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Aos dezessete anos, Emerson Cole vê coisas que ninguém mais vê: senhoras mortas trajando roupas de décadas passadas, soldados de guerra mortos, um trio de jazz morto. Projeções do passado que se desvanecem com um toque. Envolta em uma nuvem de “fantasmas” desde a morte de seus pais, Emerson só quer parar de ter as visões e levar uma vida normal. E, embora já tenha tentado de tudo, as aparições permanecem assombrando-a.
Quando Thomas, seu irmão, diz que alguém — Michael Weaver, integrante de uma organização chamada Hourglass — pode ajudar com seu problema, Em não fica tão esperançosa — com medo de se decepcionar outra vez. Ao conhecer Michael, um rapaz bonito, misterioso, compreensivo, alto e doce — e cujo toque despeja uma carga elétrica por todo o seu corpo —, Emerson não poderia imaginar que ele mudaria seu futuro com a seguinte informação: ela não só pode ver projeções do passado como pode voltar nele. Agora, Michael quer que Em o ajude em uma arriscada missão: voltar no tempo e salvar uma pessoa que ela não conhece, mas que é de grande importância para Michael.
Romance de estreia de Myra McEntire, Amor Contra o Tempo (Hourglass, no original) apresenta um enredo tão cativante quanto fascinante. A premissa da viagem no tempo (que lembra muito o seriado Doctor Who, da BBC, em que definitivamente McEntire se inspirou) poderia não ter dado certo, mas Myra soube integrá-la maravilhosamente na narrativa, não abrindo brechas para descontentamentos. As explicações a respeito das particularidades da trama são elucidadas gradualmente, e vamos descobrindo as coisas ao mesmo tempo de Emerson, o que possibilita entender o cenário inteiramente.
Ademais, a escrita fluida da Myra — nenhum pouco enfadonha — e a maneira como ela concebe seu elenco faz com que todos os elementos da obra se cruzem em harmonia, e a experiência da leitura é agradável.
Emerson, aliás, é uma ótima protagonista; seus modos sarcásticos, sua inteligência, fragilidade e respostas afiadas nos fazem gostar dela de pronto. Quanto à Michael, não há o que falar. Ele é fofo, lindo e misterioso, contudo, são seus defeitos que o torna ainda mais apaixonante. E sim, há promessas de um triângulo amoroso, apesar de ficar evidente que o outro lado dele — Caleb, um rapaz sedutor, musculoso e com pose de bad boy —, nesse primeiro momento, serve mais como propulsor para o relacionamento de Em com Michael que qualquer coisa.
A dinâmica familiar de Amor Contra o Tempo também é um ponto a ser ressaltado. A relação entre Em, o irmão e a esposa dele — Drew — é espetacular. Estou tão acostumada à famílias desestruturadas em livros YA que quando me deparei com esta exceção foi como sentir uma lufada de ar quente em um ambiente gélido.
Sem mais, Amor Contra o Tempo excedeu minhas expectativas. Regado de mistérios, intrigas e amor, a obra extrai o melhor — e mais atraente — das “viagens no tempo” e do paranormal, concentrando-os em um indispensável — e memorável — romance para o público adolescente. Divertido e irresistível, este é um livro que definitivamente não pode estar de fora da sua estante.