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    Vestígios da Senhorita B -

    Renata Belmonte

    Coleção Cartas Bahianas
    2009
    48 páginas
    1h 36m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    3.9
    6 avaliações
    Leram10Lendo4Querem2Relendo0Abandonos0Resenhas1
    Favoritos2Desejados2Avaliaram6

    Um pequeno bilhete. A última fotografia: ela, já de costas para o mundo, esperando o trem que a levaria para a sua nova vida. Uma cama, um vestido, um livro: vestígios. Alguém que foge sem que se saiba o porquê. Ela: a Senhorita B. Construído com o corpo, o livro Vestígios da Senhorita B. propõe uma busca sobre o verdadeiro sentido da palavra identidade. Como delimitar apenas com um combinado de letras a existência de cada ser? Sim, o nome é a única coisa imutável que carregamos conosco, durante as nossas vidas. Mas como um singelo nome pode dar conta das múltiplas transformações que sofremos com o passar dos anos? Qual o limite existente entre o personagem e o autor durante o processo de escrita? Não é a literatura um meio de poder ser muitos outros? E por que precisamos dela, se não conseguimos pertencer sendo apenas um? O livro Vestígios da Senhorita B. pode este ser lido tanto como uma novela quanto como um conjunto de contos. Também pode ser visto como um álbum de fotografias onde as legendas contam uma história através da poesia. E, sim, de certa forma, o Vestígios da Senhorita B. é um livro de memórias. Mas memórias de quem? Daquela que escreve, da que se diz personagem ou da que preferiu desertar no meio do caminho? Memórias reais ou inventadas? Ora, não importa. Porque qualquer memória, real ou não, é sempre verdadeira. Entre enredos, tempos e significados.

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    José Ricardo da Hora Vidal picture
    José Ricardo da Hora Vidal02/02/2010Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Vestígios Póeticos e Existenciais de Renata Belmonte - Ricardo Vidal

    Uma cama. Um vestido. Um livro. Três indícios de um sonho. Três flagrantes de uma vida. Três momentos que resumem os questionamentos da personagem-título de “Vestígios da Senhorita B”, o mais recente livro lançado por escritora Renata Belmonte pela coleção “Cartas Bahianas”. Mas quem será a misteriosa senhorita B, do qual se lê vestígios de poesia e existência? As 50 páginas do livro dentro da capa em formato de envelope contam a história da protagonista, conhecida apenas pelas letras “R” e “B”. A narrativa não-linear apresenta três capítulos soltos, em que a autora mergulha poeticamente na alma da personagem, devassando suas angustias e a dialética de amadurecimento, ao contrapor a busca pela afirmação da sua existência com a realidade cotidiana e prática. A história é narrada em primeira pessoa, o que leva a uma dúvida: seria a Senhorita B a própria Renata Belmonte? As letras que a identificam são as mesmas que compõe as iniciais da autora. A história também parece indicar flagrantes reais da vida da própria autora, tornando a obra numa espécie de ficção autobiográfica. Mas o livro vai mais além deste exercício. Os três instantâneos da vida da personagem conduzem o leitor pelos labirintos da existência humana e lança luz sobre questões mais profundas como solidão, sentimento de culpa e a busca da identidade. Renata Belmonte parecer retomar um pouco a questão de Jean Paul Sartre, de que a existência precede a essência: o ser humano é jogado na vida e depois molda sua personalidade ao longo de sua vida. E uma personalidade sensível como é a Senhorita B sabe que esta tarefa é difícil: há a dialética da vida, com seus meandros e armadilhas, com suas contradições que não admite conceitos absolutos. Pelo contrário, o ser humano aparece mesclado, onde anjos e demônios convivem numa mesma pessoa confusa. Assim, numa noite de São João perdida na infância, B experimenta a inocente crueldade infantil misturada com um sentimento de culpa. O amor não chegará puro na noite de debutante – deixará uma mácula para o resto da vida. Diante destes fatos que a senhorita B se constrói como ser humano, a “mulier sapiens” que reflete sobre suas fragilidades e ainda assim não deixa de sonhar – mesmo que o sonho seja efêmero. Mas a construção da identidade como mulher se dá em meio a tormentas. E este turbilhão de lembranças se reflete nas curvas no texto – este reinventa as palavras e redireciona a sintaxe, fazendo que o mesmo ganhe ares de poema em prosa – como se pode observar nas palavras iniciais do livro “Com a mala cheia de insultos, ela guardou as dores do mundo e vestiu um poema barato”. E os capítulos, apesar de seguirem uma ordem cronológica clara (infância, 15 anos, início da juventude), estão soltos, como se contos fossem (o que não seria estranho, considerando que os dois livros anteriores de Renata são de contos). Pode-se lê-lo fora da ordem, e ainda assim o resultado final é o mosaico do amadurecimento de B. Mosaico que se fecha com blog e no curta-metragem homônimos. “Vestígios da Senhorita B” é um livro cativante, poético e experimental que retrata a busca poética e existencial de uma jovem na busca de seu lugar no mundo. É a mesma busca que todos nós, seres humanos, fazemos e que também deixamos vestígios neste longo estradar da vida e que nunca se sabe a que destina…

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    3.9 / 6
    • 5 estrelas33%
    • 4 estrelas33%
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    Renata Belmonte

    RENATA BELMONTE é autora do romance Mundos de uma noite só (finalista do Prêmio São Paulo de Literatura de 2020 e semifinalista do Prêmio Oceanos de 2021) e de três livros de contos: Femininamente (Prêmio Braskem de Literatura, 2003), O que não pode ser (Prêmio Arte e Cultura Banco Capital, 2006) e Vestígios da Senhorita B (2009). Doutora em Direito pela Universidade de São Paulo (USP) e mestra pela Fundação Getulio Vargas (FGV), a autora é também advogada.

    11 Livros
    1 Seguidor

    Renata Belmonte