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    A ética e suas negações - Não nascer, suicídio e pequenos assassinatos

    Julio Cabrera

    Rocco
    2011
    128 páginas
    4h 16m
    ISBN-13: 9788532526656
    Português Brasileiro
    3.5
    14 avaliações
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    A discussão sobre a Ética e sua impossibilidade é considerada o “calcanhar de Aquiles” de muitos filósofos – Kant, por exemplo, viu-se obrigado a duplicar os mundos para tornar a Ética possível num deles; Spinoza a identificá-la com o mundo; e Wittgenstein a situá-la linguisticamente no místico indizível – e muitos deles optaram por não escrever nenhuma Ética, como Descartes e Sartre. Por que a Ética foi tão incômoda para filósofos capazes de mostrar sua “competência” em outras áreas da reflexão? Para tentar refletir sobre o motivo desta recusa em pensar o tema, a de não construir mais um sistema de Ética e mostrar a impossibilidade de tal projeto afirmativo, é preciso transitar por lugares que parecem inevitáveis para a reflexão ética crítica e radical e que, ao mesmo tempo, são aqueles pontos temáticos sistematicamente evitados pelo pensamento filosófico tradicional: a paternidade, a geração de filhos, o suicídio, o homicídio e a relação com a escravidão. A ética e suas negações – Não nascer, suicídio e pequenos assassinatos (originalmente Projeto de Ética negativa, lançado pelo autor na década de 1990) tem sua segunda edição lançada pela Rocco. O filósofo Julio Cabrera discute o sentido da vida ao abordar os princípios da Ética tradicional que são embasados em duas perguntas: “Como devo viver?” e “Que tipo de pai devo ser?”. Essas duas perguntas respondem à questão fundamental da vida humana, entendida como a minha vida, em primeiro lugar, e como a vida que pode ser gerada. Mas, para o filósofo, essas duas perguntas estão muito à frente de duas outras que supostamente deveriam ter sido respondidas pela reflexão ética: “Devo viver?” e “Devo ser pai?”. São essas as questões para as quais devem ser encontradas respostas, pois, segundo o autor, a não resposta a essas perguntas mais “primitivas” deixa a metade do problema moral fora da questão filosófica e torna inconsistente o sistema de valores morais tradicional. Refletir sobre o não ser nos casos acima citados é um dos objetivos do livro. Nos dois primeiros capítulos, o filósofo enfrenta dois temas basais da discussão: a paternidade e sua recusa e o suicídio. São estudados os mecanismos pelos quais os homens acreditam ser, e a resposta ontológica a essa ilusão. É problematizada a paternidade como lugar fixo da moralidade. No caso do suicídio, são indicadas algumas fontes filosóficas e analisados os mecanismos de rejeição radical ao suicídio dos pontos de vista médico, jurídico e religioso. No terceiro capítulo, trata-se da supressão da vida por meio do homicídio. É também neste capítulo que o autor aborda a relação amo/escravo como tentativa não de suprimir fisicamente um ser, mas de suprimi-lo como vontade. No capítulo seguinte, Cabrera mostra como na estruturação atual da sociedade se pratica uma sistemática ocultação de tudo aquilo que foi elucidado nos capítulos anteriores. Em seguida, o autor critica a convicção dos valores morais – e, por conseguinte, da imoralidade – terem um “lugar fixo” (procriação, paternidade, família, propriedade, heterossexualidade etc., em oposição a abstinência, prostituição, roubo, homossexualidade etc). Por fim, Cabrera pratica uma dialética da dualidade saber/ignorar, colocando os próprios limites daquilo que o filósofo é capaz de dizer acerca de questões éticas. A ética e suas negações – Não nascer, suicídio e pequenos assassinatos propõe uma nova forma de pensar sobre a vida e seus valores.

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    Eduardo Silva02/06/2023Resenhou um livro
    3 (Bom)

    "Como podemos denominar, não sem ironia, um louco?"

    A antropologia nunca foi tão desconstruída, desfragmentada e banalizada, quanto neste livro. E digo isso depois de todos os livros que já li até o dia de hoje. Não tive contato com nenhum outro livro do autor, mas se todos eles seguirem esse viés, certamente os deixarei de lado. A forma como ele aborda os três temas centrais do livro e os secundários, é tão degradante que até mesmo alguns incautos certamente colocarão em dúvidas suas afirmações, acredito eu. No tópico "não nascer" o autor fala sobre a decisão de não ter filhos e o impacto que isso gera na sociedade. Todavia, para entrar nesse assunto ele tensiona suas reflexões a uma desconstrução da Soberania de Deus, tenta suavizar de início, mas fica implícito sua necessidade de ridicularizar o Eterno. Afirma ainda que os pais não possuem condições antológicas de dar absolutamente nada a seus filhos, e como consequência, os filhos nada devem a seus pais. Tentado resumir: Deus não deveria ter criado nada, filhos não pediram pra nascer, portanto não devem nada a seus pais, e estes não servem para criá-los, embora devam fazê-lo, "mesmo o filho sendo um fracasso na vida do pai." Abordando o suicídio, as coisas ficam piores. Ele afirma que "quando alguém escolhe o suicidar-se pode colocar a decisão nos planos de uma reflexão racional [...]" que "a ideia do suicídio pode ser, dependendo das idiossincrasias, profundamente perturbadora ou profundamente confortadora." "que o suicídio é uma morte menos tramaumatizante" e permite tanto aquele se abstém de viver quando aos seus familiares e amigos se despedirem daquele que optar por partir assim caso este ato seja normalizado. "Nenhum ser humano deveria se sentir-se lesado ou ferido pelo ato suicida." Em pequenos assassinatos as coisas saem literalmente de controle e normaliza-se o assassinato, apoia-se a loucura até determinado ponto, mas também os reprimi de forma deplorável: "O mundo seria mais respirável com mais suicídas e menos loucos. Fala-se sobre ocultar essa forma de pensar dos demais, e ainda sim a fazer valer, e finalizar com uma frase absolutamente diferente: "Em filosofia atingimos o inferno ou a trivialidade."

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    Julio Ramón Cabrera Alvarez profile picture

    Julio Ramón Cabrera Alvarez

    Doutor em Filosofia pela Universidad Nacional de Córdoba (Argentina). Professor Titular aposentado do Dpto de Filosofia da Universidade de Brasília. Trabalha nas áreas de filosofias da linguagem, éticas negativas, cinema e filosofia e filosofia latino-americana. BRASÍLIA, DF. BRASIL

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    Julio Ramón Cabrera Alvarez