Náufrago de um mar doce -

    Nauro Júnior

    Satolep Press
    2012
    160 páginas
    5h 20m
    ISBN-13: 9788591446209
    Português Brasileiro

    - Eu não sou de raça morredeira! Gauchinho tentou em vão convencê-lo a não enfrentar a Lagoa naquele final de tarde de outono, pois era certa a entrada de um temporal na caída da noite. Mas não conseguiu conter Nico, que insistia em ir até Dona Judith para que ela o benzesse. Nico, um navegador experiente, iniciava ali uma imersão na imensidão misteriosa da Lagoa dos Patos, um verdadeiro "Mar de Dentro" como chamam os nativos da região. São 56 quilômetros da margem onde nasce o sol até a margem do poente, e 256 quilômetros que a separam do Oceano Atlântico por uma faixa paralela de terra. Reza a lenda que, em um passado muito distante, tudo foi um mar só.

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    Rafael Montoito picture
    Rafael Montoito19/04/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    O mar doce da lagoa e o mar salgado das lágrimas

    "Náufrago de um mar doce" é a história real do pescador pelotense Nico que, como o título sugere, naufragou na Lagoa dos Patos. Depois de uma discussão com seu colega Gauchinho, ele deixa o ponto onde estavam colocando as redes para voltar até a Vila da Palha mas, no caminho, é surpreendido por mau tempo e cai na água, deixando Tchuco, seu cão, sozinho no Tatuapu, que segue à deriva... . Em terra, Dona Judith, sua mãe, que desde o parto difícil se dedica a rezar por ele, pressente a catástrofe e se põe a rezar, com a certeza no coração de que ainda não é a hora de Nico ir ao encontro do seu já falecido pai. O pescador passa 24 horas lutando pela própria vida, entre delírios, esperanças e recordações da ex-esposa, filhos e neto. . Ao contar essa história que foi notícia em Pelotas, o repórter Nauro Júnior constrói uma narrativa incrivelmente emocionante, utilizando uma linguagem simples que flui como as águas da laguna: a oralidade dos pescadores (bem representada nos diálogos), a fé sincrética das personagens (representada, sobretudo, na figura da mãe que reza para o Cristo, faz benzeduras para a população e recebe recado dos mortos) e as referências a antigos pontos da cidade de Pelotas tornam essa história particularmente emocionante para quem aqui vive - mas, sendo ela uma história de sobrevivência e de amor (de Nico pelos seus familiares, de Dona Judith pelo filho, dos pescadores pela lagoa e, até mesmo, do cãozinho Tchuco por seu dono), não passará despercebida dos leitores mais emotivos. . As ilustrações de Pablo Conde são uma obra à parte, dignas de apreço e contemplação. Eu acabei o livro com várias lágrimas nos olhos.

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