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    O Conde de Abranhos (Coleção Prestígio) -

    Eça de Queiroz

    Ediouro / Tecnoprint S. A.
    2000
    102 páginas
    3h 24m
    ISBN-10: 8530914805
    Português Brasileiro
    3.8
    17 avaliações
    Leram50Lendo4Querem41Relendo0Abandonos4Resenhas2
    Favoritos0Desejados41Avaliaram17

    Poucos textos, como O Conde d’Abranhos, se tornaram tão célebres nas letras portuguesas e tantas vezes nenhum outro foi citado como um dos mais polémicos que Eça de Queiroz concebeu. Retrato de um político - do «político», diríamos - recupera a lição que no seu tempo era ainda fortíssima e que se impusera como arquétipo do procedimento público de certas figuras que desde as lutas domésticas tinham dominado a cena política nacional. Não sabemos hoje se o Conde d’Abranhos corresponde a um modelo ou se pretende retratar uma personagem real, naturalmente caricaturizada e exagerada. No entanto em muitos aspectos da caracterização do Conde estão latentes algumas das facetas de diversos políticos do século XIX cuja actuação e actividades escandalizaram finalmente a nação após o que parecia ser o curso impune das suas imoralidades e perfídias. Obra de notável perspicácia social onde o grande escritor revela, uma vez mais, a sua extraordinária capacidade analítica, O Conde d’Abranhos é um texto audaz e infelizmente inultrapassado em tantos aspectos da crítica mordaz e da sátira que nele atingem momentos inexcedíveis.

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    Raquel Lima picture
    Raquel Lima10/06/2010Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Qual o partido ?

    Entre risadas e muito raiva, fiquei sem saber qual o partido que o Conde está filiado...DEM, PSDB, PT, PP... O Conde passaria despercebido nos corredores do Congresso. Muito triste vermos em uma crítica política do século passado o retrato ainda da politica e dos políticos que temos hoje em nosso país. É revoltante ver a falta de ideologia, ou somente a ideologia da vantagem, a falta de ética, a manipulação popular, a divisão do bolo por interesse, a falta de competência, o descaso. Uma grande lição para o ano eleitoral. Em uma passagem, Eça consegue retratar a cultura que estamos criando da dependência governamental em detrimento a responsabilidade que a cidadania também abrange: " O Governo! O paiz esperava d`elle aquillo que devia tirar de si mesmo, pedindo ao Governo que fizesse tudo o que lhe competia a elle mesmo fazer!...Queria que o Governo lhe arroteasse as terras, que o Governo alimentasse os seus filhos, que o Governo erguesse os seus edificios, que o Governo lhe desse a idéa do seu Deus! Sempre o Governo! (...) Quando uma Paiz abdica assim nas mãos d`um Governo toda a sua iniciativa, e cruza os braços, esperando que a civilização lhe caia feita das secretarias, como a luz lhe vem do sol, esse Paiz está mal: as almas perdem o vigor, os braços perdem o habito do trabalho, a consciencia perde a regra, o cerebro perde a acção. E como o Governo lá está para fazer tudo - o Paiz estira-se ao sol e accommoda-se para dormir. Mas, quando acorda..."

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    José Maria de Eça de Queiroz

    José Maria de Eça de Queiroz nasceu em Póvoa do Varzim, norte de Portugal, de pais que não eram casados – só o fariam quatro anos depois. Essa situação, escandalosa para a época, talvez tenha contribuído para a visão profundamente crítica à moral da classe média portuguesa que o escritor imprimiu à sua obra. Eça ingressou aos 16 anos na Universidade de Coimbra, de onde saiu formado em Direito. Nesse período reuniu-se a outros jovens literatos, como Antero de Quental, que formaram o grupo conhecido como a Geração 70. Mudou-se para Lisboa, seguindo uma carreira de jornalista que continuaria em Évora e em sua volta para a capital. Em folhetins e na poesia, havia até então sido um adepto do Romantismo. Contudo, na volta a Lisboa, tomou parte no grupo de intelectuais conhecido como <i>O Cenáculo</i>. Sob a influência do escritor Gustave Flaubert e do teórico anarquista Pierre-Joseph Proudhon, aderiu ao Realismo. Em 1870, publicou, em parceria com Ramalho Ortigão, o romance <i>O mistério da estrada de Sintra</i>. No mesmo ano ingressou na carreira diplomática e, dois anos depois, assumiu o posto de cônsul em Havana – seguida por cidades europeias. Em 1895, sob a influência do Naturalismo, publicou o romance <i>O crime do padre Amaro</i>, que provocou protestos da Igreja e de setores da sociedade. Três anos depois, <i>O primo Basílio</i> teve recepção semelhante, apesar do sucesso de vendas. Em 1888 saiu <i>Os Maias</i>, romance considerado sua obra-prima. Parte da extensa obra do escritor, como o romance <i>A cidade e as serras</i>, veio à luz postumamente. Eça, que deixou quatro filhos, morreu em Paris, de tuberculose.

    274 Livros
    719 Seguidores

    José Maria de Eça de Queiroz