960. Lá pela página cento e tantas tive uma sensação esquisita, de irrealidade. É que todos os personagens da história são absolutamente bidimensionais. Não há profundidade, não há nuances. Isso é grave em qualquer romance, mas em uma trama de espionagem, aff!!! Fiquei me perguntando o que teria visto Hitchcock nessa história para decidir filmá-la. Na verdade, o fato de “Topázio” ter inspirado um filme de Hitchcock foi minha grande motivação para ler o livro. Ao final da leitura, uma consulta à Internet me revela que na verdade Hitch foi obrigado a filmar “Topázio”, uma exigência da Universal, que intencionava “modernizar” o cinema do Mestre, que por essa época estava sendo considerado ultrapassado por alguns. Um tiro que saiu pela culatra, pois o resultado é tido como um dos piores – se não o pior – filmes de Alfred Hitchcock. Do Leon Uris, li “Grito de Guerra”, que achei assim assim. Sei que suas obras mais aclamadas são “Exodus” e “QB VII”, mas depois desse “Topázio”, tão cedo quero voltar a ler algo dele. Muito fraquinho. http://comunidaderesenhasliterarias.blogspot.com/2018/08/topazio-leon-uris.html





