Essa HQ foi escrita pelo hermano, Salvador Sanz e, para os que não conhecem muito a sua bibliografia, basta dizer que esse cara é um mestre em criar mundos, personagens e criaturas fantásticas. Nascido em um país conhecido pelos excepcionais escritores e quadrinistas de terror, esse argentino acabou se destacando com algumas HQs interessantes e que já foram lançadas aqui no Brasil, como: Mega e O Esqueleto.
Partindo para a estória apresentada nessa HQ de 2005, ela tinha tudo para me conquistar, mas acabou ficando no quase e se perdendo um pouco no final. Pensa bem, uma HQ que aborda o tema da morte e a possibilidade de transportar a sua alma entre corpos, garantindo uma forma de viver eternamente para aqueles que dominaram essa técnica, já é um enredo que arqueia as sobrancelhas. Somando-se a isso uma guerra entre duas corporações, uma privada e outra pública, um cientista suspeito, batalha entre mechas, operação de alma para extrair a parte ruim das pessoas
Não tinha como um tema desses não ser interessante, né? Pois é, mas pra mim ele acabou se perdendo um pouco, deixando várias pontas soltas e o enredo que parecia ser o principal, meio que ficou de lado e foi transformado em outra coisa. Essa coisa é ruim? De forma alguma! Só não atingiu a expectativa que eu estava.
Entendo que exista muita oportunidade de continuar explorando esse universo, porém, não sei se o autor tem interesse de revisitá-lo novamente, uma vez que já se passaram quase 20 anos que essa HQ foi desenhada. E, falando em desenho, esse cara desenha bem demais, as expressões são fenomenais, deixando claro as emoções que os personagens estão enfrentando no momento. Outro ponto que não poderia deixar de citar é a referência à lenda do Death Metal: Morbid Angel. É que o corpo da protagonista está usando uma camisa dessa entidade sonora e isso, por si só, já é motivo de empolgação para um velho headbanger.
Foi lançada pela Zarabatana Books, assim como outras HQs do autor. Eu gostei muito dos traços, achei que a estória tinha um potencial enorme, mas acabou ficando no quase. Não é ruim, mas não atingiu as expectativas geradas com as primeiras páginas. De qualquer forma, não deixa de ser um passatempo bacana.
Se essas criaturas a quem chamamos morte se alimentam de nossa alma nem bem abandonamos nosso corpo
Então não há mais o além para o homem? - Dr. Sibelius