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    O Bastardo da Rua 45 -

    Caio Fernando Cuellar

    Kelps
    2012
    134 páginas
    4h 28m
    ISBN-13: 9788540005792
    Português Brasileiro
    4.3
    14 avaliações
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    Favoritos4Desejados16Avaliaram14

    O Bastardo da Rua 45 é um romance ficcional do autor goiano Caio Fernando Cuellar, escrito entre setembro de 2010 e fevereiro de 2011; e lançado originalmente em novembro de 2012 pela Editora Kelps. O livro narrado em terceira pessoa conta a história de um garoto cujos pais o renegaram e o entregaram a sua avó materna, para que dele cuidasse. Por terem apenas catorze anos, os jovens pais não poderiam arcar com as consequências dessa gravidez indesejada. Ao decorrer da narrativa, o garoto sofre abusos sexuais, sem que ninguém da família descobrisse. Com esse trauma intenso em sua vida, Atellar cresce e o livro o acompanha, mostrando os desdobramentos dessa desgraça à qual, aos poucos, fora submetido. Os dezoito capítulos do livro remetem alternadamente a tempos diferentes da vida das personagens, de modo que o leitor tem a impressão de que está montando um quebra-cabeças. Isso possibilita a construção de jogos inferenciais, em que é possível prever o desfecho de algumas unidades narrativas, aguçando-se o desejo de ler sempre mais uma página para confirmar ou não as previsões feitas. Conteúdo e expressão encontram-se, portanto, no texto e, juntos, revelam pormenores da personalidade atribulada de Atellar, personagem principal do romance. O livro é uma tatuagem nacional, com presença de referências a cantores como Elis Regina, Chico Buarque, Cazuza e Renato Russo. Narrado em Curitiba e Goiânia, na primeira fase do romance, posteriormente em Genebra, na Suíça, o livro faz um intertexto com Brasil e Europa, criando uma identidade nacional ao mostrar seus personagens que, mesmo fora de seu país de origem, não perdem sua raiz como língua, costumes e pensamentos. Morando com sua avó Dolores, Atellar sofre abusos sexuais. Com a morte da vó, ele vai morar com Pádulla, grande amigo da senhora. Pádulla era rico, viúvo e sem filhos. Por essa razão, comprometeu-se a cuidar do menino como se fosse seu próprio filho, deixando, posteriormente, todos seus bens a ele. Ao decorrer do texto, Atellar se forma em Medicina, pela UFPR, e vai fazer suas especializações em Genebra, conhecendo o Duda e Amélie, irmãos, filhos de Joana, prima de Pádulla (um amor de infância). A história se segue e, no capítulo 17, Atellar volta ao Brasil, após um acontecimento fatal. O fim do capítulo 17 é o início do capítulo 1, dando a ideia de continuidade à narrativa. Assim, movimento temporal, conhecimento de mundo, intertexto, metaforização aliam-se a abandono, abuso sexual, morte, acolhimento, amor, sexo, reflexão sobre a vida, amizade, mistério, drama, humor e, juntos, compõem o mobiliário do romance. Nasce, assim, um herói nacional: Atellar, que não é nem vilão e nem mocinho. É apenas mais uma vítima da vida, do mundo. Rejeitado pelos pais, adotado por seu molestador. Atellar mostra ao mundo que, mesmo com o coração destroçado, mesmo com os erros tatuados na cara, é possível começar de novo e mudar a tristeza, deixando o sol nascer dentro de si.

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    Vida em série15/08/2013Resenhou um livro
    3 (Bom)

    às vezes, descobrimos algo novo sobre o passado que muda tudo o que sabemos sobre o presente.

    O pontapé inicial da história dá-se na vida adulta, quando uma visita inesperada bate à porta de Atellar, em Curitiba. O fantasma é Amélie, que veio direto de Genebra, Suíça, com um recado muito importante: um záp! A carta remete a uma promessa feita há anos entre ele, Amélie e Duda, irmão da garota. Eles prometeram que, se um deles estivesse em perigo, ou morrendo, enviaram a tal carta de baralho. Pouco a pouco, vemos os dois enredos se misturarem em um só, no capítulo 18. Uma simbologia à maioridade, à liberdade, quando Atellar finalmente consegue exorcisar seu passado e seus problemas. (O autor me garantiu que há ainda mais simbologias nas entrelinhas! Muitas mais! Mas não tirarei a graça de vocês aqui). Mas, até lá, são muitas páginas e muitas linhas que remoem um triste passado e um futuro sem projeção alguma. Atellar sofreu em sua infância (sem spoilers aqui!), sofreu em sua adolescência e, quando teve a chance de consertar tudo, trilhando uma próspera vida adulta, não o faz. Olhando por cima, tem-se a impressão de que o sentimento que o leitor desenvolve acerca da personagem é de pena. Não se engane! Caio nos faz mudar de ideia sobre Atellar a cada capítulo e com muita maestria. Pode se sentir volúvel, não tem problema. E, à medida que vamos avançando na história, conhecemos personagens cativantes que nos marcam de alguma forma. Talvez até mais que o próprio Atellar, apesar de a história girar em torno dele. E não estranhe se ficar em dúvida sobre o verdadeiro caráter deles, também. Sobretudo quando se trata de Amélie. Ao lerem, tenham um carinho especial com Bia, Pádulla e Adilene. São personagens que, lendo nas entrelinhas, podem garantir excelentes reflexões sobre nossas próprias vidas. E uma pitada de inveja de Atellar, também.

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    Caio Fernando Cuellar

    Escritor goiano, autor de O Bastardo da Rua 45.

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    Goiás, Brasil

    Caio Fernando Cuellar