Em O EU Mais Íntimo, livro inicial da obra de Diego R. Mileli, o autor ensaia os primeiros poemas, os quais a maioria foram escritos na adolescência, período de natural inquietação em que se impõem reflexões e se inicia o desenvolvimento maior da crítica buscando descobrir o mundo e, principalmente, a si mesmo. Tal inquietação gera encanto e desencanto constantes, carregando a obra de profundos pessimismo e tristeza, onde se prefere “... a incerteza da noite certa” à “...certeza do dia incerto”, os quais se contrapõem a alguns florescimentos de paixões e enlevo com a vida, chegando ao ponto de afirmar: “amo o amor acima e tudo”. Melancolia e solidão, por vezes apáticas, transbordam na obra em passagens como “Feliz é quem não pensa na vida.” ou “Não estou triste por estar só, estou só por estar triste.”, bem como a invisibilidade e o anonimato das pessoas no mundo moderno. Os poemas flertam com a morte e mergulham para dentro de si mesmo, um 'si' que é o EU de toda angústia, e navegam nos sonhos. São poemas que tratam diretamente dos sentimentos e das sensações que provocam. Sobre o autor, ele mesmo fala abertamente sobre si na época da escrita dos textos no poema “Quem sou?”. Naquele momento, descreveu-se: “Sou a amarga lágrima última que verte dos olhos da esperança... Eu sou da alegria o derradeiro suspiro... Sou o aceno de partida... Sou a existência absurda.”
