Hora de Crescer Interiormente - O Mito de Hércules Hoje

    Trigueirinho

    PENSAMENTO
    1999
    157 páginas
    5h 14m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    A partir de observações baseadas, por um lado, em relatos estritamente mitológicos e, por outro, em fatos da vida moderna, Trigueirinho constrói uma narrativa esplêndida e vivaz que ajuda a entrever soluções para os mais pungentes assuntos que inquietam os homens do nosso tempo.

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    Carla Parreira14/10/2023Resenhou um livro
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    Hora de crescer interiormente

    🤗 Eis um breve resumo: Somos a nossa consciência e nosso corpo físico é a forma que a consciência mantém a fim de experimentar fisicamente as terceira e quarta dimensões. Nós somos a nossa consciência e o nosso corpo simplesmente nos contém. Multidimensional é o que somos em essência e estamos infinitamente em todos os lugares, em todas as realidades, em todas as dimensões, em todas as freqüências porque somos um componente do Todo. O consciente desconhece o esforço que o ser interior faz para conduzi-lo por um caminho de luz. Cada desvio por trilhas obscuras reduz a fluência da energia espiritual sobre os corpos e limita o cumprimento do Plano Evolutivo. Devemos despertar para cooperar com a evolução, capturando os animais ferozes e cruzando o primeiro portal onde a alma (representada por Hércules no mito) e a personalidade (o amigo) devem trabalhar juntas, unindo todas as suas energias. Caso contrário, certos aspectos da mente (os animais ferozes) jamais poderão concentrar-se na meta evolutiva e, continuarão devastando e ameaçando o ser. O instrutor que auxilia Hércules é a mente superior. Devemos deter a mente que critica, que tem idéias e teorias próprias, que é eivada de preconceitos, e transportá-la para outro patamar, levando-a a captar o pensamento superior, a energia da alma. Eis a tarefa hercúlea a ser empreendida por nós. Esse processo é longo. O instrutor diz a Hércules que um fracasso, quando bem compreendido, garante o crescimento da consciência. Então ele é conduzido ao segundo portal. Sem o amigo que fora morto pelas feras, ele segue solitário em sua busca. Então ele encontra três seres de um olho só que representam a vontade espiritual, o amor-sabedoria e a inteligência ativa. O labirinto da ilha é vencido quando o homem já perdeu uma série de ilusões, pois então as promessas de gozo não mais o atraem tanto. O touro capturado simboliza o potencial criativo. Para “montar o touro”, levando-o da separatividade e do desejo pessoal ao continente do “bem grupal”, são necessárias a cooperação da mente e da vontade e a reeducação do ato de respirar (tendo o menos número de respirações por minuto). A energia sexual pode ser sublimada em todos os seus aspectos de desejos e transformar-se em capacidade de criar em níveis de consciências superiores, já abertos ao homem. Tudo possui um par complementar de polaridade oposta. Hércules parte em busca da árvore que dá maçãs de ouro e lhe é dada a lição de que podemos ser ajudados, mas jamais substituídos. Um dragão protegia três virgens que guardavam a árvore. Ele é avisado de que passaria por cinco testes. Ele não passa no primeiro teste que era o de escutar sua intuição, seu instrutor interno. Depois, quando a escuta, procura a árvore através da aparência e assim, é reprovado no segundo teste por estar preso à ilusão do plano físico. Não obstante acontece o mesmo com o terceiro teste, quando ele acha que a verdade está fora dele e segue instruções de um falso instrutor. Mas então ele consegue despertar e livrar-se dos seus enganos. Depois disso ele enfrenta o quarto teste e é parabenizado por ajudar Prometeu a se libertar, o qual representa o nosso eu interior prisioneiro dos próprios atos do passado ligados ao ego humano na vida material, o que não obstante geram os carmas. Mais adiante encontra um gigante chamado Atlas, que representa seu eu superior, o qual carrega o mundo nas costas. Esquecendo de si e das maçãs que buscava, Hercules o ajuda a carregar o mundo e então o gigante dá-lhe as maçãs de ouro por tanto tempo foram procuradas. Quando o homem age desinteressadamente, sem visar resultados para si, esse processo dá-se natural e gradualmente, sem preocupações, ansiedades nem conflitos. As virgens surgem e dizem a ele que o altruísmo o levou a encontrar as maçãs e que ele deveria levá-las consigo sem se preocupar com mais nada. Assim ele finaliza com alegria o quinto teste. Outra etapa surge: levar a corça ao templo, tendo como companhia Artemísia e Diana. Quando o indivíduo emerge da consciência da massa, interage com o instinto (Artemísia), com o intelecto (Diana) e com a intuição (corça), tendo consciência dessas três energias bem diferentes entre si. O instinto deve transformar-se em intuição através do intelecto, e contraditoriamente, para isso acontecer, o eu consciente não se deve deixar influenciar nem pelo instinto e nem pelo intelecto, mas seguir a voz da sabedoria. A busca que o homem empreende ora se identifica com o passado (instinto), ora com o presente (intelecto), ora com o futuro (intuição), etapas evolutivas da humanidade. É preciso depositar a intuição no templo de união do Todo. Artemísia não é aceita no templo e Diana só pode entrar nele por alguns momentos. Esse templo equivale ao corpo da alma, que vai absorvendo, transformadas, todas as tendências humanas. As vozes de Artemísia e de Diana acompanham todos nós, no decorrer da nossa vida. Somente quando conquistamos o domínio da personalidade é que conseguimos ser realmente útil ao mundo e à humanidade. Esse processo evolui a partir do momento em que a alma não tem ais sede de experiências no mundo; estando nele, inicia-se, então, um ciclo em que ela vive muitos conflitos. Á medida que se constrói a ligação entre os próprios corpos, buscando-se integrá-los, deve-se trabalhar principalmente o aperfeiçoamento do caráter, a purificação e o controle dos vícios. O momento em que o indivíduo decide transcender definitivamente as forças terrestres, representadas pela sua própria personalidade, é simbolizado, no mito em estudo, pelo episódio em que Hércules assume a tarefa de matar o leão de Neméia. Este é o quinto portal. Adiante vem a prova da dualidade a ser vencida como um sexto portal. Uma alma não busca outra alma, mas o próprio centro, onde encontra a presença de todas as outras almas. À medida que o carma é equilibrado (boas ações sobrepostas às más), as polaridade também se equilibram inexplicavelmente. A resolução positiva desse problema da união das polaridade e do correto uso da energia criativa dentro de cada indivíduo tem amplas repercussões no desenvolvimento planetário. A próxima tarefa ligada a equilíbrio e discernimento está na captura de um javali devastador de terras. Desta vez Hércules não usa mais a força. Seguir o animal até o alto da montanha para domesticá-la é como elevar e transmutar os próprios desejos. De um ponto de vista superior, os fatos e acontecimentos não têm tanta importância, mas sim o crescimento e a ampliação da consciência do homem ao vivenciá-los, e as transformações que faz em si por meio deles. Não há culpa e nem erro, mas sim experiência que gera um comportamento mais maduro. A oitava tarefa tem como cenário o fétido pântano de Lerna, onde habita uma monstruosa hidra, que todos temos de enfrentar um dia. A hidra possui nove cabeças: três simbolizando os apetites instintivos relacionados com o sexo, o conforto e o dinheiro; outras três, as paixões emocionais do medo, do ódio e do desejo de poder; e as últimas, os vícios da mente ainda não iluminada pela lama: o orgulho, a separatividade e a crueldade. Uma dessas cabeças é imortal e encerra um segredo que todos devemos, a certa altura, conhecer. No mito, quando uma cabeça e cortada, outras duas surgem no lugar. Seu instrutor interno lhe diz que quem se ajoelha eleva-se e que a conquista é obtida por meio da total rendição de si. O pântano fétido com suas areias representa o subconsciente e a mente do homem. A medida que Hercules enfrenta o monstro ele se torna mais forte, demonstrando que não se deixa abalar por nenhuma espécie de golpe. Então ele segue o conselho do instrutor, joga fora suas armas e ajoelha-se. Agarrando o monstro com as suas mãos fortes e nuas, ergue-o do chão. Suspensa no ar e distante do seu apoio terrestre, a hidra perde um pouco de sua força. A luz do dia atinge a hidra e, ainda ajoelhado, mantém firme sua posição enquanto vê o monstro definhar. Somente a ultima cabeça que imortal permanece bem visível. Hercules decepa-lhe, então, a cabeça imortal, colocando-a em seguida sob uma grande pedra, onde ela fica, inerte e reluzente. Ter humildade é ser capaz de colocar-se na posição correta diante de uma situação de vida; ter coragem é decidir não se desviar do que está acontecendo no momento; possuir discernimento é poder ver o que é para ser feito no presente, sem fantasias sobre o futuro ou evocações sobre o passado. A luz dessas três qualidades só pode brilhar quando o homem está concentrado no aqui-e-agora. O mito nos ensina também que não deve haver ansiedade por matar a hidra, pois é a aspiração, e não a luta, a principal arma a ser usada. Silenciando e entregando-se à fé na infalibilidade do processo evolutivo, dissolve-se a escuridão como que por encanto. Mais uma tarefa surge, uma enorme quantidade de estranhos pássaros que provocam grandes devastações. A idéia de espantar os pássaros com dois enormes címbalos de bronze surge quando ele volta para o centro de sua consciência. Os três pássaros que se destacam dos demais têm um significado especial: o primeiro representa a tagarelice; o segundo, as informações reveladas aos que não estão prontos ainda para escutá-las; o terceiro, o falar continuamente de si próprio, egoisticamente, para enaltecer-se ou valorizar-se. Além do controle e seleção das palavras, o homem ai aprendendo, com o tempo, a inofensividade ao pronunciá-las. O címbalo representa o uso adequado do som. Os sentidos internos se abrem somente quando o uso da palavra externa chega a ser relativamente controlado. É preciso autocontrole, reflexão e modificação das palavras destrutivas ou supérfluas. Depois de tantas tarefas cumpridas, Hércules precisa colocar sua sabedoria e força interior em prática: vai ao décimo portal salvar o imortal Prometeu do inferno. O herói entra em Hades, região obsura, onde as sombras dos desencarnados vagueiam. O centro de Hedes é vigiado por Cérbero, um cão de três cabeças, sendo estas representação da sensação, o desejo e as boas intenções. A cabeça dos desejos é atacada primeiro, pois é ela que motiva e dirige as outras duas. As boas intenções quase nunca correspondem à verdadeira necessidade por terem origem no desejo e permanecerem num nível ilusório. Quanto às sensações, sempre deixam a mente ocupada, quando esta deveria estar livre. Depois de enfrentar o animal o herói salva Prometeu outra vez. Nessa ultima tarefa ele enfrenta o inferno coletivo. Vemos que o medo somente será desalojado do planeta à medida que o homem for fazendo a ligação entre a sua consciência pessoal (com seus recursos falíveis) e a sua supraconsciência (suas possibilidades ilimitadas). A partir desse décimo trabalho Hércules está decididamente voltado para o altruísmo. Enfrenta o inferno para libertar a humanidade de si mesma. O instrutor faz-lhe, então, a proposta de dirigir-se ao reino de Áugias, território que precisa ser limpo de um mal ancestral. Assim ele o faz mudando o curso de dois rios. O rei teme perder o reino diante do poder e a capacidade intuitiva de resolução do problema que surge através de Hércules, mandando-lhe embora com ameaças de morte. Então Hércules se retira sabendo que cumpriu seu propósito e transforma-se em um ser a serviço do mundo. Ele age com desinteresse, sem esforço algum em sua doação, tendo a força de estar unido e integrado a uma consciência maior, estando alinhado com os próprios níveis superiores de sua consciência. Seja qual fora a natureza ou o grau de evolução de quem realiza um trabalho, o que conta são a vida e o amor empregados na tarefa. Importa executá-la e, em seguida, retirar-se de cena, pois os resultados não pertencem a quem serve. O décimo segundo trabalho livra Hércules da roda das encarnações. O guerreiro é mandado para Eritréia, onde a grande ilusão mundial ainda domina e onde Gerião (representa a humanidade não iluminada), monstro de três cabeças e três corpos (consciência fisica, emocional e mental humanas) é senhor. Gerião mantém, ilegalmente, sob seu poder uma manada de gado vermelho-escuro. A tarefa de Hércules proposta é conduzir esse rebanho do seu lugar de origem até a cidade sagrada. Seu instrutor interno faz ressoar dentro dele a recomendação de que tenha cuidado com o pastor Euritião (simboliza a mente humana) e com o seu cão de duas cabeças (dualidade). Para lidar com ambos é necessário invocar a ajuda de Hélius, que só é encontrado nos planos interiores da vida. Conseguindo apoio de Hélius ele recebe um cálice de ouro que o liberta de todos os perigos e, cumprindo a missão, torna-se imortal. No decorrer dos doze trabalhos ele conquistara seu próprio lado humano e assumira sua essência divina.

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