Primeiramente, o autor árabe Malba Tahan, famosíssimo pelo livro "O Homem que Calculava", simplesmente nunca existiu. Esse era o pseudônimo do professor carioca Júlio César de Mello e Souza, que já naquele tempo, início do século XX, sabia bem como o brasileiro é com seu complexo de vira-lata, preferindo sempre idolatrar estrangeiros a dar valor aos seus compatriotas. E essa falsa identidade exótica soube mesmo chamar a atenção, enquanto o talento do autor pôde, merecidamente, colher seus louros. Inspirado pela cultura árabe e pelos célebres contos das "As mil e uma noites", ele produziu muitos textos para jornal até se entregar de vez à literatura. Quando escreveu "A Sombra do Arco-Íris", lançado 1941, já tinham descoberto sua verdadeira identidade. Apesar de não ter deixado nem o pseudônimo e nem os contos árabes de lado, incluiu no meio dessa trama, nada mais nada menos do que 870 citações de poetas brasileiros! Uma proeza e tanto, ainda mais em tempos pré-internet. O livro é um romance que conta a história de uma princesa que propõe uma competição, onde só ganhará sua mão o pretendente que provar, através de uma história sobre sua sombra, ser o mais inteligente e com maior coração. Apesar de cheio de ensinamentos morais e muitas "histórias dentro da história", como nos contos de Sherazade, trata-se de uma leitura muito instigante, suave e prazerosa, além de reunir dezenas de ilustrações de Calmon Barreto (se tiver a sorte de pegar as primeiras edições). Só acho estranho essa obra não ser mais lembrada, lida e cultuada.
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