Em tempos de culto irrestrito à globalização, falar de nacionalismo pode soar como uma provocação aos ardorosos defensores da globalização e do estilo neoliberal de fazer política: mas não é, seguramente, a eles que este livro se dirige,sim aos professores que insistem em crer que a Escola pública brasileira é e pode se constituir em um espaço de construção democrática, que compreendem que a Escola é um patrimônio por demais valioso para sucumbir às estratégias passageiras que buscam, hoje, dilapidar o próprio sentido da vida em sociedade — nesta sociedade precisa em que vivemos. Este sentido por muito tempo recebeu, ao longo de nossa história, o nome de nação.Pensar a nação brasileira, republicana, foi decerto o exercício predileto de nossas elites, mas foi mais do que isto: foi, também, estabelecer o terreno em que os ideais democráticos de participação coletiva, de justiça, de igualdade puderam e podem ser formulados, isto é, foi instituir a ideia do espaço público entre nós. Nesta instituição, o papel da Escola nada tem de acessório, como não são acessórios os adjetivos que prevaleceram em sua denominação: universal, laica,gratuita, obrigatória— em sua identidade, tanto quanto em suas funções, a Escola resume as características que definem o espaço público, diretamente implicado pelo ideal democrático de participação, em contraposição ao espaço privado não apropriado pela ação coletiva.
A escola e a nação -
Lílian do Valle
Letras e Letras
1997
144 páginas
4h 48m
ISBN-10: 8585387769
Português Brasileiro
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